14 de setembro de 2011

Pará, Carajás e Tapajós - A Saúde Pública agoniza no Pará mas "eles" não querem largar o osso

A notícia abaixo foi publicada n'O Liberal de ontem. Comento a seguir:

Mulher aguarda há quase um mês por tratamento


Sem vaga nos hospitais de referência, doente sofre na UTI do PSM

A aposentada Maria de Souza Martins, 59 anos, está desde 23 de agosto no Pronto Socorro Municipal "Mário Pinotti", no Umarizal, aguardando pela transferência para um hospital especializado em nefrologia. Com um quadro grave de insuficiência renal, a mulher agoniza enquanto não há vagas na Central de Leitos para os hospitais Ofir Loyola, Gaspar Viana, Santa Casa e Dom Luiz, para os quais foi cadastrada desde que chegou no HPSM da 14 de abril.

A filha de Maria, Marinez Martins Brito, 45 anos, sai todos os dias de Ananindeua para visitar a mãe que está na UTI sofrendo com problemas nos rins. Marinez veio de Macapá para acompanhar a paciente e tem poucos recursos para gastar com transporte. "Minha mãe está toda inchada, sem voz. Todo dia eu pergunto se vai ter a transferência e dizem que não", conta. Maria foi internada com uma pneumonia. Mais tarde, o quadro clínico se agravou e ela apresentou problemas renais, sendo encaminhada para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde permanece até o momento. "Minha mãe vai morrer e não vão fazer nada".
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio da assessoria de imprensa, informou que Maria deu entrada no HPSM em crises diabética, hipertensiva e problemas respiratórios. E, segundo ficha médica, ela também tem problemas no coração, além de já ter sofrido mais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ter um histórico de problemas renais. "Já foi solicitado celeridade para tranferência no caso da paciente em questão", menciona a nota.


Comento:
A situação caótica da Saúde não surpreende mais ninguém e apenas reforça a necessidade de criarmos os Estados do Carajás e Tapajós. Mesmo assim, recentemente Jatene veio às regiões do Carajás e Tapajós prometendo não apenas ampliar como implantar novos de seus "hospitais regionais". Jatene também, visitando o "Ophir Loyola", há cerca de seis meses atrás, fixou prazo de 30 dias  para que estivessem funcionando cerca de 40 novos leitos de nefrologia além das 30 máquinas de diálise que estavam desativadas. Até agora, nenhum leito a mais foi ofertado e o local onde serão instaladas as novas máquinas ainda passa por reformas. Ontem mesmo o Hospital de Pronto Socorro, em Belém, construído há menos de um ano, ameaçou desabar causando pânico e correria entre funcionários, pacientes e acompanhantes.
Como acreditar que a saúde pública vai melhorar quando as evidências apontam no sentido oposto?
Gestão em saúde exige acompanhamento cotidiano e celeridade no atendimento das demandas, algo que em um Estado mastodôntico como o Pará é impossível. Neste caso mais especificamente a centralização administrativa é mortal.
As políticas públicas que deveriam preservar a saúde e salvar vidas são incapazes de sequer cuidar da doença e acabam por matar.
Contrariando toda a lógica e por terrível ironia, os mesmos políticos que condenam d. Maria Martins a morrer em lenta agonia por não lhe fornecer um leito decente estão na linha de frente para manter tudo com está, apesar da incompetência em resolver as demandas crescentes.
O Pará vasto e miserável precisa dar lugar a uma região grande e próspera. Um dos primeiros passos é reconhecer a falência do modelo atual de gestão e permitir que os novos Estados do Carajás e Tapajós sejam criados.
  

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