26 de novembro de 2015

Em uma capa e uma notícia, o retrato do Brasil atual ou "É a lama, é a lama..."

É moda criticar os "jornalões". Formariam, segundo alguns, o "PIG" (Partido da Imprensa Golpista). Para outros, estariam com seus dias contados, derrotados de vez pela Internet. Mas, hoje, dois desses "jornalões", cada um a sua maneira, mostraram que ainda podem render um "bom caldo".

Vejam lá.

Na foto ao lado, vai uma reprodução da capa da edição de hoje (26), que já pode ser considerada histórica, do jornal Estado de Minas. Conciliadas em um único espaço, as tragédias ambiental e política formam um fotograma trágico do Brasil atual.

Mariana está longe de ser um "desastre". Ambição e ausência de fiscalização por quem tinha o dever de fazê-lo explicam uma tragédia, mas não formam um "desastre".

Por outro lado, em Brasília ganha força o escândalo do Petrolão, que traz à tona a sujeira dos subterrâneos do Governo petista de Dilma Rousseff.

Como diz o Estado de Minas, no melhor esforço de síntese, sujeira pra todo lado.

Enquanto isso, na Folha de São Paulo, hoje, vem a notícia que Lula classificou como "coisa de imbecil", os atos que levaram à prisão de Delcídio do Amaral - mais um petista flagrado durante o cometimento de crimes, demonstrando um distanciamento maior do que aquele que alguns sentem quando observam um desconhecido dar de encontro a um poste por distrair-se olhando suas mensagens no celular.

Até aí, nada há de surpreendente. Tenho certeza que, seguindo sua trajetória, Lula logo será de capaz de perguntar: "Delcídio? Quem é Delcídio?"

É da natureza de Lula a sobrevivência, ainda que às custas dos cadáveres - metafóricos ou não - de "ex-companheiros". Quando o que está em jogo é "a causa" convertida, nesses tempos que correm, "n'O Partido", não se conhece limites. Em qualquer circunstância coloque-se tudo na conta dos "aloprados" ou saque-se o já clássico "eu não sabia de nada".

Para quem já se disse admirador de Hitler, Stalin e Mao-Tse-Tung, nada demais.

Mas, o exemplo tosco de Lula fez escola dentro da cúpula do PT.

A nota pública do partido sobre a prisão de Delcídio do Amaral beira à delinquência. Demonstra um total desprezo pelas ações do parlamentar que, bem ou mal, atuava até poucas horas atrás como LÍDER DO GOVERNO NO SENADO, alguém que integrava o círculo mais próximo de Dilma, que era interlocutor e "da confiança" de Lula!

Hoje, o presidente do PT, Rui Falcão, autor e signatário da nota, explicou  - como se precisasse - suas razões para defender, por exemplo, Vaccari Neto e execrar Delcídio.

Segundo Falcão, "existe uma diferença clara entre atividade partidária e não partidária". Para Falcão, Vaccari roubou, extorquiu e conspirou em nome do PT; Delcídio fez o mesmo, só que em nome próprio. Para Vaccari, um lugar no Panteão dos Heróis Petistas - pobre panteão, não é?; para Delcídio, ostracismo e abandono.

Para Lula, Falcão e tantos outros petistas graduados, valores ético-morais não existem. Atos são medidos e valorados, de forma única e exclusiva, a partir do melhor interesse do "Partido". Serão sempre lícitos aqueles que visem a manutenção do "Partido" no Poder - por mais asquerosos, infames, criminosos e insanos que sejam; e serão sempre contestáveis aqueles atos que contrariem ou divirjam dos interesses partidários.

Lula chama Delcídio, seu mais recente ex-amigo, de "imbecil", "idiota", porque, afinal de contas deixou-se gravar praticando falcatruas. Esperto mesmo é Lula, que até hoje circula livremente...

Falcão, por sua vez, não se sente obrigado "a qualquer gesto de solidariedade" a Delcídio. Afinal, do butim nada foi encaminhado aos cofres do "Partido". As ações criminosas do senador, não tinham a chancela do "Alto Comissariado" petista.

Então, ficamos assim: a máxima de Maquiavel, segundo a qual "os fins justificam os meios", é verdadeiro artigo de fé para os esquerdopatas e em nome do "Partido" vale tudo e mais um pouco.

E ainda tem quem se pergunte como foi que chegamos ao fundo do poço! Melhor perguntar por quanto tempo, depois de chegar ao fundo, vamos continuar cavando e produzindo mais lama.

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