A Comissão Nacional da Verdade anunciou nesta terça-feira (23), que irá analisar a hipótese de reabertura do inquérito sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976.
O pedido foi reforçado em uma reunião realizada nesta terça-feira (23), da comissão com a Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG), que já esta revisando documentos e depoimentos sobre o caso há oito meses.
A entidade contesta a versão oficial de que JK foi vítima de um acidente de carro e alega que o ex-presidente foi assassinado por motivações políticas.Segundo a OAB-MG, a decisão de reabertura do caso ficará a cargo do advogado e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, integrante da comissão.
Segundo o inquérito policial, no dia 22 de agosto de 1976 o Chevrolet Opala 1970 em que ia o ex-presidente, conduzido por Geraldo Ribeiro – seu motorista desde o primeiro dia como prefeito de Belo Horizonte, em 1940 –, foi atingido, por trás, por um ônibus. Desgovernado, atravessou o canteiro central e, na outra pista, foi apanhado, de frente, por uma carreta.
Dúvidas surgidas naquela tarde nunca foram esclarecidas. Poderia tratar-se não de acidente, mas de atentado. O caso foi reaberto quase vinte anos depois, sem que nenhuma evidência disso tenha sido encontrada.
Chamou atenção o fato de que as três maiores lideranças civis brasileiras desapareceram no espaço de poucos meses, todas em circunstâncias no mínimo estranhas, num momento em que o governo do general Ernesto Geisel promovia um lento – lentíssimo – movimento de retorno à democracia. Carlos Lacerda se internou com uma gripe forte, recebeu uma injeção e morreu. João Goulart, que teria morrido de infarto, foi achado com um travesseiro sobre o rosto.
Anos mais tarde desvendou-se parcialmente um plano conjunto de ditaduras militares do continente sul-americano, a tenebrosa Operação Condor, para eliminar opositores incômodos. Um deles, o chileno Orlando Letelier, ex-chanceler do governo do presidente socialista Salvador Allende, foi assassinado em Washington a 21 de setembro de 1976. Embora não haja provas, há quem sustente que JK, morto poucos dias antes de Letelier, e João Goulart, alguns meses depois, teriam sido, como ele, vítimas da Operação Condor.
"Democracia neste país, só depois de minha morte", dissera JK ao deputado Carlos Murilo às vésperas do acidente que o matou. "Eles têm muito medo de mim."
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