30 de outubro de 2012

Barbalhos e Maioranas em guerra: "Rômulo Maiorana - Rei do contrabando na Amazônia", afirma Diário

O segundo turno das eleições foi concluído no domingo (28), mas segue com força suficiente para alimentar a eterna guerra entre Barbalhos e Maioranas no Pará. A disputa entre as duas famílias, que agrega interesses políticos e, principalmente, econômicos, acaba ganhando repercussão nos conglomerados de comunicação controlados por ambas.
A crise atual foi deflagrada pelas críticas publicadas pelo jornal O Liberal, dos Maioranas, à pesquisa Ipespe divulgada na reta final do segundo turno pelo Diário do Pará, dos Barbalho. A aferição, muito na contramão de quase todos os institutos, apontava empate técnico entre Zenaldo Coutinho (PSDB) e Edmilson Rodrigues (PSOL). Como se sabe, Zenaldo, "garoto" de Jatene, contou com apoio do grupo dos Maioranas - cada vez mais próximos a Jatene - e acabou vencendo com mais de 15 pontos percentuais de diferença.
Na edição de hoje (30), o Diário em seu editorial desqualifica as críticas d'O Liberal e lembra o que considera tentativas de enganar a população protagonizadas pelo jornal dos Maioranas. Em 2006, o Liberal apontava a vitória de Almir Gabriel. Venceu Ana Júlia. Em 2008, O Liberal afirmava que Valéria Pires Franco ganharia as eleições. A candidata não foi sequer ao segundo turno.
Por outro lado, o Ipespe assumiu a responsabilidade pelo equívoco e garantiu ter tido total liberdade para executar seus serviços.
Para completar o contra-ataque, o Diário desencavou uma série de reportagens do jornalista d'O Globo, José Leal, publicadas entre os dias 25 de fevereiro e 23 de março de 1957, na qual o patriarca dos Maioranas é retratado como contrabandista de armas em Belém. "A verdade, leitores, é que Belém foi inundada de revólveres. Podia-se comprar uma arma na calçada dos hotéis, no bar, na rua, sem o conhecimento da polícia, que nenhuma providência tomou, embora sabendo quem os tenha trazido e quem os estava vendendo.”, afirma o jornalista.
A atual contenda ameaça render.
Os Barbalhos, que controlam o poderoso PMDB, sentem que perdem espaço na atual gestão de Simão Jatene no Governo do Pará e preparam há tempos o desembarque, empolgados com o "Projeto Helder". O jovem prefeito de Ananindeua é sem dúvida a mais promissora entre as jovens lideranças da política paraense e tem tudo para conseguir chegar ao governo do Estado - mesmo que não seja em 2014. Para os Maioranas, seria um desastre.
Além disso, os tucanos parecem sentir-se cada vez mais confortáveis na companhia dos Maioranas. Em maio deste ano, Jatene contratou uma empresa de táxi aéreo de Rômulo Maiorana Júnior, o Rominho, para atender ao gabinete do governador, ao custo de quase R$ 3 milhões. O Ministério Público Estadual, analisando o caso concluiu que existem erros formais e materiais no processo licitatório e pediu ao Tribunal de Contas do Pará que proceda à inspeção extraordinária no contrato. Exigências descabidas, ausência de justificativa e de planilhas de custos, são apenas algumas das irregularidades encontradas pelo MP.

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