7 de janeiro de 2015

"Religiões, como todas as ideias, merecem críticas e nosso desrespeito sem medo", diz Salman Rushdie sobre ataque a Charlie Hebbo

"É duro ser amados por esses babacas", diz Maomé na capa da CH
"A religião, uma forma medieval de insensatez, quando combinada com armamentos modernos se torna uma ameaça real a nossas liberdades. O totalitarismo religioso causou uma mutação fatal no coração do Islã e vemos as trágicas consequências disso hoje em Paris. Eu apoio o “Charlie Hebdo”, assim como todos devemos apoiar, para defender a arte da sátira, que sempre foi uma força a favor da liberdade contra a tirania, a desonestidade e a estupidez. “Respeito pela religião” se tornou um código para “medo da religião”. Religiões, como todas as outras ideias, merecem críticas, sátira e, sim, nosso desrespeito sem medo".
Foi assim, acertando bem no centro do alvo, que Salman Rushdie condenou o ataque contra o semanário francês “Charlie Hebdo”, que deixou até agora 12 mortos, entre eles quatro cartunistas. No site do Pen Centre inglês, Rushdie condenado à morte pelo regime iraniano em 1989 por causa de seu romance “Os versos satânicos” e que precisou passar anos sob proteção policial, ressaltou que o atentado mostra as “trágicas consequências” do extremismo islâmico.
Além de Rushdie, outros escritores e intelectuais se manifestaram sobre o atentado. O historiador britânico Simon Schama usou sua conta no Twitter para declarar solidariedade ao “Charlie Hebdo”. Autor de livros como “Cidadãos”, sobre a Revolução Francesa, e “O poder da arte”, ele exaltou o valor da sátira:
"A sátira é a mãe da verdadeira liberdade política. Desde que surgiu, no século XVIII, ela é o terror dos intolerantes e dos tiranos. Vamos lamentar pelos mortos, mas saibam que Kalashnikovs nunca matarão o riso, e merecem ser ridicularizadas", escreveu Schama.
Schama citou uma frase do pensador francês Voltaire (“O fanatismo é um monstro que finge ser filho da religião”) para criticar o extremismo islâmico:
"Podemos medir a fraqueza de uma ideologia pelo grau de violência que ela precisa para se impôr, dependendo de coerção e não persuasão. A liberdade de expressão é sagrada, não a teologia. A batalha agora é entre liberdade de consciência e tirania da teocracia", afirmou. (Com informações da AFP e O Globo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário