Fiel ao seu estilo pendular, Marina Silva desistiu de anunciar nesta quinta-feira (9) seu apoio a Aécio. Ontem (8), conversou com FHC. Recebeu dele os parabéns e a promessa que será a ponte entre a "sonhática" e Aécio. Marina ficou de pensar. Quer certos compromissos do tucano que apontem à esquerda, entre eles apoio ao MST e às comunidades tradicionais (índios e quilombolas), além de outros acertos, especialmente na área ambiental.
Como não tem programa algum - e ainda que tivesse, não o seguiria mesmo - Aécio haverá de dar tudo o que Marina quer para tê-la ao seu lado durante esses 17 dias de campanha. Depois disso, haverá de querer distância da acreana.
Diga-se que o PT faria a mesmíssima coisa.
Mas, enquanto Marina faz suspense, as coisas acontecem.
A Rede, arremedo de partido (ou não-partido), reuniu-se quase que virtualmente para deliberar sobre os rumos do grupo no segundo turno. Reuniãozinha rápida e "muderna". Durou menos de 7 horas e boa parte dos "líderes" participaram por videoconferência. Antes que a conexão caísse decidiram que o eleitor de Marina está liberado para votar em branco, anular o voto ou votar em Aécio. Dilma nem pensar. Duvido que sejam obedecidos. Em primeiro lugar, porque encabestramento de votos é algo raro. Só Brizola transferiu para Lula seus votos, isso ainda no século passado. De lá para cá, "líderes" derrotados dificilmente são seguidos. Por outro lado, a tal Rede não existe mesmo.
O folclórico Pastor Everaldo (PSC) e "maluco beleza" Eduardo Jorge (PV) já aderiram a Aécio. Somados, os dois são menos que meio.
O PSB também aderiu ao tucano, mas como são pragmáticos os nossos socialistas, liberou alianças com o PT e Dilma nos estados. Huuuummm... Dialéticos, esses socialistas.
Ao fim e ao cabo, considerando as insignificâncias de que se viu cercada - coisas como PSL, PRP, PPS e o esquálido PSB - Marina precisa mesmo fazer um acordo pessoal. Esses 20 milhões de votos foram dados a ela, jamais aos partidos que a apoiaram. O problema é que, assim como não soube dar rumo à sua campanha, Marina não consegue conduzir esse caminhão de votos que, pela segunda vez, eleitores brasileiros insistem em lhe dar.

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