Ao que parece um balcão de negócios funciona, sem peias, no Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Uma "fábrica de sentenças", no melhor estilou "pagou, levou". Sendo verdadeiras as afirmações do ex-deputado Antônio Armando, estamos diante de um vendaval que vai macular a reputação de muita gente e que coloca em dúvida a lisura das eleições, dos agentes públicos e, principalmente, dos magistrados que formam a Corte.
O que acontece agora?
A Advocacia-Geral da União (AGU), vai interpelar Armando. Caso ele negue? Vai ficar o dito pelo não-dito?
Ora, é imprescindível que a investigação aconteça, com a negativa ou confirmação de Armando, e que o MPF e a PF apurem com rigor se realmente dinheiro mudou de mãos por baixo da toga, desde quando isso vem acontecendo e quem são os corruptos e os corruptores.
Compreendo, pela leitura da notícia, que foi oferecido ao prefeito de Marabá os serviços da tal "fábrica de sentenças". Armando seria capaz de, mediante paga, manipular os votos do eminentes magistrados paraenses. Parece ter larga experiência neste metiê.
Vamos considerar, por um instante, verdadeiras as afirmações de Armando (meu Deus, que nome!)
Posso depreender, vendo o resultado do esdrúxulo julgamento de Salame, que o prefeito de Marabá resolveu que não valia a pena pagar para obter um veredito favorável. Não pagou, logo perdeu! É isso mesmo? Insisto: sendo verdade o que diz Armando, foi isso que aconteceu.
Olhem bem.
De todos os poderes o Judiciário é menos suscetível ao controle da sociedade.
Executivo e Legislativo são avaliados de quatro em quatro anos. Juízes são vitalícios. Executivo e Legislativo precisam dos votos para eleger-se. Aos juízes basta o concurso público. Está passando da hora de abrir esse baú e expor os ossos que porventura estejam ali.
Que a derrota de João Salame no TRE do Pará torne possível esclarecer a sociedade sobre esses rumores e sanear a Corte Eleitoral. Neste caso, Salame teria perdido para que a Cidadania pudesse vencer a corrupção. Não seria nada ruim.
Vejam lá o que consta no site do Ministério Público Federal, do Pará:o link está aqui: http://www.prpa.mpf.mp.br/news/2013/membros-do-tre-pedem-investigacao-sobre-gravacao-em-que-politicos-falam-em-corromper-juizes
Membros do TRE pedem investigação sobre gravação em que políticos falam em corromper juízes
O pedido foi feito na semana passada ao Ministério Público Federal e à Advocacia-Geral da União. Todos os envolvidos já estão sendo investigados
06/11/2013 às 09h41
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE) enviou, no último dia 31 de outubro, informações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Advocacia-Geral da União (AGU) sobre uma gravação em que o ex-prefeito de Marituba, Antônio Armando Castro, e o prefeito de Marabá, João Salame Neto, conversam sobre a possibilidade de pagar membros do Tribunal para obter resultados favoráveis em processos de cassação. Salame foi julgado nesta terça-feira, 5 de novembro, pelo TRE acusado de compra de votos na eleição de 2010. Ele teve o mandato cassado por três votos a dois.
A gravação da conversa entre Antonio Armando e João Salame foi enviada ao presidente do TRE, desembargador Leonardo de Noronha Tavares, pelo advogado Inocêncio Coelho. Inocêncio é advogado de João Salame no processo que tratava de sua cassação. Durante a conversa, Antônio Armando afirma diversas vezes ter intermediado o pagamento de propinas a membros do Tribunal, conseguindo, segundo ele, evitar cassações de outros políticos.
Atendendo ao pedido do TRE, o MPF requisitou à Polícia Federal que investigasse os fatos, em inquérito policial que, neste momento, corre em segredo de justiça. A Advocacia-Geral da União, que tem a função de defender a corte eleitoral, irá, ainda nesta semana, interpelar judicialmente o ex-prefeito Antônio Armando para que confirme as afirmações que faz na gravação.
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