17 de outubro de 2014

"Eu erro. Todo mundo erra", diz Aécio sobre embriaguez ao volante após debate no SBT

A Folha de S.Paulo noticiou que Aécio Neves candidato do PSDB à presidência da República confirmou ter sido flagrado dirigindo embriagado por uma blitz da "Lei SEca". Segundo o jornal a candidata derrotada Marina Silva (PSB) telefonou para o tucano logo depois do debate realizado nesta quinta-feira (16) pelo SBT. Na conversa, Marina questionou o grau de truculência da disputa.
"Ela [Dilma] optou por esse caminho", justificou Aécio, acrescentando: "Deu o desespero. Viu que ela passou mal no final?", perguntou Aécio.
Marina citou o fato de Dilma ter explorado no debate o caso do bafômetro: o tucano admitiu ter se recusado a fazer o teste durante uma blitz no Rio de Janeiro.
"Eu erro. Todo mundo erra", alegou Aécio. "Vou defender minha honra até o final", completou ele.
No post anterior, o blog havia citado os recorrentes problemas pessoais de Aécio, entre eles misturar álcool e direção. Em Minas, a oposição chegou a instituir o dia 17 de abril como o "Bafômetro Day". Foi nesta data, em 2011, que Aécio foi parado numa blitz da lei seca no bairro do Leblon, no Rio. O candidato do PSDB tinha uma carteira de habilitação suspensa e recusou-se a fazer o teste do bafômetro.
Na prática, Dilma chamou Aécio de criminoso, incurso no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Veja o teor do artigo:
Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:
Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
§ 1o As condutas previstas no caput serão constatadas por:
I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou;
II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora.
§ 2o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste de alcoolemia, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o direito à contraprova.
§ 3o O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.
O crime não exige dano e não é preciso que o motorista cause um acidente. Basta que ele coloque em perigo concreto a segurança viária. Não é preciso uma vítima concreta. Isso em juridiquês chama-se perigo concreto indeterminado.
Esta redação do artigo foi estabelecida pela Lei 12.760/2012, sancionada pela presidente Dilma, meses depois da confusão em que se meteu Aécio. Na época, a prova da embriaguez era feita de mediante o teste de bafômetro ou exame de sangue. O infrator tinha o direito de fazer ou não o teste e em ceder ou não sangue para análise. A nova redação manteve a quantidade máxima permitida de álcool como previsto no inciso I, do § 1.º, porém passou a admitir outras provas de embriaguez ou alteração da capacidade psicomotora causada por outras drogas.
As penas da lei são igualmente duras.
A autoridade policial, mesmo antes da alteração, poderia prender em flagrante quem dirigia alcoolizado. A lei não foi aplicada no caso de Aécio.
Aécio, por seu turno, chamou a presidente de mentirosa e revelou que Igor Rousseff, irmão da presidente, foi contratado pela prefeitura de Belo Horizonte quando o petista e atual governador eleito de Minas, Fernando Pimentel era prefeito. Foi a resposta tucana aos diversos casos de nepotismo envolvendo Aécio e seus parentes.
Dilma usou notícia da Folha de São Paulo que cita o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, já falecido, como beneficiário de propina milionária paga pelo esquema ilícito que funcionaria na Petrobras.
O nível baixíssimo do debate imprimido pelos dois candidatos pegou de surpresa tucanos e petistas. Geraldo Alckmin e Aloísio Mercadante consideraram que Aécio e Dilma foram além do limite prudencial. Geraldo chegou a falar em "excesso de caneladas" e Mercadante recomendou cuidado ao citar pessoas acusadas por um delator, sem que tenham tido condições de apresentar defesa.
Os institutos de pesquisa estão medindo hoje a percepção do eleitor e devem divulgar novos números neste fim de semana. 
O PT deixou vazar seus trackings feitos para consumo interno. Segundo eles, Dilma já ultrapassou Aécio e estaria 4 pontos à frente.
Tucanos, por sua vez, também estão fazendo aferições diárias e afirmam que a diferença a favor de Aécio se aproxima de 11 pontos percentuais.
Faltando uma semana para o segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas estão usando essas pesquisas para balizar seus programas de rádio e TV, além da participação dos candidatos em eventos públicos.
Dilma, por exemplo, deverá reduzir as críticas à gestão de Aécio no governo de Minas. Petistas avaliam que 95% do eleitorado já foi devidamente informada e insistir nisso poderia vitimizar o tucano.
Aécio, ao contrário, decidiu procurar de forma mais acentuada o confronto com Dilma e se tornar uma espécie de porta-voz da "indignação" da sociedade com o governo da petista. Vai tentar ligar de vez a petista ao esquema de propinas na Petrobras.
Ao fim, o debate de ontem - muito em função do horário em que foi exibido e do comportamento dos candidatos - não conseguiu atingir a massa de 13% de eleitores indecisos, público-alvo preferencial nesta reta final da corrida presidencial. 
Os candidatos acabaram falando para um público que, por opção ou obrigação, acompanha mais de perto a disputa. Entre essa audiência poucos ainda estão em dúvida. Considerando o nível do debate e o desempenho dos candidatos, talvez tenha sido melhor assim. Fosse decidir o voto apenas pela performance no SBT, o eleitor teria que cogitar seriamente em anular o voto. Ambos são fraquíssimos e faltando ainda apenas um debate - será na Globo, previsto para quinta-feira (23) - o eleitor continua sem ter a menor ideia de quais as principais propostas dos candidatos e de onde vão tirar os recursos para cumpri-las. Esta é, sem dúvida, a mais despolitizada disputa desde que, em 1989, Collor usou Lurian contra Lula na TV. O horror, o horror, o horror.

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