30 de outubro de 2012

Ministra Miriam Belchior diz que governo estuda compensação para Estados por desoneração

Em audiência pública nesta terça-feira (30), a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciou que a presidente Dilma Rousseff estuda a possibilidade de adotar medidas de apoio aos municípios, para compensá-los da desoneração fiscal promovida pelo governo em estímulo ao consumo, que inclui a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de outros impostos que compõem o Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Miriam Belchior disse, à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem permitido obras de infraestrutura em muitos municípios, mas reconheceu uma “situação específica” de crise em algumas regiões. Ela explicou que a presidente Dilma Rousseff já determinou a seus assessores uma análise nas demandas encaminhadas ao governo pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
- Talvez não seja possível atender, mas está sendo feita uma análise desse momento delicado – afirmou.Durante a audiência pública na CMO, o senador Benedito de Lira (PP-AL) disse que a desoneração fiscal adotada pelo governo contribui para a manutenção de empregos, mas lembrou as dificuldades por que passam os municípios mais pobres que não têm como fechar as contas no final de ano. Ele cobrou um prazo maior para a renegociação das dívidas com a Previdência Social, “pois a grande maioria dos municípios menores estão todos inadimplentes e não têm recursos para pagar os compromissos fiscais que têm com o governo”.
Em resposta a críticas de alguns deputados, disse que este não é o primeiro ano em que o governo solicita ao Legislativo autorização maior de limite para fazer remanejamento de rubricas do Orçamento. Ela afirmou que não considera exagerado o percentual de remanejamento de 20%, e que a intenção do governo não é a de restringir o papel do Congresso, que não tem aprovado orçamentos com esse percentual de remanejamento.
Miriam Belchior também apontou avanços na regionalização das dotações orçamentárias, citando o caso da manutenção de rodovias, “que era uma só dotação e hoje são 27, uma para cada estado do país”. Em relação a futuros cortes orçamentários pelo governo, considerou o tema “prematuro, pois o Congresso ainda não aprovou a lei orçamentária”, mas observou que “a intenção do governo é minimizar ao máximo qualquer tipo de contingenciamento”.
Em resposta a críticas quanto ao uso da taxa Selic como referência a títulos do governo, Miriam Belchior disse que a participação da divida atrelada à Selic “está caindo muito rapidamente”, e que a própria redução dos juros desestimula a postura de “ganhar sem trabalhar”. Segundo ela, “os nossos fundos de pensão já têm postura muito diferente hoje, de buscar investimentos produtivos, porque já não dá mais para ficar apenas com aplicação financeira para aumentar o patrimônio de seus associados”.
Quanto ao relatório de reestimativa da receita, que prevê um acréscimo de R$ 23,9 bilhões na proposta orçamentária de 2013, Miriam Belchior disse que o aumento "é tradicional”, tendo em vista que o projeto original não contemplou “coisas que ainda não tínhamos feito”, como o programa oficial de concessão de rodovias, ferrovias e aeroportos.
De autoria do deputado Cláudio Puty (PT-PA), o relatório deverá ser votado nesta quarta-feira, na CMO. (Com Ag. Senado)

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