O assassinato de Jakson Silva, advogado paraense e presidente da sub-seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Parauapebas, ocorrido na cidade de Manaus (AM), foi tema central na sessão de abertura do ano jurídico do Conselho Federal da OAB, nesta terça-feira (3), em Brasília. O evento, que aconteceu no auditório da entidade,começou com a apresentação do documentário “Ninguém cala a advocacia”, que mostra a barbárie que reina no Pará nos últimos anos. Nada menos que 11 advogados foram assassinados por pistoleiros durante exercício profissional no Pará, em seis anos. Apenas um dos crimes foi desvendado. A impunidade que reina no Estado foi duramente criticada por juristas de todo o País. "Em Parauapebas, é fácil mandar matar", disse Jarbas Vasconcelos ao reafirmar as suspeitas de envolvimento de "poderosos" no crime.
Segundo o presidente nacional da Ordem, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, o assassinato, em 24 de janeiro, Jakson Silva, “o brutal assassinato do presidente é uma infeliz desventura, mas que fortalecerá nossa luta pela preservação da vida. Estamos todos desejosos por Justiça. Essa é uma situação preocupante e que requer providências urgentes. A luta pelos direitos humanos é essencial, por isso a OAB criou o Prêmio de Direitos Humanos, a ser entregue na Conferência Internacional, em Belém”, anunciou.
Marcus Vinicius, o presidente da OAB Pará, Jarbas Vasconcelos, o procurador nacional de prerrogativas, José Luiz Wagner, o presidente da Comissão Nacional de Prerrogativas, Leonardo Accioly, e o presidente do IAB, Técio Lins e Silva, assinaram o aditamento da denúncia que a Ordem fez à Organização dos Estados Americanos, para reiterar os termos da denúncia inicial contra o Estado brasileiro pela morte dos advogados e dar conhecimento do assassinato mais recente.
A OAB também encaminhará ofício à Organização das Nações Unidas dando ciência da brutal morte ocorrida em janeiro, assim como solicitará ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que transfira a competência da apuração dos assassinatos no Pará à esfera federal, uma vez que o governo do Estado do Pará não consegue dar uma resposta à sociedade sobre a série de assassinatos.
Ameaças
Jarbas Vasconcelos lembrou, durante seu pronunciamento, que Jakson Silva vinha sofrendo ameaças há mais de um ano. De acordo o o presidente da OAB paraense, a entidade, juntamente com o advogado morto, tentou por inúmeras vezes buscar proteção para Jakson, “mas a polícia do Pará não investiga ameaças”, ressaltou.
“O crime contra o presidente da subseção de Parauapebas foi de execução. É possível que a polícia capture os pistoleiros, mas precisa investigar para saber quem são os mandantes, a quem Jakson atingiu com suas denúncias e ações. A polícia tem obrigação de investigar quem Jakson ofendeu e contrariou em seus interesses econômicos. No Pará impera a lei do silêncio: todo mundo sabe onde contratar pistoleiros e quem manda matar aqueles que atravessam seu caminho, mas ninguém fala”, denunciou Vasconcelos, relembrando também outros casos de advogados assassinados.
Para Jarbas, Jakson Silva foi executado por ter denunciado diversas irregularidades na Prefeitura de Parauapebas. Ele ressaltou que há uma lista na cidade com nomes de pessoas marcadas para morrer, que chegou a ser afixada em bares de Parauapebas e também circulou pela internet.
De acordo com Vasconcelos, Silva só se deu conta do perigo quando viu seu nome na lista, ao lado de pessoas que já tinham sido assassinadas. Cinco dias antes de ser morto, ele denunciou as ameaças em Belém e a OAB pediu providências da Secretaria de Segurança Pública do Pará. Não adiantou. Jakson foi morto a tiros de escopeta. Tinha R$ 1.640 no bolso, notebook e celulares. Nada foi levado.
Vasconcelos diz que as mortes são fruto da impunidade. Apenas num dos dez casos os pistoleiros foram julgados e condenados. O mandante do crime, não. Segundo ele, os antigos pistoleiros que agiam no Pará se aliaram a grupos de extermínio de policiais militares, que agora também matam por encomenda para fazendeiros, “poderosos” e para o crime organizado. Em Parauapebas, diz Vasconcelos, “é fácil mandar matar” e ser morto. (Com informações da OAB e DOL)

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