2 de janeiro de 2015

Jatene fala em "renovação" e "começar de novo", mas o que vem por aí é "mais do mesmo"!

Jatene "vive o sonho", enquanto o Pará permanece adormecido
Ontem (1º), Simão Jatene (PSDB), iniciou seu terceiro mandato à frente do Governo do Pará. Depois de perder no primeiro turno para Helder Barbalho (PMDB), foi ao segundo turno e acabou vencendo a eleição por uma estreita margem de votos. As dificuldades que enfrentou foram, em sua maioria, criadas por ele mesmo e por seu estilo de governar.
Jatene tem o hábito de terceirizar responsabilidades. Quando algo dá certo coloca o crédito em sua própria conta; dando errado, débito na conta de alguém.
Jatene foi sovado no esquecido Sul do Pará e em grande parte do Baixo Amazonas. Belém deu-lhe a vitória graças a uma campanha demagógica que vinculava Helder aos movimentos pró-Carajás e Tapajós e à utilização do "cheque-moradia" como moeda de promoção pessoal, uma ousadia aceita de forma plácida pelo Tribunal Regional do Pará. Jatene é um dos governadores eleitos que aparecem como réus em processos por compra de votos, abuso do poder político e outras falcatruas. Chance de ser punido pelo TRE? Nenhuma. Mas, é bom ficarmos todos atentos. Por muito menos que isso outros políticos foram mandados para casa, levando consigo a inelegibilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em seu discurso, falou em "novo", "renovação", "começar de novo" e por aí foi.
Vamos todos torcer para que algo de novo venha da velha política excludente de Jatene. Mas, novamente, as chances são mínimas disso acontecer.
Basta olhar para o secretariado escolhido para ver que vem "mais do mesmo" por aí.
Ao governo de Jatene aplica-se aquela piada segundo a qual "o que é bom não é novo e o que é novo não é bom".
Nos últimos quatro anos presenciamos o Pará regredir em todos os índices de desenvolvimento econômico e social. Geramos menos empregos, criamos menos empresas, recebemos menos investimentos privados, construímos menos escolas e crescemos em números de homicídios, crianças fora da escola, miséria extrema. Enfim, foi um grande fiasco o governo de Jatene.
As novidades foram as "taxas" de Jatene. Criou uma tal "taxa minerária", da qual não se sabe exatamente quanto foi arrecadado e muito menos em que foi gasto. Diz-se que financiou jantares e viagens de jatinho.
Jatene criou também a "taxa hídrica" nos moldes de sua "irmã" minerária. Mais um ataque ao bolso do contribuinte paraense.
O resultado de tantas taxas? A retirada do Pará da relação de destinos para novos investimentos comerciais e industriais de grande porte.
Comparando o Pará com Goiás, por exemplo, a discrepância é assustadora. Enquanto o tucano papa-chibé se diverte pescando às margens do rio Capim ou em pousadas de luxo no Mato Grosso, o tucano goiano toca um dos mais ambiciosos projetos de atração de indústrias e de incentivo à produção oferecendo vantagens diversas. O resultado? Crescimento acelerado em Goiás e pasmaceira e recessão no Pará.
Cansa ouvir Jatene falar de como será o Pará do futuro, de um certo protagonismo paraense que só ele consegue ver. Cansa ouvir o re-governador apontar uma crise moral "no Brasil" como se o Pará estivesse imune à degradação. Como se no Pará autoridades não pedissem "um dinheirinho" às grandes empresas ou os filhos de poderosos não fossem os grandes beneficiados ao fornecer bens e serviços ao Estado.
Cansa ouvir Jatene falar em "caminho traçado" e em seguir "sem desvios", como se seu governo anterior fosse um encadear de sucessos e não o rosário de fracassos que realmente foi.
Jatene, em seu longo discurso, falou de "sonhos" e de como ele mesmo não desistiu de "sonhar". Melhor coisa faria ele se acordasse e visse a situação crítica que vive a segurança pública, a educação e a saúde, para ficar no que é essencial.
O Pará dos sonhos de Jatene não existe. O Pará que existe é um verdadeiro pesadelo no qual se debatem milhões de habitantes.
Ah, sim, em um momento em que despertou de seu "sonho", Jatene lembrou a todos que terá que "cortar na pele", "reduzir despesas", "enxugar a máquina" (que ele mesmo inchou!!!). Tudo isso apesar de, durante a campanha, ter alardeado que o Pará bateu recordes de arrecadação.
Mas, o "sonho" acaba perdendo para a realidade, não é? Segundo o Orçamento Geral mandado à Assembleia Legislativa do Pará, serão destinados cerca de 10% das receitas para investimentos (incluindo aí as contrapartidas aos programas do Governo Federal). Será um dos menores percentuais para investimentos desde 1989!
Quer saber outra ainda pior? Como a LDO permite suplementação orçamentária e através desse instrumento é possível remanejar recursos e anular despesas, diversos investimentos podem ser simplesmente cancelados. Com ampla maioria na Assembleia Legislativa, não será difícil para Jatene aprovar o que lhe for conveniente.
Ou seja, o pouco recurso destinado aos investimentos corre o risco de tornar-se ainda menor. Sinceramente, este parece ser um cenário de "sonhos"?
Leiam abaixo a íntegra do discurso de Jatene:


SENHOR PRESIDENTE,
SENHORAS DEPUTADAS,
SENHORES DEPUTADOS,
SENHORAS E SENHORES,

MINHAS AMIGAS E MEUS AMIGOS.
Subo nesta tribuna, hoje, elevado por alguns dos mais nobres sentimentos que a aventura humana é capaz de nos oferecer.
E dentre todos esses sentimentos existe um, em especial, que traduz com absoluta fidelidade a grandeza proporcionada pela soma de tantas emoções. Estou falando de gratidão. Da mais intensa e profunda gratidão.
Sou grato a Deus, pela inédita oportunidade de governar o Pará pela terceira vez, fato que tanto me orgulha quanto estimula, tamanha a responsabilidade e o desafio embutidos nessa missão.
Sou grato ao povo paraense pela lição de maturidade que nos foi dada – vencedores e vencidos – nestas últimas eleições.
Sou grato a vocês, senhoras e senhores desta Casa, independentemente da cor partidária. Especialmente àqueles que, por combaterem o bom combate, ajudam a transformar a política em um exercício de cidadania em benefício da sociedade que os elegeu. Como acabam de demonstrar ao aprovarem as reformas indispensáveis ao sucesso desta nova jornada.
Sou grato também a familiares e amigos, que compartilharam tempos bons e ruins, no governo e, notadamente, na campanha. Ainda, infelizmente, marcada por vilanias que só o amor desconstrói.
Gratidão, portanto, não me falta. E é ela que melhor retrata o estado de espírito deste homem criado no interior - músico por vocação, professor por formação e político por conspiração... do destino.
Quiseram Deus e o povo do Estado do Pará que eu ocupasse, novamente, o cargo mais importante que um homem público pode almejar. E o fato de começar essa jornada, justamente aqui, na Casa do Povo, dá ainda mais dignidade a este momento tão especial.
É a democracia em carne viva. A história à flor da pele, revigorando-se no tempo, para que nós, senhores do tempo e da história, tenhamos a oportunidade de nos retemperar.
Pois é assim que se constrói o novo, na democracia. Com recomeços e retemperos. Honra e dignidade. Esperança e gratidão.
É oportuno invocar aqui essa questão do “novo”, porque foi uma das palavras mais usadas no embate eleitoral. Nem sempre com propriedade, mas muito usada - e até abusada.
Em certos momentos o conceito de “novo” parecia um pensamento solto, à procura do significado.
Ser novo não é ser “de novo”. Ser novo é ser melhor. É ser maior. É ser crível. É ser confiável para se manter confiante. É ressuscitar a inquietude sem abrir mão da temperança. Retemperar o recomeço. E esse eu entendo ter sido talvez o maior recado das urnas, e que nos cabe, a todos, colocar em prática em nossas atividades cotidianas.
Para quem dedicou a maior parte da vida profissional ao serviço público, isso tem um significado único.
Simboliza a percepção da sociedade de que o serviço público é a nobre missão de quem está interessado em servir ao público, e não a nefasta aptidão daqueles que desejam apenas se servir do público. Esse reconhecimento, por si só, já é uma enorme recompensa. Absolutamente renovadora.
Essa confiança multiplica a minha responsabilidade diante da incumbência de dar prosseguimento ao projeto de desenvolvimento do nosso estado. Do Pará que não pode parar. Do Pará que não pode se render. Não pode desistir. Não pode se calar.
A responsabilidade de representar esse sentimento coletivo, de um Pará que não pode se deixar vencer, é tão gigantesca quanto o próprio estado. Tão grande quanto a minha determinação em cumpri-la.
Senhor presidente, senhores deputados,
Já me perguntaram qual é a diferença entre o Jatene do primeiro mandato, de 2003 a 2006, e o Jatene que assume agora, com muita honra, este inédito terceiro mandato de governador.
Ora, é evidente que muita coisa mudou, a começar pelas distintas conjunturas de cada um desses períodos. Além de tudo, pelo fato de ser um homem ligado à Educação, é lógico que, como todo educador, eu serei eternamente um aprendiz – e muita coisa se aprende e se ensina no exercício da política e da gestão pública. Ensina-se aprendendo e aprende-se ensinando, essa é a dinâmica do conhecimento, que sempre haverá de nos permitir mudar – e mudar para melhor.
Eu diria que o mais importante nem é o que mudou, mas o que não mudou nestes anos todos. E isso é muito simples de responder. Sabem o que não mudou? Eu não desisti de sonhar.
E hoje, muito mais do que antes, tenho a convicção de que só é possível transformar sonhos em realidade na medida em que tivermos a capacidade de encurtar distâncias e de aproximar diferenças para superar desigualdades. Para sermos maiores e melhores.
Para isso, é preciso acreditar e praticar valores como a Verdade, a Justiça e o Respeito, que não dependem de semelhanças ou proximidades. São valores que podem ser exercidos por todos, a qualquer tempo, em qualquer lugar. E ouso dizer – e acreditar – que a opção pela verdade, pelo respeito e pela justiça foi mais um recado do povo do Pará nas últimas eleições, que trouxe à tona muitas contradições.
Infelizmente, o País do novo, certas vezes, é o velho País de sempre.
A campanha que nos trouxe até aqui foi das mais duras de que participei, direta ou indiretamente, mas também foi pedagógica, cheia de lições políticas às novas gerações. Essa é a realidade, e a realidade é a única verdade que conta.
Neste Brasil em crise moral, em que se confunde contramão com via de mão dupla, a manifestação popular impõe um novo comportamento: é preciso perseguir permanentemente o objetivo de aproximar a ética da política.
Isso é novo. Isso é maior. Isso é melhor. É disso que tratamos quando nos dispomos a sonhar e realizar sonhos.
E é por isso que não vamos desistir de sonhar.
Senhoras e senhores deputados,
Não nos cabe aqui, e agora, falar de fatos e feitos, não. Em breve estaremos novamente juntos, apresentando o relatório de governo. O momento é de reafirmarmos compromissos.
Os desafios estão postos, e eles são gigantescos. O cidadão é cada vez mais consciente e exigente, e o poder público precisa dar respostas a questões cada vez mais complexas, envolvendo invariavelmente qualidade de vida e um futuro melhor.
Faz-se urgente responder a uma pergunta básica: como elevar a qualidade e oferecer maior quantidade de serviço público?
As respostas são muitas, mas o pressuposto para realizá-las é entender que o exercício do poder, seja nesta Casa, no Executivo ou no Judiciário, não pode ser a busca de bônus. O maior bônus nós já recebemos: foi o reconhecimento e a confiança que nos permitiram ter a honra de ocupar cargos públicos.
O pós-eleição é o momento de exercitar não os nossos quereres, mas os nossos deveres.
Uma sociedade feliz, que deve ser, em última instância, o objetivo maior de quem foi premiado por um mandato, não se constrói com a distribuição de pequenas alegrias. Alegrias são efêmeras; a felicidade é permanente. E ela será tão duradoura quanto maior for a nossa capacidade de cumprir com o nosso dever de servir bem, servir mais e servir melhor. Especialmente neste momento em que a sociedade paraense se mostra disposta a participar desse processo, sem tolerância ao retrocesso.
E para servir bem, mais e melhor precisamos estar dispostos a cortar na própria carne, reduzindo despesas, enxugando a máquina pública e buscando, por outro lado, aumentar a nossa disponibilidade de recursos e melhorar a qualidade do gasto público.
Ainda que para isso tenhamos que renovar o que imobiliza, consertar o que nos desconcerta, cobrar respeito de quem respeitamos. E se for necessário nos reinventar, nós nos reinventamos.
Isso é o novo.
Senhoras e senhores deputados,
O Pará não pode mais contribuir para o desenvolvimento do Brasil à custa da pobreza de sua gente. A única forma legítima de participar do desenvolvimento brasileiro é através do nosso próprio desenvolvimento.
O Pará não deseja ser o estado do futuro num País onde se classifica como provisório muito daquilo que se torna permanente. No Brasil contraditório em que vivemos, em que riqueza gera pobreza, é preciso fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para buscar, no mínimo, um pouco de coerência, um tempo de sensatez. E isso nos cabe fazer juntos.
Costumo dizer que estamos numa encruzilhada civilizatória, e sei que sair dela não é tarefa isolada para um estado periférico, de um país periférico, de um mundo em crise. Todo um modelo de civilização está em jogo, e nós nos movemos dentro dele, mas essa consciência não pode nos abater. Deve, sim, nos servir de aríete para seguirmos em frente e fazermos a nossa parte. E este é o convite e apelo que faço a todos os paraenses de boa vontade.
Senhoras e Senhores,
As carências do povo são grandes demais para nos contentarmos com algumas batalhas vencidas.
É urgente consolidar as conquistas e avançar.
O caminho está traçado. O Pará, novamente, atrai a atenção nacional e internacional. Uma nova corrida rumo ao Norte está em curso. E não podemos perder a oportunidade de utilizar esse momento em nosso favor. Retirando lições do passado para evitar a repetição de erros. Está em nossas mãos seguir adiante, sem desvios de nenhuma espécie.
Senhoras e Senhores,
Começar aqui o novo mandato é mais do que um ato legal. É simbólico.
Estamos começando de novo, e quis Deus, e o povo do Pará, que estivéssemos juntos. Que nenhum de nós jamais desista de sonhar e de lutar pelas causas em que acredita. Somente assim, como diz a canção de Ivan Lins, começar de novo vai valer a pena.
Vai valer a pena termos nos rebelado, termos nos debatido, termos nos machucado e termos sobrevivido.
Que Deus nos ilumine.

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