19 de fevereiro de 2015

Justiça para quem? Tribunal do Rio reforma decisão e absolve filho de Eike Batista por ter matado ciclista

Os Batista - Eles podem rir à toa
"Como disse em seu interrogatório, as multas de trânsito não eram problema dele [Thor], mas, sim, de alguma secretária. Bastava pagar, e pronto. E, também, [ele] somente soube pela mídia sobre a quantidade de pontos acumulados em sua carteira de habilitação. Com tamanha blindagem, restou ao Acusado [Thor] a melhor parte: dirigir seus carros fora-de-série, aproveitando ao máximo aquilo que parece ser um dos seus maiores prazeres, a velocidade. E foi assim, livre para dirigir da forma que desejasse, desrespeitando as normas administrativas e legais, que o Réu [Thor] atropelou e matou Wanderson Pereira dos Santos no começo da noite do dia 17 de março de 2012", escreveu Daniela Barbosa. Foi ela a magistrada que condenou o filho do ex-rico Eike Batista, Thor Batista por ter causado o atropelamento e a morte de Wanderson Pereira dos Santos na Rio-Petrópolis, em 2012, em um caso que envolve laudos contraditórios e suspeitas de suborno às testemunhas e à família da vítima.
Mas, Wanderson dos Santos, negro, pobre e morto não teve nenhuma chance contra Thor Batista, o muito vivo, muito loiro e inda semi-rico (pelo menos até que a Polícia Federal coloque as mãos sobre o que restou da fortuna estranhamente construída pelo papai do pimpolho) filho de Eike. 
Desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) absolveram, nesta quinta-feira (19), Thor Batista. Um ano depois da batida, Thor foi condenado pela juíza Daniela Barbosa, da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, a pagar R$ 1 milhão e a prestar durante dois anos de serviço comunitário.
O carrão - Velocidade de 135 km/h e morte na rodovia
Ele também teve o direito de dirigir suspenso por dois anos. A juíza pediu ainda a investigação do perito que apontou a velocidade do carro na hora da batida de 110km/h. No laudo seguinte, feito por outro profissional, a velocidade registrada era de 135km/h.
Wanderson - Sem justiça para a vítima  
Mas os advogados recorreram e agora reverteram a situação. Desta última decisão também cabe recurso. Mas os Batista, que recentemente deixaram de ser ricos, podem rir mais uma vez. Eles sabem que a Justiça brasileira é, como dizia o General Barata, "uma potoca".
Dois dos três magistrados votaram a favor da absolvição: Luiz Felipe da Silva Haddad e Paulo de Oliveira Baldez. Cairo Ítalo Franca David foi o único que votou pela condenação. Na sentença condenatória de primeira instância, a magistrada pede a apuração de “supostas evidências de crimes” praticados no processo, inclusive por Eike e Thor, citados em pedido de investigação ao Ministério Público sobre um acordo com o bombeiro militar Márcio Tadeu Rosa da Silva, que teria recebido R$ 100 mil como “compensação” pelo “auxílio e consolo à família da vítima”.
O acidente
Na noite de 17 de março de 2012, Thor Batista atropelou e matou um ciclista que cruzava a Rodovia Washington Luís (BR-040), na altura de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos passava de bicicleta pela pista sentido Rio, na descida da serra, e foi atingido pelo carro do filho do bilionário, uma Mercedes-Benz SLR McLaren prata, placa EIK-0063, ano 2006.
Ao final, caso essa decisão não seja revista nos tribunais superiores, o único condenado será Wanderson dos Santos. A vítima já está condenada à morte e, salvo na memória da família, ao esquecimento. Enquanto isso, Thor pode continuar sua "brilhante" trajetória como "empresário", forma como é tratado por grande parte da imprensa. Há momentos em que bate um orgulho danado de ser brasileiro. Só que não.

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