8 de dezembro de 2011

Jatene agora posa como "o grande negociador" e quer ir à Brasília "mostrar para Dilma" a importância da Hidrovia Araguaia-Tocantins! Palavras, palavras...

Vejam o que diz a Agência Pará de Notícias, órgão oficial do governo Jatene em matéria publicada ontem (07). Comento logo depois:
O governador Simão Jatene vai mobilizar toda a bancada paraense, em um esforço suprapartidário, para mostrar à presidente da República, Dilma Rousseff, a importância da conclusão das obras de derrocamento do Rio Tocantins, essenciais para viabilizar a Hidrovia Tocantins-Araguaia, e consequentemente a implantação da siderúrgica Alpa (Aços Laminados do Pará), que precisa da hidrovia para escoar a produção.
A decisão do governador foi tomada na tarde desta quarta-feira (7), durante audiência com o presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, para tratar sobre a implantação da Alpa em Marabá, município do sudeste paraense. Apesar de mostrar preocupação com a não conclusão das obras da hidrovia, o que pode retardar a entrada em operação da siderúrgica, Murilo Ferreira foi enfático ao afirmar que “não existe dúvida de que a Vale viabilizará o projeto da Alpa em Marabá”.
Durante a audiência, no Comando Geral da Polícia Militar, Sidney Rosa, secretário Especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, lembrou que as eclusas de Tucuruí demoraram 20 anos para ser concluídas e receberam R$ 2 bilhões em investimento. “Não tem sentido se agora não tivermos a hidrovia operando, por conta de um investimento em torno de R$ 300 a R$ 400 milhões do governo federal”, ressaltou ele.
Para a Vale há outra alternativa caso a obra não seja concluída: o escoamento da produção por ferrovia. Mas o titular da Secretaria Especial de Infraestrutura e Logística para o Desenvolvimento Sustentável, Sérgio Leão, ressaltou que “a não realização do projeto da hidrovia prejudicará o polo mineral e metalúrgico que seria implantado no Distrito Industrial de Marabá”.
Hidrovia - As obras de derrocamento da Pedra do Lourenço, no Rio Tocantins, acima da barragem da Hidrelétrica de Tucuruí, já deveriam ter sido iniciadas, para garantir a navegabilidade de embarcações de grande porte na Hidrovia Tocantins-Araguaia, que terá 2.794 quilômetros de extensão. Quando concluída, a hidrovia será uma das mais importantes vias de escoamento de produtos e insumos, interligando o centro-oeste brasileiro ao sul do Pará. O transporte aquaviário, dentre todos os modais de transporte, é considerado o menos oneroso, o mais eficiente e o de menor impacto ao meio ambiente.
Simão Jatene e Murilo Ferreira também fizeram avaliações sobre o mercado de minérios e siderúrgico, a produção mineral do Pará e a verticalização desse segmento. “Vim fazer uma visita cordial ao governador Simão Jatene, trazer a ele meu respeito e minha admiração. Na ocasião, comentamos a respeito de diversos aspectos da vida nacional e internacional. O encontro foi motivo de muita alegria, porque tenho uma relação de anos e muito respeitosa com o governador, pois o admiro, e esta foi uma oportunidade de revê-lo”, declarou Murilo Ferreira. Segundo ele, como o governador é uma pessoa que conhece muito sobre o Pará e a realidade brasileira, “sempre aprendemos alguma coisa”.Também participaram da audiência o secretário de Estado da Fazenda, José Tostes Neto; José Carlos Gomes Soares, presidente da Alpa; José Fernando Gomes, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral); João Coral Neto, diretor Global de Energia da Vale em Belém, e Paulo Ivan Campos, gerente Geral de Comunidade da Vale.
Eis-me aqui:
Faz-me rir, esse Jatene. Quer dizer que precisamos "conscientizar" Dilma sobre a "importância das obras" da Hidrovia Araguaia-Tocantins? Vai dizer que Dilma, por pura desinformação ou maldade, decidiu não dar uns caraminguás para quebrar umas pedras no meio do rio?
Ora, queridos, o troço é um pouco mais complicado que isso.
Jatene pretende posar de "grande articulador" como se isso bastasse para fazer as barcaças trafegarem por essas barrancas abençoadas.
Peço-lhes que ponderem um pouco sobre dois fatos.
Em primeiro lugar, ano que vem começam as negociações sobre o capital votante da Vale. A depender do andar da carruagem, fundos de pensão de estatais, controlados pelo Governo Federal, poderão comprar uma quantidade de ações com direito a voto que lhes permitiriam controlar de vez a Vale. Na prática, estaria realizado o velho sonho petista de "reestatizar" (ainda que por via indireta) a mineradora.
Por outro lado, a escolha de Murilo Ferreira, com o apoio de Dilma, foi um tentativa de aproximar a mineradora das ações que o Planalto considera estratégicas para o desenvolvimento do País. Dilma gostaria de ver a mineradora comportar-se com o mesmo ânimo da Petrobras, mesmo que isso significasse algum prejuízo para a empresa. Roger Agnelli era claramente refratário a esta ideia. Murilo Ferreira, nem tanto. Mesmo assim, ainda que poderoso Ferreira tem sempre que prestar contas de suas decisões para acionistas ávidos por resultados positivos.
No caso da hidrovia, a Vale tem em vista que sai caro o investimento. Melhor será usar o porto de Itaqui para escoar a produção da Alpa, mesmo que isso prejudique o polo metal mecânico de Marabá. Enquanto isso, o Governo considera que a obra interessa à Vale e espera que a empresa movimente-se e diga quanto pretende investir no empreendimento. Ou seja, está estabelecido o impasse. Ano que vem, caso os fundos de pensão assumam o controle da mineradora, Dilma vai adorar anunciar a hidrovia como grande investimento da "nova" Vale, sob a direção de um petista de alta patente.
Caso fosse legítima a intenção de Jatene em ajudar na construção da hidrovia, bastaria comprometer-se em investir cerca de R$ 200 milhões, pouco menos que um terço do projeto total. Assim, obrigaria Vale e Governo Federal a dividirem entre si os custos restantes. 
É assim que funciona no mundo real. 
Mas, que pena! Agora me ocorre que o Pará grandão, ricão e "pujante" só existe na campanha contra Carajás e Tapajós que Jatene mandou Orly Bezerra fazer para Zenaldo! Na verdade, além de não dar a mínima para Marabá, Jatene não tem dinheiro para investir em coisa alguma!
Com isso, fica essa "promessa" de "reunir a bancada" para "pressionar" Dilma. Como se isso adiantasse!
Mais uma vez, o Califa nos conta histórias para boi dormir!
PS: O imposto travestido de taxa que Jatene pretende aprovar na Assembleia Legislativa do Estado não foi tratado na reunião. A Vale, fui informado, já tem pronta ação na qual vai discutir na Justiça a legalidade da norma. Os tais 800 milhões de Jatene já subiram no telhado.

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