4 de fevereiro de 2015

Após reunião com secretário de Educação, colonos que reivindicavam escolas desocuparam sede da Semed em Marabá

"O ato de ocupação de um prédio público, da organização de pessoas para uma luta não significa que não está havendo diálogo, conquista. Significa que a gente avançou, mas ainda temos problemas”. Essas foram as palavras de Maria Raimunda César, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na tarde desta segunda-feira (2), na apresentação da pauta de reivindicações dos trabalhadores rurais que ocuparam a sede da Secretaria Municipal de Educação de Marabá (Semed). O secretário de Educação, Pedro Souza, manteve o diálogo com o movimento, assumiu compromissos e mostrou o que já vem sendo feito na área da Educação Rural. Ao final, uma nova rodada de avaliação foi marcada para o dia 13 deste mês e o prédio da Semed foi desocupado.Ela e outros oito líderes do MST foram recebidos pelo secretário de Educação Pedro Souza e equipe de técnicos da Semed para discutir o andamento das obras na escola Carlos Marighella, localizada no Assentamento 26 de Março; a implantação da Escola Luis Carlos Miranda Gomes, no acampamento Hugo Chaves - hoje os alunos estão em um prédio anexo - e da Escola Roseli Nunes, no acampamento Helenira Resende.
As obras da Escola Carlos Marighella estão paralisadas. O secretário de Educação explicou que essa obra é um convênio com o Governo Federal e que o papel da prefeitura é a licitação da obra e fiscalização e os recursos são liberados pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
“Já fui três vezes a Brasília, a última vez há 15 dias com o prefeito João Salame e conversamos com o ministro da Educação para liberar esse recurso, que já está aprovado desde 27 de novembro do ano passado. A nossa esperança é de ser liberado nos próximos dias, porque 40% da obra foi concluída, mas o FNDE só liberou 5% para o pagamento da empresa que está construindo a escola”.
Com relação à criação das Escolas Luis Carlos Miranda Gomes e Roseli Nunes as negociações também avançaram. Pedro Souza explicou que, no que depender da Secretaria de Educação, a partir desta terça-feira (3), será dado continuidade ao que já estava sendo feito com a construção e instalação de poço artesiano, transformador de energia e ampliação das rotas de transporte escolar, entre outros.
“No dia 12, eu vou pessoalmente conferir os avanços de tudo o que a secretaria implementou e no dia 13, o movimento retorna aqui à secretaria para que a gente faça um balanço dos avanços e marquemos a próxima reunião. Haverá um fórum constante de debate com os movimentos sociais para que a gente vá avançando nas pautas”, informou o secretário de Educação.
Ele ressaltou ainda que nenhum prefeito no município dialogou tanto com os movimentos sociais, quanto o governo João Salame e que a ocupação da Semed o surpreendeu. “Havia um diálogo em andamento e a resolução dos problemas também, mas é uma estratégia deles de estarem revendo as pautas não somente da educação, mas as outras pautas também”.
Maria Raimunda César disse, por sua vez, que foi apresentada uma pauta com as necessidades de estruturas das três escolas e esse é um passo natural dentro do processo de negociação e conseguiram avançar. “Da parte de infraestrutura, reformas, manutenção, avançou. As outras questões de acordo de pauta só dá para a gente saber, quando as questões começarem a ser implementadas”, avaliou.
Os trabalhadores rurais acabaram por desocupar o prédio da Semed na manhã desta terça-feira. (Texto com edição: Alessandra Gonçalves/Foto: Helder Messiahs)

Nenhum comentário:

Postar um comentário