14 de outubro de 2014

Viva Hannah!

Antes que o dia termine não será tarde para homenagear Hannah Arendt.
Quem acessou o Google hoje (14) - e teve curiosidade suficiente - pode ver uma gravura da pensadora teuto-americana para lembrar seu 108º aniversário.
Hannah, judia nascida na Alemanha em 1906, sofreu a perseguição nazista e, talvez por isso - mas, não só por isso - dedicou-se ao estudo das formas que o autoritarismo pode assumir. Estudou, por assim dizer, a anatomia da pior deformação a afetar a democracia representativa.
A crítica às formas autoritárias de exercício do poder e a capacidade de Hannah em demonstrar que apenas o sentido de alteridade e de distinção - aquela compreensão que somos todos interdependentes e devemos assumir, ainda que de forma temporária, a posição ocupada pelo "outro" - é que determina e dá sentido à nossa condição humana, a tornaram leitura imprescindível para aqueles que entendem a democracia enquanto um valor universal e sobre o qual é impossível transigir.
Hannah aponta a manutenção do diálogo e o aprofundamento dos valores democráticos, através da crescente participação popular, como antídotos para o autoritarismo. Nada mais atual, portanto.
Ler Origens do Totalitarismo ou A Condição Humana, duas de suas principais obras, é entrar em um mundo no qual nada parece mais revolucionário que buscar construir no cotidiano um humanismo radical, no qual a prática política seja o exercício da liberdade nos espaços de poder que podem ser partilhados com o "outro". Quem consegue perceber isso aprende ligeiro que na política - e na vida em geral - não existem "inimigos" que mereçam ser exterminados, mas apenas adversários que podem ser vencidos e a melhor arma para isso será sempre o convencimento através de argumentos que apelem à razão e apontem o caminho da tolerância para garantir a convivência de contrários. Assim, não se espera nos regimes democráticos, de forma ingênua, a ausência de conflitos, mas fica estabelecido, como valor inegociável, a crença na capacidade humana para resolvê-los a partir do diálogo permanente capaz de legitimar o exercício do poder pela maioria, sem perder de vista o necessário respeito ao direito da minoria em divergir.
Viva a Democracia! Viva Hannah!

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