13 de dezembro de 2011
Jatene, o Onipresente na mídia, e a arte de fazer malabarismo com palavras para nada dizer
Ontem, Jatene, O Onipotente tornou-se também O Onipresente. Era quase impossível escapar de apreciar
sua inefável calva. O Califa esteve na TV Liberal dos amigões Rominho e Ronaldo Maiorana (gente muito boa, não é Lúcio Flávio Pinto?); passou pela Record; foi mostrado no SBT; ocupou cadeia estadual de TV e encerrou a noite no programa Argumento da RBA TV, apresentado por Mauro Bonna.
Mas, afinal o que disse tanto este nosso Califa?
Antes de responder à pergunta, é importante que "se diga claramente"* que Jatene desde ontem tenta manter-se pelo menos duas oitavas abaixo do tom agressivo que o caracterizou durante a campanha. Jatene, o Polemista, tentou durante todo o dia dar lugar a Jatene, o Conciliador.
A razão para tanto esforço pode ser encontrada nos mapas de apuração do plebiscito.
Vejam bem. As pesquisas mostravam um placar de 66% a 33% contra Carajás e Tapajós.
Jatene e corriola esperavam que ESTE PLACAR FOSSE UNIFORME EM TODO O ESTADO!
Estava claro que Carajás e Tapajós romperiam a barreira do milhão de votos, mas Jatene e o PSDB torciam para que o placar, nas cidades dos dois novos estados, refletisse a média aferida na pesquisa.
Imaginem se Carajás e Tapajós tivessem obtido o mesmo número absoluto de votos, mas que Marabá e Santarém, por exemplo, tivessem apresentado votações equilibradas entre o SIM e o NÃO!
Estaria configurado como "verdadeiro" o discurso de Jatene segundo o qual a criação dos novos estados "era coisa de meia dúzia de políticos fracassados e de empresários ganaciosos"!
Mas, a verdade é que MARABÁ DEU MAIS DE 96% DE SEUS VOTOS AO SIM! SANTARÉM DEU MAIS DE 98% DE SEUS VOTOS AO SIM! E ESTE CENÁRIO SE REPRODUZIU EM 99% DOS MUNICÍPIOS DE CARAJÁS E TAPAJÓS!
Na prática, os eleitores de Carajás e Tapajós disseram "não" a Jatene e ao Pará paquidérmico! Mostraram que anseiam por mudanças e não fossem os votos do Marajó e da periferia de Belém (explicados por uma espécie de "Síndrome de Estocolmo"), Jatene e o PSDB sairiam ainda mais debilitados desta eleição.
Rejeitado por Carajás e Tapajós, restou a Jatene, em público, baixar o tom das suas palavras. Ele, que estava pronto para tripudiar sobre os vencidos, teve que se controlar. Pelo menos em público!
A realidade de um estado já "claramente" dividido se impôs ao discurso ufanista.
Jatene tentou passar a ideia que pode "unir todos" pelo Pará. Em todas as intervenções do Califa de Belém, ontem, esta foi a afirmação única razoavelmente compreensível. E não posso dizer que admiro esta ideia.
Em um texto anterior apontei um viés que considero profundamente antidemocrático nesta formulação em torno da "união de todos". Em primeiro lugar, união decente deve ser feita em torno de projetos de governo, coisa que "claramente" Jatene, tucanos e aliados não têm; em segundo lugar, ano passado o eleitorado foi chamado a opinar sobre quem deveria conduzir o governo do Pará. Deu ao PSDB de Jatene a obrigação de ser "situação" e ao PT de Ana Júlia o dever de ser oposição. A situação propõe e governa. A oposição critica e fiscaliza. Simples assim. Qualquer coisa muito fora disso exala odor autoritário.
No mais e em especial no programa do Mauro Bonna, Jatene fez o que já defini como "exercitar a arte de fazer malabarismo com as palavras para nada dizer".
A respeito do imposto travesti sobre a mineração que hoje (13) deve ser aprovado na Assembleia Legislativa, Jatene disse que houve combinação prévia com Minas Gerais, para que os mineiros servissem de "cobaia". Realmente, por ser época natalina, devemos acreditar no Papai Noel? "Falando claramente", Claudio Puty já demonstrou que a tal TFRM paraense é uma cópia mal feita da ideia dos mineiros. Ou seja, além de não sermos originais, ainda copiamos mal a ideia dos outros! Além disso, Jatene afirma ter consultado "especialistas" e que estes lhe teriam dito que a "taxa" não é "imposto" porque este último incidiria sobre a "exportação". Lamento, mas não é verdade. Imposto é tributo sobre a atividade econômica praticada de forma continuada; taxa é contraprestação devida em função de um serviço prestado pelo Estado ao particular. Fico apenas neste aspecto porque, enfim, são tantos os furos nesta "taxa" de Jatene que a coisa irá bater às portas do Supremo antes que os recursos financeiros batam à porta do cofre do Pará.
Agora, ruim mesmo foi a resposta de Jatene a uma das raras perguntas relevantes feitas por Bonna. Lá pelas tantas, o entrevistador arriscou-se a questionar se a partição dos alegados 800 milhões que seriam arrecadados com a nova taxa não deveria beneficiar mais as regiões mineradoras. Jatene pulou de banda e não respondeu a pergunta. Falou algo sobre "critérios de arrecadação per capita"!
Está claro o que Jatene pretende fazer com esses sonhados milhões. Metendo a mão na dinheirama a dividiria do mesmo modo que hoje é dividido os parcos recursos do Pará. CASO A TAXA SEJA RECOLHIDA MAIS DE 75% DOS RECURSOS SERÃO DESTINADOS À REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM!
Assuntos como a mudança da capital do Estado para o interior ou métodos de governança que integrem as diversas regiões do Estado foram respondidas com um misto de sarcasmo e desdém. Jatene SUGERIU QUE É POSSÍVEL GOVERNAR O PARÁ ATRAVÉS DE TELECONFERÊNCIA!
É ISSO MESMO QUE VOCÊS LERAM!
Estamos diante de Jatene, o Califa Cibernático!
Claro, o "Navega Pará", programa de difusão de internet banda larga do Governo do Estado, implantado na gestão de Ana Júlia, está "naufragado" hoje por culpa do GOVERNO ANTERIOR.
Alíás, as soluções para os problemas do Pará, sob a ótica de Jatene, estão SEMPRE nas mãos dos "outros".
Para Jatene, temos que "mudar a Lei Kandir", mas isso "depende do Congresso Nacional"!
Temos que "mudar a Lei dos Royalties" mas isso "depende da mobilização da bancada!!
Temos que construir a Hidrovia Araguaia-Tocantins e o Porto Público de Marabá, mas isso "depende de recursos de emendas no Orçamento Geral da União"!
Ou seja, a depender de Jatene não mudaremos a Lei Kandir, nem a Lei da Cfem, não teremos a Hidrovia, tampouco o Porto de Marabá!
Para Jatene, o "inferno são os outros"!
Estamos diante de Jatene, O Inimputável!
O que é bom foi ele que criou. O que está ruim foram os "outros" que estragaram!
No mais, o que se viu foi uma coleção interminável de frases feitas (coisas como "não tenho idade para ser isso; não tenho caráter para ser aquilo"), que nada dizem.
Está claro que o tucano não tem qualquer projeto para desenvolver as duas regiões. Ainda que tivesse o projeto, não teria o recurso. Ainda que tivesse o projeto e o recurso, não teria o interesse!
Caros e caras, ao contrário de Jatene não acredito que as soluções dos nossos problemas estejam para além de nós. Somos nós que podemos e devemos trabalhar para desenvolver Carajás e Tapajós APESAR da elite política belenense que por tantos anos nos ignorou e que continuará nos ignorando.
Mas, "digo claramente" que, mesmo sabendo do desinteresse "deles" por nós, não podemos dar um minuto de trégua ao Califa de Belém. Devemos cobrar cada promessa feita, cada compromisso assumido. E ai daqueles líderes de Carajás e Tapajós que se omitirem desta luta! Existe um lugar especial no inferno da política para os omissos!
Jatene, com seus clichês mostra "claramente" como são verdadeiros os argumentos que apresentamos a favor de Carajás e Tapajós. Na ausência de projetos, recursos e interesse, restou ao governador lançar ao vento palavras tão vazias quanto as panelas de grande parte dos eleitores paraenses que engoliram a lorota do Pará grandão, ricão e "pujante", mas que vive da caridade de estranhos.
*Quando não sabe o que falar Jatene usa a expressão "digo claramente..." e aí tudo escurece!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário