22 de janeiro de 2015

Enquanto Governo vive dias conturbados, Dirceu articula para criar nova tendência interna do PT.

Não tem sido nada fácil este início de mandato para Dilma. Inflação em alta, PIB caindo, expectativa de "crescimento negativo" (o nome que o novo ministro da Fazenda dá para recessão), pessimismo entre banqueiros, industriais e comerciantes, cortes nos investimentos, rebelião na base aliada e agora, até mesmo "dentro de casa".
A edição desta quinta-feira (22) do Estadão conta que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu tem recebido, dois anos depois de ser condenado no processo do mensalão, deputados, senadores e dirigentes do PT insatisfeitos com o governo e os rumos da legenda. Cumprindo prisão domiciliar, Dirceu tenta reagrupar seu grupo e medir forças dentro do partido por meio de críticas à política econômica da gestão Dilma Rousseff. A intenção das reuniões, que têm sido frequentes, seria a articulação de uma nova tendência política no PT, o que poderia levar ao afastamento de Dirceu da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).
Até parlamentares da tendência Mensagem ao Partido e do núcleo mais à esquerda da legenda, já participaram dessas reuniões. O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), um dos mais proeminentes representantes daquela corrente, é desafeto de Dirceu.
Dirceu teria tentado conversar até mesmo com Lula, mas o ex-presidente está preferindo manter-se longe da confusão. Recentemente, outro medalhão do PT, a senadora Marta Suplicy resolveu soltar o verbo e deixou claro sua insatisfação que o re-governo de Dilma vem despertando até mesmo entre petistas.“Embora tenha sido condenado em 2012 a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, Dirceu ainda se considera forte no PT e quer reunir, após o carnaval, militantes de diferentes tendências. Até agora, ele já conversou com cerca de 30 deputados, sete senadores e correligionários de vários estados em sua casa no Lago Sul de Brasília, onde cumpre a prisão domiciliar”, diz trecho da reportagem, assinada por Vera Rosa e Wilson Tosta, que ganhou repercussão no site Congresso em Foco.
O jornal lembra que as “conversas reservadas” ocorrem às vésperas das celebrações pelos 35 anos do PT, em fevereiro, quando será realizado o 5º Congresso da sigla – o ex-ministro teria como intenção discutir o futuro do partido ao promover os encontros. A ser realizado em Salvador, o evento servirá para redefinir as ações do partido e deve promover uma autorreflexão sobre os sucessivos escândalos que o têm envolvido.
“Padrinho de Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás que teve o nome envolvido na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Dirceu tem afirmado aos interlocutores que o PT e o governo Dilma estão na defensiva e não sabem reagir à oposição. Critica abertamente a direção do PT, a presidente Dilma, a equipe econômica e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Secretaria de Relações Institucionais), encarregados da articulação política com o Congresso”, relata a reportagem, acrescentando que Dirceu tem feito críticas ao governo em seu blog e teria se sentido “abandonado” pela cúpula do PT durante o julgamento do mensalão. (Com informações do Estadão e Congresso em Foco)

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