12 de fevereiro de 2015

Yousseff implica Vaccari, Palocci e Dirceu no Petrolão. "Dirceu era 'Bob'", diz delator. Petistas negam envolvimento

Em depoimento à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef disse que PP, PT e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque receberam dinheiro de um dos investigados na Operação Lava Jato.
O doleiro também falou sobre o esquema montado por Julio Camargo operado através de um testa de ferro, chamado Franco. Trata-se de Franco Clemente Pinto, uma espécie de contador do dinheiro roubado da estatal, que utilizava um escritório no sexto andar de um edifício comercial ao lado do Shopping Cidade Jardim, na Zona Sul da capital paulista. Franco detalhava as quantias em planilhas arquivadas em um pen drive protegido por senha. Nessas tabelas, José Dirceu era “Bob” e Youssef era conhecido como “Primo”. Diz ainda que o empresário também distribuía propina da empreiteira Camargo Correa para agentes públicos e bancar caixa dois de partidos.Segundo Youssef, Dirceu e o também ex-ministro Antonio Palocci Filho, este homem forte tanto na gestão Lula quanto no início do primeiro governo Dilma Rousseff, utilizavam um jato Citation Excel, de propriedade de Camargo, que ficava no Angar número 1 da companhia aérea TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
As declarações prestadas em outubro do ano passado foram divulgadas após decisão do juiz federal Sergio Moro de retirar o sigilo dos depoimentos dados em acordo de delação premiada.
Permanecem sob sigilo as partes dos depoimentos que envolvem autoridades protegidas por foro privilegiado.
Youssef disse que entregou dinheiro em dois escritórios do consultor Júlio Camargo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, após trazer para o Brasil valores enviados por Camargo ao exterior.
De acordo com o doleiro, antes de repassar o dinheiro ao consultor, "retinha o percentual devido ao PP", a Paulo Roberto Costa e a João Claudio Genu [ex-assessor do PP]."
Segundo Youssef, o dinheiro entregue no escritório de Camargo em São Paulo "servia para pagamentos da Camargo Corrêa e Mitsui Toyo ao Partido dos Trabalhadores, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os pagamentos à época eram João Vaccari (atual Tesoureiro do PT) e José Dirceu."
Para justificar as acusações, o doleiro disse ter "convicção de que os valores eram destinados ao Partido dos Trabalhadores e à diretoria de Serviços da Petrobras, na pessoa de Renato Duque".
Ele disse que a entrega de dinheiro nos escritórios de Camargo ocorreu entre meados de 2005 a meados de 2012. O valor operado foi R$ 27 milhões.
Sobre as entregas no escritório de Júlio Camargo no Rio, Youssef afirmou que eram "pagamentos devidos ao Renato Duque e, provavelmente, a outros empregados da diretoria de Engenharia e Serviços, referente a comissionamentos das obras feitas pela Camargo Corrêa e a Mitsui Yoyo". Segundo o doleiro, um dos funcionários era Pedro Barusco, que também fez acordo de delação premiada.
Perguntado pelos investigadores sobre as remessas ao exterior, Alberto Youssef explicou que Júlio Camargo não sacava o comissionamento no Brasil, para ludibriar as autoridades públicas sobre a origem do dinheiro, que, posteriormente, "seriam usados para o pagamento de propina e formação de caixa dois dos partidos".
No depoimento, Youssef afirma que Camargo tinha o mesmo papel dele, como operador na diretoria de Serviços da Petrobras, então comandada por Duque. No entanto, Camargo precisava de reais em espécie e procurou o doleiro para que o dinheiro pudesse ser movimentado no Brasil.
Segundo o delator, o esquema de pagamentos de propina aos partidos consistia na assinatura de contratos fraudados de consultoria das empresas de Camargo e as empresas Camargo Corrêa, Mitsui Toyo e Pirelli. Os valores eram enviados para contas no exterior. Depois disso, ficava disponível no Brasil e era repassado aos destinatários.
Falam os acusados
A defesa de Renato Duque nega ele tenha recebido valores indevidos durante o período em que esteve na diretoria de Serviços da Petrobras. 
Citados na delação premiada de Pedro Barusco, João Vaccari e o PT rechaçam a declarações sobre recebimento de valores indevidos.
No entendimento do partido, as declarações sobre irregularidades são para envolver a legenda em acusações sem provas ou indícios, e não merecem crédito.
Em nota divulgada quando foi noticiado que um de suas empresas teve o sigilo fiscal quebrado, José Dirceu disse que não é investigado na Lava Jato e encaminhou ao juiz Sergio Moro contratos e dados financeiros da JD Consultoria.

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