10 de setembro de 2011

No Discurso de Salame, as linhas gerais que devem nortear a Frente Por Um Pará Mais Forte. Vale a pena ler.

Bem queridos,
Seguem abaixo alguns dos trechos mais relevantes do discurso de hoje do presidente da Frente Por Um Pará Mais Forte, deputado João Salame.
Entendo que será valiosa a leitura.
Durante a noite de hoje e amanhã teremos a chance de analisar o futuro desta Frente.
Por ora basta dizer que Salame assumiu uma tarefa realmente difícil. Ao seu redor estarão lideranças graúdas e muito cientes da importância e relevância que possuem.
Contornar com habilidade as eventuais "cotoveladas" entre tantas figuras proeminentes e mantê-las coesas e motivadas será fundamental para o sucesso da missão.
Mas, como é fácil perceber pela leitura do discurso inicial, Salame acima de tudo é um democrata disposto a costurar esta unidade necessária. Está à altura do desafio.
Os argumentos que apresenta são sólidos e precisarão ser explorados de forma competente durante a campanha.
Daqui do blog vai o nosso apoio e a disposição para colaborar neste momento crucial de nossa história.
Boa leitura a todos.
PS: O texto é longo. Mas sei que vocês não se importam.
Trechos do discurso do Deputado João Salame Neto, presidente da Frente Por Um Pará Mais Forte.

Agradecimentos – 

“Bom dia a todos os companheiros e as companheiras presentes nessa sessão. Quero abraçar o nosso grande deputado federal Giovanni Queiroz guerreiro desta causa, ombreado com o deputado Asdrúbal Bentes; abraçar nossa deputada Bernadete, grande batalhadora também; Luciano Guedes, que tive a oportunidade de conhecer de forma muito intensa nesses últimos dias e iniciamos uma bela amizade; quero abraçar também os nossos vereadores Nagib Mutran, presidente da Casa, Júlia Rosa, em nome de quem saúdo todos os vereadores presentes, tais como as vereadoras Vanda Américo e Irismar; os ex-deputados Claudio Almeida e Elza Miranda; Meus amigos Célio Costa e Ítalo Pojucan; prefeitos Jaime, Benjamin e Sidney; prefeita Cristina Malcher de Rondon; Bel Mesquita, querida amiga; o nosso tesoureiro Ademar Ferreira; quero abraçar minha esposa, Bia Cardoso, a todos os meus amigos e dizer que este é um momento de muita emoção para mim.”

O Desprendimento de Giovanni e Solidariedade a Asdrúbal –

“Primeiro quero elogiar o desprendimento do Giovanni Queiroz. Ele poderia com todos os méritos ser o presidente desta frente e sugiro uma grande salva de palmas para o Giovanni. Tenha a certeza, Giovanni, que este seu gesto de nobreza o fez crescer ainda mais em nosso conceito. Aqueles que tinham alguma dúvida sobre o teu comprometimento com esta causa, a partir de agora não têm o falar. Já ouvi críticos elogiarem o teu desprendimento. E tenho a certeza que o povo de Carajás saberá valorizar e levar isso em consideração. 
Da mesma maneira quero estender minha solidariedade ao Asdrúbal Bentes, que é um amigo de longa data e quero dizer que você está sendo vítima dessa ação porque não tem estado aqui para garantir saúde para nossas mulheres pobres. É por isso que essas mulheres foram submetidas às laqueaduras e, vejam a ironia, foram buscar incriminar o autor do primeiro projeto de lei para criação do novo estado. E companheiro, nós vamos dizer não e repudiar essa decisão absurda, injusta, criando o Estado do Carajás e colocando aqui uma estrutura de saúde digna para atender as mulheres pobres desta região. Esta é a melhor forma de te homenagear.” 

O Momento é de União –

“Esse momento é o momento de união e não é fácil a nossa tarefa. Eu entendo que ano que vem teremos eleições municipais. Quero fazer um apelo para que a gente procure deixar o palanque do ano que vem...para o ano que vem, vamos neste ano nos dar as mãos. Por isso mesmo eu quero aproveitar a oportunidade para saudar aqui a contribuição importantíssima que tem dado pra esta causa uma liderança com quem todos sabem que tenho minhas divergências, mas que tem se dedicado ao máximo a esta causa que é o prefeito de Marabá Maurino Magalhães. Nós vamos nos dar as mãos. Podemos não estar juntos nas eleições do ano que vem, é uma probabilidade, diria que até é uma probabilidade grande, mas vamos estar juntos nesta luta ombreados. Da mesma maneira lembro das diferenças e de quantos embates já tive com a deputada Bernadete. Foram inúmeros. E quero dizer que esta luta que estamos travando nos aproximou bastante. Talvez as nossas diferenças continuem, algumas devem continuar, talvez não estejamos andando juntos nas eleições do ano que vem, mas estamos nos respeitando mais porque estamos sofrendo juntos com a angústia de um povo que quer governar seu próprio destino. Meu respeito e admiração pela deputada Bernadete cresceram muito nesses dias. 
Da mesma sorte não poderia deixar de dizer que, independente de diferenças de concepção, precisamos da participação nesta luta (e como presidente desta frente vou me esforçar neste sentido), do deputado Tião Miranda. De igual forma acredito na participação do deputado Wandenkolk Gonçalves que não se encontra conosco hoje aqui, mas é um guerreiro, inclusive com grande colégio eleitoral em Altamira, onde foi o deputado federal mais votado. Nós precisamos de todos, independente de qual seja o partido. Todos os partidos estão divididos, com exceção do PDT, faça-se justiça de novo à liderança do Giovanni Queiroz, que conseguiu unir o PDT a nível estadual. Precisaremos do Milton e do Parsifal que se recupera de um problema de saúde. Nós temos que priorizar o que nos une.”
Os Ataques Recebidos em Belém –

"Lá no norte do Estado é virulenta a campanha contra nós. Virulenta, preconceituosa, mesquinha e rasteira por parte de algumas lideranças. A única coisa que nos conforta é que sempre ao final do debate ficam 15, 20 pessoas que nos procuram para dizer que foram convencidas ou que querem mais informações para firmar sua decisão. 
Eu debati anteontem com o deputado federal Claudio Puty na universidade federal do Pará e quero fazer um registro: mesmo sendo contra, Puty nos tratou de maneira respeitosa; registro isso porque se é verdade que estamos defendendo a tese de que um Pará dividido em três sairá mais forte e seremos aliados, nós não podemos pregar o ódio contra eles. Nós temos que pregar o amor. Então temos que valorizar aqueles que mesmo combatendo nossa idéia nos tratam de forma respeitosa. 
Ontem travei um debate com o Zenaldo Coutinho e o Edmilson Rodrigues, e o nível de agressividade foi um pouco maior; dias antes estive em outro debate com Celso Sabino, e o nível de agressividade foi ainda maior. E presenciamos absurdos como um ex-presidente da OAB, Sérgio Couto, dizer que para cá só vem quem é fugitivo da justiça, para ele somos “forasteiros foragidos”.” 

Descartando os Argumentos Rasteiros – 

“O que eu tenho dito nos debates é o seguinte: vamos tirar o que é acessório e vamos direto ao que é central. E o que é central nesse debate? É saber se Carajás, Tapajós e Novo Pará separados terão condições de melhorar a vida da sua gente. Tenho dito que se uma dessas unidades, uma que seja, tiver perda, então podem votar contra. Isso porque os números demonstram que todos ganham.
Mas é preciso afastar primeiro os argumentos rasteiros do debate.
Falam dessa história dos forasteiros. Ora, tem gente que não nasceu no Pará e que defende a criação dos novos estados e tem gente não nasceu no Pará e é contra a criação de novos estados. O Sérgio Pimentel (um dos líderes contrários à Carajás) é pernambucano.
Digo sempre que essa discussão é ridícula. Quem proclamou a independência do Brasil foi um português. Sabe por que isso importa pouco? É porque no fundo nos somos cidadãos do Mundo. Isso é o que somos. E um verdadeiro cidadão do mundo quando acontece uma tragédia em Angola ele sofre, ele não precisa ser angolano para isso. Um verdadeiro cidadão do mundo quer que o povo palestino tenha uma pátria e não precisa saber uma vírgula de árabe para entender que isso é justo; um verdadeiro cidadão do mundo é feliz com a felicidade de outros povos.
Porque a rigor fronteira é uma linha imaginária; fronteira é apenas uma forma de se organizar administrativamente a ação do estado; quando você sai de Belém, o limite da cidade fica na curva da castanheira; o que mudaria para o morador de Belém se o limite ficasse à altura do campo da Tuna Luso? Não mudaria absolutamente nada.”

Em Busca do Estado Eficiente e As Elites – 

“Aliás, o nosso debate não deve ser sobre o tamanho do Estado, deve ser sobre a eficiência das políticas públicas. Esse é o nosso debate.
Eles também dizem que são os fazendeiros que querem dividir o Estado. Eu respondo: É engraçado, mas o Carlos Xavier, presidente da FAEPA, chefe dos fazendeiros, é contra a divisão do Estado. Eles então dizem que são as nossas elites que querem dividir o Pará. Eu retruco: Então o Rômulo Maiorana e o Jáder Barbalho não formam a elite? Eles são contrários à divisão. Têm todo o direito. É legítimo. Eles têm o direito de ser contra. Por que nós não teríamos o direito de ser a favor? Qual o problema?
A verdade é que a divisão não interessa apenas à elite. Um membro da elite de Carajás se adoece, pega uma UTI aérea e vai para os melhores hospitais do País se cuidar; os filhos da elite podem ir estudar em São Paulo, Rio de Janeiro Minas Gerais ou Belém.
Quem precisa do Estado é o povo pobre. Aquele que não tem dinheiro para pagar uma passagem de ônibus para ir se tratar em Araguaína ou em Teresina.
A Informação leva à Identificação -
Quando a gente explica isso para as pessoas mais humildes de Belém eles entendem, porque eles também sofrem com a incapacidade do Estado que não consegue atender com suas políticas públicas nem bairros de Belém como o Tapanã, o Bengui ou a Pratinha. Como poderiam nos atender? 
Um dos bens mais preciosos que temos é a água. Mas a Cosanpa não consegue atender nossos municípios e temos que comprar os serviços de uma empresa de fora do Estado para ter água nas torneiras. Como podem querer falar de políticas públicas para nossa região?”

O Combate à Corrupção –
“Fazem um discurso hipócrita quando o assunto é corrupção. Dizem que novos estados aumentam a corrupção. Ora, a corrupção é endêmica, está espalhada pelo Brasil. O importante é combatê-la. Mas, no escândalo da Alepa a corrupção corre solta e eles não topam sequer instalar a CPI.”

Quanto Ganha o Novo Pará com os Novos Estados –

“Mas, resta provar o que o Novo Pará ganhará. E os estudos do Célio Costa que embasam nosso discurso mostram isso claramente. Todas as 78 cidades do Novo Pará passarão a receber um volume maior de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Anajás, por exemplo, um dos municípios mais pobres do Pará, receberá 900 mil reais a mais por ano só de Icms. Pode não parecer muito, mas em Afuá fará muita diferença. Belém passará a receber cerca de 125 milhões a mais por ano. Dá um Pronto Socorro por ano para evitar que crianças fiquem morrendo nas portas dos hospitais por falta de leitos, lá em Belém. No total mais de 295 milhões de reais a mais serão rateados entre os municípios, o que praticamente dobrará o valor do investimento no Novo Pará.
No que diz respeito ao Fundo de Desenvolvimento dos Estados (FDE), o Pará recebe hoje cerca de 3,2 bilhões de reais por ano. Caso cada estado tivesse uma economia do tamanho do Amapá – e cada um dos três é muito maior – os três estados receberiam 5 bilhões e 2 milhões. Um acréscimo de mais de 2 bilhões de reais por ano. De que outra forma poderemos fazer crescer a participação da região norte em mais de 2 bilhões?
Diante desses números eles se calam.”
A Presença do Estado Salva Vidas –

“Quando era líder estudantil e sindical no Rio de Janeiro nos anos 80 sempre ouvia falar de mortes de freiras, padres, líderes camponeses e sindicais na região do “Bico do Papagaio”. Apesar de não concordar com a política do Siqueira Campos é inegável que a criação do Tocantins fez reduzir a violência. E não é porque o Estado trouxe apenas polícia, delegacia e juízes. É porque trouxe hospital, escola, universidades, estradas e empregos.”

Só a Informação Vence o Preconceito –
“Portanto, vamos nos munir dessas informações, porque o debate não é fácil. Nós enfrentamos o preconceito, lutamos contra a falta de informação, mas se nós conseguirmos mostrar esses números poderemos ganhar muitos defensores em Belém e na região do Novo Pará.
As Razões da Luta e A Mobilização Necessária –

"Sempre respeitei todos os meus adversários até porque acredito que a única razão que me mantém na vida pública é a certeza que estamos aqui para usar a política como instrumento de transformação da sociedade e de melhoria da qualidade vida de nosso povo.
Por fim, precisamos nos mobilizar, abraçar esta causa e a primeira grande manifestação será dia 15 no grande comício aqui em Marabá.
Não acredito em impossibilidades. Para quem não sabe, nasci nessas barrancas do Tocantins com malária. Os médicos diziam que seria difícil sobreviver. Pois bem, estou com quase cinqüenta anos e no segundo mandato de deputado. Foi difícil vencer a malária, mas não foi impossível. Então quando vejo tanta gente maravilhosa acredito que é possível vencermos e enfim construir esse novo Estado do Carajás.
Muito obrigado e estou à disposição de vocês com toda a minha energia. 
Um forte abraço. "

Nenhum comentário:

Postar um comentário