9 de dezembro de 2011

Na quarta (14), Governo Federal recebe bancada paraense no Congresso para discutir hidrovia. Segue o jogo de cena!


Em francês, a expressão seria mise en scène. Em português, é mesmo "para inglês ver". Este será o caráter da reunião agendada para a próxima quarta (14) entre o Governo Federal e senadores e deputados paraenses para debater a retomada das obras da Hidrovia Araguaia-Tocantins.
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior (acima), vai discutir, com a bancada federal do Pará, alternativas para o escoamento da produção da Alpa (Aços Laminados do Pará). O encontro foi marcado durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado, quando a ministra foi questionada pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB) sobre a retirada do projeto de derrocagem do chamado Pedral do Lourenço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que prejudica a navegação pela hidrovia do Tocantins.
Conforme este blog já informou por diversas vezes (ontem mesmo aqui), o governo federal está negociando com a Vale a possibilidade de a empresa bancar os investimentos necessários para melhorar a navegabilidade entre os municípios de Marabá e Tucuruí e isso foi reiterado ontem pela ministra. A obra está orçada em cerca de R$ 500 milhões.
“Fizemos a revisão do PAC e avaliamos uma série de investimentos, inclusive esse do Pedral e da hidrovia. Avaliamos que, com a mudança de direção na Vale, poderíamos ter espaço para essa discussão. Acreditamos que uma obra como esta pode ser feita pela Vale e que agregariam valor à empresa. O que está em discussão agora é se a Vale tem ou não condições de fazer essa obra”, disse a ministra Belchior.Sobre a licitação para as obras, a ministra confirmou a revisão dos valores. “O projeto está sendo revisto, quanto aos custos do derrocamento. Esse estudo deve ser concluído agora em dezembro. E então veremos o que fazer com a licitação, se vai ser reaberta ou não”, disse Belchior.
Flexa lembrou a ministra que, com a construção da hidrovia de Tucuruí e da eclusa, ficou faltando a realização do derrocamento para que o Tocantins passe a ser navegável durante todo o ano. Atualmente, ele é navegável por oito meses.
De acordo com o senador, a decisão do governo de retirar a obra do PAC tem feito com que empresas suspendam os investimentos no Estado. Uma das empresas que se beneficiaria com o derrocamento seria a Vale por meio da implantação da Alpa. A reunião foi marcada para a próxima quarta (14), às 14h30, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
“Vamos convidar todos os deputados e senadores do Pará. Juntamente com o governador do Estado, levaremos este tema até a ministra e a real necessidade de conclusão destas obras. Esta é uma luta acima de partidos políticos”, disse Flexa.
Como se vê, não depende de Jatene "mobilizar" a bancada do Pará "em defesa da hidrovia" para "conscientizar a presidente Dilma" da importância deste investimento (nesta reunião, por exemplo, ele é que foi "mobilizado"!). Trata-se de uma decisão política mais complexa e para influenciá-la depende de algo mais que "pressão" política. É preciso ter recursos para bancar ao menos parte desta obra. E o Parazão, grandão, ricão e "pujante" não tem nem o do cafezinho! Só tem a lábia de Jatene, naquela voz de cantor de churrascaria, a dizer que "precisamos nos unir"; din-din que é bom, nem o cheiro!
Ao final da reunião da próxima quarta, Miriam Belchior dirá ter absoluta consciência da importância da obra e que o Governo estuda como viabilizá-la; Jatene dirá que fez "de tudo" para "conscientizar" a ministra e que devemos todos "nos unir" para "pressionar" o Governo Federal; os parlamentares  dirão que cumpriram o papel de reivindicadores e que agora o busílis está nas mãos do Governo Federal; este por fim passará a responsabilidade para a Vale que, como tem a Estrada de Ferro Carajás já em ampliação, não tem com o que se preocupar! Resumindo a ópera: Hidrovia hoje, só amanhã!

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