O texto a seguir, vindo da pena afiada do professor e senador do PDT por Brasília, Cristovan Buarque (na foto acima), é daqueles que deveriam se tornar norteadores das discussões - acadêmicas ou não - e causar efeitos imediatos entre os formadores de opinião. Digo deveriam, porque no Brasil, estamos ocupados demais com temas mais relevantes, entre eles a última música de duplo sentido a emplacar nas paradas de sucesso, quantos beijos gay são necessários para se fazer uma novela ou o quanto é possível se ver de sexo feito sob cobertas e edredons por outras pessoas. Diante de tantos e tão importantes temas, que importância teriam mesmo assuntos como tolerância, civilização, democracia e exercício da cidadania, não é?
Mesmo assim, sabendo que poucos lerão, reproduzo essa peça de Cristovan, originalmente publicada no Blog do Chiquinho Dornas. Leiam com a atenção que merece. É primorosa, esclarecedora e provocativa. Ainda bem que, apesar dos pesares, ainda temos figuras como Cristovan, a servir como referência.
Boa leitura.
Cristovam Buarque: Civilização do lápis
Muitos de nós não compraríamos um exemplar do Charlie Hebdo com suas blasfêmias de mau gosto, mas estamos indignados com o ato bárbaro de fanáticos que assassinaram seus profissionais. A liberdade religiosa deve criar respeito a todos os credos e seus símbolos e a liberdade de expressão deve assegurar o direito a quem deseja blasfemar contra eles. Estamos indignados porque o mundo contemporâneo não foi capaz de avançar no exercício pleno da tolerância, com humor sem blasfêmias e sem violência contra quem blasfema.
Estamos indignados também contra aqueles que usam a barbaridade de alguns fanáticos para criar preconceitos contra 1,6 bilhão de pessoas que praticam o Islã, uma religião com 15 séculos de história.
Estamos indignados porque a indignação contra os atos terroristas em Paris, não se manifesta com a mesma força contra outros bárbaros atos terroristas como, por exemplo, meninas sequestradas na Nigéria, o uso de criança suicida como portadora de bomba e os bombardeios aéreos contra civis no Iraque e na Palestina.
Estamos indignados também contra aqueles que usam a barbaridade de alguns fanáticos para criar preconceitos contra 1,6 bilhão de pessoas que praticam o Islã, uma religião com 15 séculos de história.
Estamos indignados porque a indignação contra os atos terroristas em Paris, não se manifesta com a mesma força contra outros bárbaros atos terroristas como, por exemplo, meninas sequestradas na Nigéria, o uso de criança suicida como portadora de bomba e os bombardeios aéreos contra civis no Iraque e na Palestina.
