Dando prosseguimento à rodada de entrevistas com representantes das frentes parlamentares pró e contra a criação dos novos Estados do Carajás e do Tapajós, a TV Liberal e a TV Tapajós receberam o deputado federal Lira Maia, presidente da frente pró-Tapajós.
E logo no começo da entrevista quem escorregou foi a repórter. Confundiu-se com com extensão territorial e número de municípios que terão Carajás e Tapajós. Foi prontamente corrigida por Maia que demonstrou estar atento.
Ao explicar porque defende a criação do Tapajós, Maia lembrou que existem diversas ideias que visam o aumento dos recursos para o Estado do Pará. Citou as reformas na Lei Kandir e o novo Código Florestal, mas frisou que essas alternativas dependem do Congresso Nacional, enquanto que a criação dos novos estados garante a redivisão dos recursos provenientes do Fundo de Participação dos Estados e injeta cerca de 3 bilhões de reais por ano a mais na economia da região, por outro lado, só de ICMS o Novo Pará receberá 300 milhões de reais a mais para ser dividido por um número muito menor de municípios. A criação dos novos Estados torna-se, assim, o maior projeto de desenvolvimento para a região Norte e o que é melhor, com impactos positivos que poderão ser sentidos imediatamente.
Quando questionado sobre um estudo do IPEA que mostra Tapajós com déficit de 1 bilhão por ano, Maia disse que o próprio técnico já reconheceu que tratava-se de um estudo preliminar que ainda receberá novos números e que o IPEA deixa claro que o estudo é de responsabilidade do técnico e não a posição oficial do órgão.
Maia lembrou que cerca de 85% de todo o FPE fica para os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No ano passado, o Amapá, menor estado do Norte, recebeu 1,7 bilhão de reais provenientes deste fundo. Mesmo considerando que cada um dos três estados tivesse os mesmos índices do Amapá, a receita destinada à área que hoje forma o estado do Pará oriunda do FPE já dobraria. Maia disse também, com base nos estudos da Secretaria de Fazenda do Pará que somente de ICMS, Belém passaria a receber no mínimo 125 milhões a mais todo ano.
Sobre a questão dos custos de instalação dos novos estados, Maia disse que os repasses constitucionais para o Tapajós representarão nove vezes o que a região recebe hoje e que portanto haverá recurso para a instalação do novo estado.
Sobre a questão da saúde pública, Maia lembrou que diversos municípios de Carajás e Tapajós mantém "casa de apoio" para facilitar o atendimento em Belém de seus moradores. Isso, claro, ajuda a estrangular o sistema de saúde da capital do Pará. Para ele, com a criação dos novos Estados, essa demanda por saúde em Belém será diminuída, melhorando o atendimento para todos.
Lembrado dos índices de mortalidade neo-natal no Tapajós, o mais alto entre os três estados, Maia disse que "esses índices serão revertidos com investimento e governabilidade".
Maia lembrou um fato importante: Nenhum município criado a partir de outro aceitaria voltar a ser anexado e citou vários exemplos como Tracauteua (desmembrado de Bragança) e Marituda (desmembrado de Ananindeua).
Quando perguntado sobre a questão da matriz econômica do Tapajós, Maia lembrou que o novo Estado tem potencial em áreas como Turismo e pecuária. Maia frisou que é possível aumentar em mais de 1 milhão de hectares a área plantada "sem derrubar uma árvore sequer".
Por fim lembrou que 74% da área do Tapajós é formada por terras indígenas e reservas florestais, o que obrigará o novo Estado a fazer do manejo sustentável da floresta seu principal vetor de desenvolvimento.
Lira Maia esteve longe de ser brilhante. Já disse aqui no blog, em outra oportunidade, que Maia funciona melhor no debate ou no palanque. Mesmo assim está anos-luz à frente de figuras como Eliel Faustino ou Celso Sabino. Apresentou suas ideias com firmeza e se algumas vezes faltou clareza, sobraram argumentos. Não deixou perguntas sem respostas e isso em uma entrevista é fundamental. Tapajós foi muito representado.
Por fim, uma nota: Tenho acompanhado todas as entrevistas feitas até agora abordando a criação dos novos estados e confesso que o despreparo da repórter da TV Liberal é algo desalentador. Enquanto Mauro Bonna chega a ser um "inquisidor" por vezes ferrenho, a global precisa ler as perguntas que alguém formulou previamente para ela. Números básicos da economia dos novos estados (como a receita proveniente da produção de grãos do Tapajós, estimada em 279 milhões de reais) foram "lidos" equivocadamente pela repórter (ela referiu-se a uma receita de 243 "mil" reais). Isso reflete, claro, o descuido da repórter, mas demonstra como carajaenses e tapajoaras somos "invisíveis" e sem relevância aos olhos da grande imprensa da capital. Chego a crer que para eles mais importante que Carajás e Tapajós é a Almirante Barroso engarrafada ou o mais novo prédio a rachar em Belém. Não o fosse por outro motivo, a discussão da criação dos novos Estados já teria sido importante para ao menos nos colocar do mapa do Pará que atende pelo nome de Belém.
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