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10 de janeiro de 2015

Milhares de franceses vão às ruas em memória de vítimas de terrorismo islâmico

No site da BBC, hoje (10):
Cerca de 700 mil pessoas foram às ruas das principais cidades francesas em memória das vítimas dos ataques ocorridos em Paris nesta semana. Além da capital francesa, as homenagens também aconteceram em Orleans, Nice, Pau, Toulouse e Nantes.
Dezessete pessoas, incluindo alguns dos principais cartunistas da França, morreram nos ataques. A polícia agora concentra as buscas nos cúmplices dos três homens armados responsáveis pelos atentados, mortos durante uma ação policial simultânea na sexta-feira.
Neste sábado, o governo francês aumentou a segurança em Paris, com 500 policiais a mais nas ruas, além do efetivo normal e da presença das Forças Armadas.
Segundo Cazeneuve, "todas as medidas necessárias" estão sendo tomadas para proteger o país.
ele também prometeu "medidas excepcionais" durante a grande marcha convocada para domingo, incluindo atiradores no telhado e um total de mais de 5,5 mil policiais e militares patrulhando as ruas.
Estarão presentes no evento o premiê britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o premiê turco, Ahmet Davutoglu, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, e o chanceler russo, Sergei Lavrov.
A passeata deve sair da Place de la République (Praça da República), no centro de Paris, às 15h.

Em mensagem aos franceses, Dilma reitera solidariedade e indica embaixador para Marcha Republicana em Paris

A presidenta Dilma Rousseff reiterou hoje (10), em nota, sua mensagem inicial de solidariedade aos franceses e ao governo pelos sucessivos ataques terroristas que vitimaram membros da redação do semanário Charlie Hebdo, policiais e cidadãos franceses. Segundo a nota, o governo e o povo brasileiro acompanharam com emoção e comoção os ataques terroristas na França.
“Quero reiterar nossa mensagem inicial de solidariedade aos franceses e a seu governo. Manifesto, igualmente, a esperança de que a grande comoção que esses acontecimentos provocaram na França e no mundo seja o melhor antídoto contra futuros atos de intolerância e de barbárie”, diz o texto.
A presidenta Dilma diz, ainda, estar segura de que os brasileiros que vivem na França estarão na “grande” Marcha Republicana que acontecerá neste domingo (11) em Paris. A presidenta disse que pediu ao embaixador brasileiro na França, José Bustani, que a representasse no encontro de “cidadãos do mundo em prol de um futuro de paz e democracia”.

7 de janeiro de 2015

"Religiões, como todas as ideias, merecem críticas e nosso desrespeito sem medo", diz Salman Rushdie sobre ataque a Charlie Hebbo

"É duro ser amados por esses babacas", diz Maomé na capa da CH
"A religião, uma forma medieval de insensatez, quando combinada com armamentos modernos se torna uma ameaça real a nossas liberdades. O totalitarismo religioso causou uma mutação fatal no coração do Islã e vemos as trágicas consequências disso hoje em Paris. Eu apoio o “Charlie Hebdo”, assim como todos devemos apoiar, para defender a arte da sátira, que sempre foi uma força a favor da liberdade contra a tirania, a desonestidade e a estupidez. “Respeito pela religião” se tornou um código para “medo da religião”. Religiões, como todas as outras ideias, merecem críticas, sátira e, sim, nosso desrespeito sem medo".
Foi assim, acertando bem no centro do alvo, que Salman Rushdie condenou o ataque contra o semanário francês “Charlie Hebdo”, que deixou até agora 12 mortos, entre eles quatro cartunistas. No site do Pen Centre inglês, Rushdie condenado à morte pelo regime iraniano em 1989 por causa de seu romance “Os versos satânicos” e que precisou passar anos sob proteção policial, ressaltou que o atentado mostra as “trágicas consequências” do extremismo islâmico.
Além de Rushdie, outros escritores e intelectuais se manifestaram sobre o atentado. O historiador britânico Simon Schama usou sua conta no Twitter para declarar solidariedade ao “Charlie Hebdo”. Autor de livros como “Cidadãos”, sobre a Revolução Francesa, e “O poder da arte”, ele exaltou o valor da sátira:
"A sátira é a mãe da verdadeira liberdade política. Desde que surgiu, no século XVIII, ela é o terror dos intolerantes e dos tiranos. Vamos lamentar pelos mortos, mas saibam que Kalashnikovs nunca matarão o riso, e merecem ser ridicularizadas", escreveu Schama.
Schama citou uma frase do pensador francês Voltaire (“O fanatismo é um monstro que finge ser filho da religião”) para criticar o extremismo islâmico:
"Podemos medir a fraqueza de uma ideologia pelo grau de violência que ela precisa para se impôr, dependendo de coerção e não persuasão. A liberdade de expressão é sagrada, não a teologia. A batalha agora é entre liberdade de consciência e tirania da teocracia", afirmou. (Com informações da AFP e O Globo)

Presidente francês garante perseguir terroristas que atacaram sede de revista e mataram 11 em Paris

Dois homens mascarados e fortemente armados invadiram a sede da revista "Charlie Hebdo", em Paris, e mataram ao menos 11 pessoas. Ao menos nove pessoas da equipe da revista e dois policiais foram mortos, segundo informações oficiais da polícia. Pelo menos 20 pessoas teriam ficado feridas, incluindo outros três policiais. Quatro estariam em estado crítico. Os atiradores fugiram. Em 2011, a revista publicou charges do profeta Maomé, o que despertou a ira de alas muçulmanas radicais, e acabou sofrendo um atentado a bomba.
— Dois homens armados e com roupas pretas entraram no prédio com Kalashnikovs. Minutos depois, ouvimos muitos tiros — disse a testemunha Benoit Bringer, acrescentando que os homens foram vistos fugindo do prédio.
A França elevou ao máximo seu nível de alerta terrorista depois do ataque. O presidente François Hollande chegou ao local. Ele havia convocado uma reunião do gabinete de emergência.
— É uma barbárie excepcional. Os atiradores serão perseguidos durante o tempo que for necessário para que sejam levados à justiça. A França está em choque. É um ataque terrorista, não há dúvida — disse o presidente, que revelou que vários atos do tipo foram frustrados em Paris ao longo das últimas semanas. — Temos que mostrar que somos um país unido.
Se confirmado como ataque de cunho terrorista, o tiroteio é o evento do tipo mais mortal na França desde 1945.
O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e a prefeite parisiense, Anna Hidalgo, chegaram no local pouco após o início dos trabalhos de resgate.
Um usuário mostrou marcas deixadas pelas balas no vidro de um prédio próximo. "Dois tiros atravessaram o prédio", relata. (Com informações da AFP)