30 de novembro de 2011

Rio+20 - Dilma deverá propor "bolsa família global" para combater miséria no Mundo


O custo de atividades como purificação do ar, polinização das espécies vegetais, irrigação por meio da chuva será um dos assuntos mais debatidos na Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que ocorrerá no ano que vem no Rio de Janeiro, entre 28 de maio e 6 de junho.
O governo brasileiro deverá apresentar documento com suas contribuições para o debate. As propostas, que foram construídas por meio de consulta pública, não apresentam metas a serem cumpridas, mas contemplam pontos considerados relevantes, por Dilma, para atingir o desenvolvimento sustentável. Uma das propostas é a criação da Bolsa Verde Global, que, a exemplo de alguns programas implementados no Brasil, visaria a garantir renda mínima, segurança alimentar, moradia digna e acesso à água à população pobre em todo o mundo. Uma espécie de "bolsa família mundial".Tendo como eixo central o desenvolvimento sustentável, a Rio+20 não tratará apenas de temas relacionados ao meio ambiente. O desenvolvimento sustentável envolve ações no setor econômico que se tornam ainda mais importantes frente à crise financeira dos países desenvolvidos, que coloca em estado de alerta também os países em desenvolvimento.
Ao tratar de sustentabilidade, é indispensável implementar ações no setor social, que engloba desde a busca por estabilidade dos empregos, o combate à fome e à pobreza, até o acesso aos bens mais básicos para a população mundial no campo da educação, da saúde e do transporte público.
Também preponderante, a questão ambiental recebe atenção especial com a discussão de como promover a redução nas emissões de gás de efeito estufa, mitigação de impactos, adaptação às mudanças climáticas e formas de compensação de carbono.
A ONU lançou ontem, no Rio de Janeiro, a campanha O Futuro que Queremos, que busca mobilizar a sociedade civil para a conferência. “Na Rio + 20, renovaremos o compromisso político para que o desenvolvimento seja sustentável (em um mundo) com 7 bilhões de habitantes”, disse Kiyo Akasaka, secretário-geral adjunto da ONU para Comunicação e Informação.
Além da  “bolsa verde global” pela qual os países garantiriam àquelas pessoas abaixo da linha da pobreza uma renda mínima, segurança alimentar, moradia digna e acesso à água, Dilma vai propor o uso das compras públicas e do crédito bancário para promover práticas amigáveis ao meio ambiente, entre as empresas e a abertura maior, por parte dos órgãos mundiais multilaterais, ao setor privado, que engloba não só empresas, mas também movimentos sociais e entidades sem fins lucrativos.
O Instituto Ethos, formado por empresas e entidades envolvidas na discussão ambiental entende que a principal tarefa da Rio+20 será discutir um novo padrão nacional de contabilidade e mensuração do desenvolvimento, redefinindo o conceito de prosperidade nacional diferente do PIB, medindo capitais naturais, sociais, humanos e financeiros; a precificação do carbono e criação de mercado interno de carbono, com adoção de um padrão local para calcular o valor do poluente; o pagamento por serviços de ecossistemas; e o estabelecimento de padrões mínimos de operação, em termos de trabalho decente, práticas socioambientais sustentáveis e ciclo de produção fechado.
A discussão promete esquentar a partir de janeiro quando começam as plenárias em diversas cidades brasileiras. Será do entrechoque entre o fundamentalismo ambientalista e o desenvolvimentismo a qualquer custo que poderemos chegar a algo próximo do "desenvolvimento sustentável".

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