16 de setembro de 2011

Pará, Carajás e Tapajós - Contra Carajás a extrema esquerda torna-se aliada e porta-voz das elites belenenses

Vocês sabem do apreço e carinho que tenho por Wanterlor Bandeira e acho que ele gosta “tantinho assim” de mim, mas adora me provocar.
No seu blog publicou hoje uma estrovenga contra a criação do Estado do Carajás. 

Claro que mordi a isca.
Vou no pingue-pongue com o autor da malfada peça.
Bom, o texto ficou quilométrico, mas tentei compensar com algum humor a parlapatice presente no texto chicoteado. 
Boa leitura a todos!

Estado de Carajás: para quem?
No EcoDebate
Para toda tomada de decisão política se deve levar em consideração sobre em que conjuntura estamos vivendo, afim de que os resultados não sejam desfavoráveis para o conjunto da sociedade e possa vir a beneficiar apenas uma pequena parcela de oportunistas, como ocorreu com a criação do Estado do Tocantins, apropriado pela família Siqueira Campos.

Eu – Poderia falar do uso indevido da preposição “sobre” antecedendo “em que”. Mas, isso é perfumaria. Mostra apenas que o autor escreve muito mal. Mas, ele pensa ainda pior. Pelo que se depreende ele é contra Carajás por que beneficiaria “uma pequena parcela de oportunistas”. Assim o esperto prefere manter o Pará paquidérmico que beneficia uma grande parcela de oportunistas. Ele defende a “inclusão” dos oportunistas. Para ele quanto mais oportunistas, melhor!

Como ficará feliz um politiqueiro de fim de carreira com a criação do Estado de Carajás, porque seu curral eleitoral formado nesta região, com 50 mil votos, já não consegue tanto significado para um eleitorado de 4 milhões de eleitores, mas para um eleitorado de 800 mil, sim.

Eu – Como ficam felizes os politiqueiros paraenses que tem um rebanho de 4 milhões de eleitores e que podem trocar de curral quando bem entenderem! E além disso, ainda podem contar com os serviços de nosso herói para defendê-los!

Nós acreditamos que a criação do Estado de Carajás neste momento só vai favorecer um pequeno grupo de políticos ultrapassados, ultraconservadores, reacionários e mercenários, seja do DEM ao PT. Favorecer empresários dos mais diversos segmentos e aos latifundiários facínoras, enquanto os trabalhadores do campo e da cidade continuarão subalternos e explorados, submetidos à produção de riquezas sem delas usufruir.
Eu – Acredito que nosso escriba tomou o chá errado. A manutenção do Pará atrofiado e estropiado, então, significa algum avanço? O problema do autor parece ser o tamanho. Eis de volta o argumento do “pequeno grupo”. Para ele bom mesmo é um “grande grupo” formado por homens probos e honestos somente encontráveis nas margens da baía do Guajará! Acorda, Alice!

As riquezas, nesta região, ainda são produzidas a base da apropriação e exploração dos bens naturais(solo, subsolo, floresta e água), através do tráfico, da especulação, da sonegação de impostos, da exploração intensiva da força de trabalho, do trabalho escravo, dos desvios dos recursos públicos, e do uso da opressão e assassinatos de trabalhadores. Foram mais de 600 trabalhadores assassinados nos últimos 30 anos a mando de latifundiários, e no ano de 2010 foram 18, na região de Carajás.

Eu – Esse bravo defensor das elites belenenses resolveu apelar. Em sete linhas acusa a região que mais cresce no Pará (apesar dos freios impostos por Belém) de antro de marginais e imputa ao empresariado local nada menos que NOVE crimes. Alô, Alô, membros da ACIM não façam mais reuniões, ou nosso escriba denuncia vocês por “formação de bando ou quadrilha”!

Em muitos dos municípios desta região que pretendem criar o Estado de Carajás, principalmente do sul, que vai de Xinguara a Conceição do Araguaia, o chamado grupo dirigente define a lista de quem deve ser assassinado, com isto inibe qualquer manifestação contrária a seus interesses. É a violência sob o comando dos donos do poder, ou o grupo dominante. Quem quiser tirar dúvidas visite um destes municípios.

Eu – A “planta” foi realmente consumida sem moderação. Lá vem a famigerada “lista dos marcados para morrer”. Nosso autor deveria saber que o tráfico de drogas mata infinitamente mais em nossa região que o “latifúndio”. O esforço sobre-humano que nossos bons policiais fazem é insuficiente para conter a mortandade. Considerando as condições disponíveis para o trabalho, são heróis que arriscam a vida todo santo dia. Esta situação não é fruto da “maldade” do Estado, mas da imensidão do Pará que gera demandas ainda maiores.

Os argumentos levantados pelos oportunistas de plantão, de que o problema é que tudo vai para Belém, que o centro do governo está distante da região, de que a região está abandonada, e que com a riqueza que tem no sul e sudeste do Pará o povo vai melhorar de vida, não se sustentam. Só serve para iludir as pessoas desinformadas e sem capacidade de reflexão, porque o seu reflexo tornou-se condicionado.

Eu – Bom, tudo vai para Belém (às vezes também volta sob a forma de argumentos furados e autores destrambelhados), o centro do governo está distante, a região está abandonada e a riqueza da região realmente pode melhorar a vida de todos. Quanto a ausência de reflexão e reflexo condicionado “num intindi”. Espero que não seja nosso autor o escolhido para nos informar e ensinar-nos a refletir...

A verdade é que muito pouco ou quase nada vai mudar para a melhoria de vida do povo, porque vivemos num país federalizado onde as políticas são definidas no planalto central, pelos blocos, como no carnaval: o bloco dos evangélicos, o bloco dos latifundiários, o bloco dos industriais, o bloco dos banqueiros, o bloco da mineração, e o bloco que unifica a todos, o do fisiologismo e da corrupção.

Eu – Temos o bloco dos malucos “do outro mundo possível” que vivem à soldo da Fundação Ford; temos o bloco das “ONGs” que drenam dinheiro público para defender “a floresta” sem sair dos gabinetes refrigerados. Blocos não faltam. Nosso herói começa a perder a linha do “raçoçinho”. Ele não sabe que a “federalização” que ele aponta tem suas raízes na ausência de representação política da região Norte. Com Carajás e Tapajós passaremos a ter o mesmo peso do Nordeste que, graças aos esforços de todos os seus deputados, vem sendo contemplado com políticas públicas indutoras do desenvolvimento.

Se o centro do governo está distante da região e a mesma está abandonada, então o que fazem os deputados e deputadas, além de aumentar seus patrimônios e suas orgias? Como que o povo vai melhorar de vida se a renda continuará concentrada na mão de poucos? Como vai melhorar a saúde e a educação se a situação é nacional e não apenas paraense, o governo federal está mais preocupado com a geração de divisas do que com o bem-estar da população?

Eu – Ele encontrou a “solucionática” para a “problemática”: a culpa é do Governo e ele resolveu derrubar a presidente Dilma! Dia desses um doido resolveu invadir o Planalto com um carro. Talvez nosso autor estivesse a empurrar o veículo rampa acima. A acreditar-se neste portento do pensar, somente com a revolução proletária-operária-lúdica-mundial-interplanetária-de luta-classista seremos felizes. Quando isso vai acontecer? Quando nevar no inferno!

Se dividir fosse tão bom muitos municípios não seriam tão pobres, como o caso de Eldorado dos Carajás, bem próximo de Parauapebas(em 2010 arrecadou só em royalties R$ 140 milhões), ambos foram desmembrados do município de Marabá. E o município de Pau D’árco, desmembrado de conceição do Araguaia, possui o menor IDH do Estado, mas o prefeito tem um patrimônio que em valor deve superar em muitas vezes o orçamento anual do município. Então dividir serve para quem?
Eu – Este método de discussão atende pelo nome de “vagabundagem intelectual”. Trata-se de isolar um exemplo e torturar os fatos de forma que possam caber na caixa de fósforos mental que o alucinado estabeleceu como “seu mundo”. Não é a divisão ou a unidade político-administrativa que determina a riqueza de uma região, mas as escolhas que cada comunidade faz sobre seu futuro e as condições objetivas existentes para que o desenvolvimento se dê. Aparentemente, o autor conhece o prefeito de Pau D’Arco e seu patrimônio. Eu não o conheço pessoalmente. Mas, acredito que para Pau D’Arco ter um prefeito, por pior que seja, é melhor que não ter prefeito algum. Nosso autor parece desconhecer que, na democracia, autoridades são levadas e tiradas de cargos públicos pelo voto popular. Se está ruim, troca-se. A “lógica” capenga do autor nos deixaria até hoje submissos a Portugal e os EUA ainda colônia da Inglaterra!

Fala-se muito nas riquezas da região, principalmente na província mineral de Carajás, no ferro, ouro, cobre, níquel e manganês, só que esquecem de dizer que o subsolo é de jurisdição federal e todas as concessões já foram distribuídas às empresas de transnacionais, tendo no comando a Vale, que hoje envia para o exterior 70% de seu lucro líquido. Até o solo é de jurisdição federal, a partir do Decreto-Lei de 1970 que transferiu para jurisdição federal todas as terras da Amazônia até 100 Km de cada lado das rodovias federais. Este estado de Carajás vai gerir o que?

Eu – Vale dizer, ao nosso defensor das elites belenenses, que Carajás tem na cadeia produtiva do minério suas maiores oportunidades de crescimento; além disso, temos para desenvolver toda a cadeia produtiva da carne bovina; e a produção de energia. O desenvolvimento anda a passos de cágado em função das políticas públicas do Pará terem direcionamento voltado a implantação de indústrias nacionais e estrangeiras no entorno de Belém e na região de Paragominas. Ao longo dos próximos anos, caso o Estado de Carajás não seja criado, essa atrofia apenas aumentará e perderemos a maior oportunidade de desenvolver a região e, por tabela, o novo Pará.

Hoje quem se beneficia com a exploração mineral feita pela Vale são seus executivos, os acionistas proprietários das ações preferenciais, aquelas que dão direito a participação no lucro da empresa, e pequenos grupos locais diretamente envolvidos em atividades econômicas necessárias para os projetos da empresa, a maioria leva é tombo e prejuízo.

Eu – Hoje, Carajás rediscute sua relação com a Vale e outras grandes empresas, mineradoras ou não. Infelizmente, por não termos autonomia político-administrativa, a capacidade de impor condicionantes e oferecer vantagens infraestruturais ou tributárias é reduzida. Mas, que não se preocupe nosso escriba, com o Estado do Carajás haveremos de consertar o estrago causado pelas elites belenenses que ele defende.

Para se chegar ao estágio de criação do Estado de Carajás, com menos desigualdades, com autonomia sobre seu território e suas riquezas, os trabalhadores precisam desenvolver muitas lutas, para destruir os latifúndios e democratizar o acesso à terra, precisam tirar da Vale o poder que ela tem sobre a região,e imprimir uma outra lógica para a exploração mineral, que seja para fins de geração de bem-estar à população e não apenas de interesse comercial e geração de divisas.

Eu – Nosso escriba quer mudar o mundo! Que meigo! Talvez ele se disponha a vir, picareta em punho, para quebrar pedras e extrair minério assim que ele “tirar da Vale” o poder que ele outorga à empresa. Ou invadir terras produtivas e ainda não tituladas por conta da lerdeza do Governo do Pará que dorme sobre os processos de regularização fundiária espalhando a insegurança jurídica em toda a região. Sinta-se à vontade.

Precisamos lutar por uma tomada de consciência, pela sociedade, da realidade que vivemos, por condições que garanta aos trabalhadores e trabalhadoras instrumentos capazes de evitar que os recursos públicos sejam apropriados indevidamente pelos gestores e seus auxiliares, sem que a sociedade participe dos benefícios, como vem ocorrendo atualmente.

Eu – A verborragia na base do “ctrl+c”, “ctrl+v” denuncia as estreitas bitolas por sobre as quais correm as idéias de nosso escriba.

Portanto, temos que entrar na discussão entendendo que o interesse pela criação do Estado de Carajás se trata de interesse de classe, e que a classe trabalhadora não pode aceitar criar o Estado na atual conjuntura, porque será um Estado novo dirigido pelas velhas raposas, onde proliferará a violência e a opressão.

Eu – Ele é incorrigível! Novamente nosso herói prefere o velho estado, conduzido pelas velhas raposas onde continuará proliferando a “violência e a opressão” e claro, os pensadores obtusos.

Por fim não podemos nos iludir com o Estado, em meados do século XIX,nos afirmou Marx: “o Estado é um órgão de dominação de classe, um órgão de submissão de uma classe por outra; é a criação de uma “ordem” que legalize e consolide essa submissão, amortecendo a colisão das classes”. E mais: todo Estado é uma “força especial de repressão” da classe oprimida. Portanto, a transformação não passa pela criação de mais um Estado, mas pela destruição dos que já existem, com a derrubada da classe dominante por um processo revolucionário, tendo como sujeitos os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

Eu – Quá, quá,quá, quá! Eu não disse? Está em curso a mega-hiper-super-melhor-do-mundo revolução e nosso autor está à frente! Já me sinto mais seguro! Agora, vai!

Por tudo isto, e não por saudosismo, nós dizemos NÃO à criação do Estado de Carajás, e convidamos a todos(as) aqueles e aquelas que acreditam que a construção de um novo mundo seja possível, a também dizer NÃO.
Marabá, 11 de setembro de 2011.
Coletivo Amazônida de Formação e Ação Revolucionária
Movimento Debate e Ação


Colaboração do jornalista Rogério Almeida, do Blog FURO, para oEcoDebate, 16/09/2011

Eu – É por tudo isso e por ser obtuso, reacionário, retrógrado, andar de antolhos e desinformado que ele (percebam que agora aparece o “nós”; ele é “legião”), defende, mesmo estando em Marabá, a perpetuação de uma relação que décadas de descaso e abandono deteriorou.
É obtuso por não entender que bons debates são feitos com argumentos válidos, aferíveis e mensuráveis; as ilações sem bases fáticas servem ao proselitismo e à doutrinação. Dispensamos ambos neste debate.
É reacionário por temer o novo; por não compreender que a construção do novo Estado do Carajás nos oferece a melhor chance de desenvolver nossas potencialidades, ele (e os seus conluiados) preferem combater a ideia a fazer qualquer esforço para compreendê-la. 
É retrógrado porque, ao defender essa patacoada mal-ajambrada, transforma-se em aliado objetivo (supondo que não seja intencional) das elites que por séculos fizeram de Belém sua casa e do “interior” do Pará, seu quintal.
Anda de antolhos porque assume para si a condição de prisioneiro mental da ideologia barata facilmente encontrada nos manuais do carcomido “marxismo-leninismo” ou qualquer de suas variantes (todas autoritárias, demagógicas e, no limite, criminosas).
É desinformado porque não se dá ao trabalho de basear suas “idéias” em um miserável estudo de viabilidade econômica, não busca na sociologia as explicações para a brutal desigualdade entre as regiões, não tem a curiosidade intelectual de questionar os primados de sua, por assim dizer, “tese”. Para nosso escriba, basta a 11ª tese de Marx contra Feuerbach. Seguindo a tese do barbudo facinoroso nosso “pensador” se recusa a pensar o mundo, quer apenas destruí-lo.
Nosso escriba é apenas uma das faces ásperas do discurso preconceituoso e destituído de lógica que campeia entre as elites belenenses. Suas formulações, algo melhoradas, impregnam os discursos e debates das elites belenenses e estarão, travestidos e camuflados, dentro de alguns dias no rádio e na televisão.
Por conta disso, é fundamental que quem quer realmente construir este novo Estado prepare-se para discutir e convencer a todos sobre a justeza deste anseio por autonomia político-administrativa, que deve contagiar toda a região. Reitero aqui a formulação de Parsifal Pontes quando diz que “sempre que disserem que o Estado do Carajás é inviável, não acredite. Lembre-se: você faz parte deste Estado e prova todo dia, com o seu trabalho, que você é muito viável. E se você é viável, como Carajás poderia deixar de ser? ”

2 comentários:

  1. Extrema esquerda?
    Em Belém?
    Aliada dos sucessivos governos estaduais?
    Você está brincando, Wilson... Fala sério!

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  2. Caro Ademir, atirei no que vi e acertei em uma espécie nada rara por essas plagas. O tal Coletivo Amazônida de Formação e Ação Revolucionária é ligado à Comissão Pastoral da Terra (CPT)! Textos tão instrutivos quanto o reproduzido pelo Wanter podem ser encontrados no endereço http://mineracaosudesteparaense.wordpress.com/2010/11/
    Deus nos livre dos "padres de passeata"!

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