Um grupo de professores da rede estadual de ensino se concentra, em um ato público, em frente à Assembleia Legislativa do Pará, na Cidade Velha, em Belém. Eles reivindicam uma audiência com os deputados para discutir a pauta de reivindicações da categoria, em greve desde o dia 26 de setembro.
O protesto começou no início da manhã de hoje e, segundo o sindicato dos trabalhadores em educação, reúne mais de mil servidores. Diante da manifestação, os deputados aprovaram requerimento para receber uma comissão de servidores para negociação. Eles devem ser recebidos no início da tarde.
Reivindicações - Os educadores exigem o cumprimento do acórdão do Supremo Tribunal Federal, publicado no dia 24 de agosto, que consiste no pagamento integral do Piso Salarial Nacional (PSPN). A categoria quer o pagamento integral da diferença do piso, já que, em setembro, receberam apenas 30% dessa diferença. Além disso, os professores da rede estadual de ensino também pedem a implantação total do Plano de Carreira dos Trabalhadores da Educação, que, segundo eles, não foi implementado completamente e acarretou em redução salarial para muitos servidores.
Sabem aquelas situações insólitas nas quais os dois lados de uma disputa estão certos e errados ao mesmo tempo? Pois bem, esta é a situação da greve dos professores.
Tente comparar o discurso das autoridades a favor da Educação com o salário pago aos professores.
Como é possível crer nas campanhas de "valorização do magistério" quando os mestres recebem pouco mais de 1 salário mínimo e meio em média?
O Governo Jatene alega a quebradeira do Estado para não aceitar as reivindicações de aumento salarial. Não há dúvida que o aumento onerará, e muito, a folha de pagamento do Estado. Mas, pergunto, sendo verdade que "governar é eleger prioridades" não seria o caso de Jatene priorizar de fato a Educação?
E o que dizer do prejuízo aos alunos do ensino médio que este final de semana farão as provas do ENEM?
Ou ainda, na perspectiva de longo prazo, como oferecer educação com um mínimo de qualidade quando o professor, peça central na engrenagem, não recebe qualquer estímulo?
Diz-se que o magistério é um sacerdócio. Isso é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais. O magistério precisa ser visto como uma PROFISSÃO e valorizado como tal.
Professores estão certos em reivindicar seus direitos. Estão errados ao paralisar suas atividades e penalizar os alunos.
O Governo do Estado está certo em não querer ultrapassar os seus limites de comprometimento legal de receita. Está errado ao não ter a capacidade de construir um acordo, ainda que provisório, capaz de encerrar o movimento grevista.
E assim, entre os erros e acertos, a sociedade como um todo vai perdendo a esperança de que um dia o discurso eloquente marque um encontro com a prática coerente.
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