11 de fevereiro de 2015

Cristovam: impeachment de Dilma já está na "boca do povo"

Cristovam - Impeachment de Dilma na "boca do povo"
O ex-ministro da Educação no governo Lula, Cristovam Buarque (PDT), afirmou nesta segunda-feira (9), que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) está “na boca do povo”. "Eu não acho que a palavra impeachment deva causar arrepios. O que causa arrepio é estar na boca do povo, e silenciá-lo é que seria golpismo”, disse.
O senador cujo partido faz parte da base aliada do governo, fez a declaração para reforçar a fala do líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), que defendeu na tribuna da Casa que falar sobre o impeachment da presidente não pode ser considerado “golpismo” nem causar “arrepios” nos petistas. Segundo o senador, apesar de esse não ser esse o caminho que o PSDB quer trilhar, as pessoas têm falado cada vez mais no assunto.“Não se pode falar em golpismo quando se fala em impeachment. A palavra impeachment está escrita Constituição. Portanto, ao pronunciar a palavra impeachment, não se pode produzir arrepios. Não é esse o caminho que queremos trilhar. Mas quem fala isso e fala cada vez mais alto é o povo brasileiro”, afirmou.
Coube ao senador petista Lindbergh Farias (RJ) rebater as manifestações. Ele afirmou ser “precipitado” falar sobre o assunto e disse que o PSDB deveria aceitar a derrota sofrida nas urnas no ano passado. “Eu defendi o impeachment de (Fernando) Collor porque havia fatos concretos. Agora não há nada. Vocês é que são maus perdedores. Falar em impeachment depois de um processo eleitoral democrático é golpismo.”
A fala do senador tucano, reforçada por Cristovam Buarque, ocorre dois dias após a divulgação da última pesquisa Datafolha que mostrou que a popularidade da presidente Dilma despencou, atingindo a pior marca de um presidente da República desde Fernando Henrique Cardoso, em 1999. A avaliação do Dilma caiu de 42% de ótimo/bom em dezembro para 23%, segundo o levantamento. Por outro lado, 44% dos entrevistados disseram que o governo dela é ruim ou péssimo – em dezembro, eram 23%.
Desde o mês de março de 2014, quando eclodiu o escândalo do Petrolão, no qual executivos da Petrobras e de empreiteiras foram flagrados desviando recursos da empresa, cresce a convicção que esse dinheiro sujo financiou as campanhas do PT e de seus aliados, além de beneficiar alguns integrantes de partidos da oposição.
Durante a campanha, Dilma e o PT negaram qualquer ligação com o escândalo
Petistas afirmaram ainda que o tucano Aécio Neves, caso eleito, tomaria medidas "anti-populares", entre elas o aumento dos juros e preços públicos, cortes nos investimentos e mudanças nos direitos trabalhistas. Reeleita, Dilma entregou a Fazenda para Joaquim Levy, conhecido por realizar cortes drásticos em investimentos e muito ligado ao ex-presidente do Banco Central, o tucano Armínio Fraga.
As nomeações de Kátia Abreu e de outros políticos inexpressivos para ministérios, além de uma articulação desastrada para desestabilizar o PMDB - tentando derrotar Eduardo Cunha, na Câmara e criando um novo partido, o PP, articulado por Gilberto Kassab - estão sendo decisivos para enfraquecer Dilma. O avanço das investigações levam ao crescimento da convicção que Dilma sabia das falcatruas e, como afirma Cristovam, colocar o impeachment na "boca do povo".
Apesar das reações raivosas, petistas não podem acusar ninguém de tê-los empurrado em direção ao precipício. Foram suas próprias ações que os levaram à beira do abismo. (Com AE)

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