Como todos sabem, ontem à tarde foi apresentado o substituto do superintendente do Sistema Penal do Estado do Pará. Trata-se do major Mauro Barbas (foto acima). Ele tentará colocar ordem na "zona" em que se transformou a Colônia Agrícola de Santa Izabel (que até onde se vê está mais para "colônia de férias" de bandido).
O papo é sempre o mesmo e chega a ser tedioso. "Vamos construir novos alojamentos", "vamos construir um muro", "vamos colocar policiamento". Trata-se da velha blague "depois da porta arrombada, coloca-se um ferrolho".
A primeira pergunta é: considerando que tudo isso "vamos" fazer, por que não "fizemos" antes? Por que o governo Jatene precisa ser o bombeiro desastrado que sempre corre para apagar o fogo sem jamais prevenir o incêndio?
Os tucanos adoram posar de "grandes gestores" mas, na prática, não conseguem saber o que acontece bem debaixo dos seus bicos.
Como disse aqui ontem, é preciso saber se o Secretário de Segurança Luiz Fernandes foi alertado para o caos que se instalou no motel-presídio.
Ele nega ter tido conhecimento.
Qual a novidade nisso?
Ocorre que na burocracia tudo deixa rastro. Basta investigar um pouco além da patacoada governamental que a verdade aparece.
Não tenho acesso às investigações, mas usemos o bom-senso.
Imagine-se no lugar do chefão da Susipe. Você recebe pedido de socorro de um subordinado e percebe que a crise é séria e que precisa mobilizar a força policial, construir muros e alojamentos. O que você faria? Sentaria em cima do ofício e fingiria que nada estava acontecendo? Ou, ainda que informalmente comentaria com seu superior dizendo algo como "sabe, chefe, eu não queria incomodar o senhor, mas, a Colônia Agrícola virou um motel. O que eu faço?"
Ora, esta história está muito mal contada.
Vejam o cronograma da crise. O ex-diretor da colônia, Andrés de Albuquerque Núnez, encaminhou ofício, datado do dia 2 de setembro, falando sobre a presença de menores, armas e drogas nas dependências da colônia e solicitava uma revista urgente do local. O ofício chegou às mãos do ex-superintendente da Susipe no dia 6 de setembro, mas só foi despachado no dia 13.
De Santa Izabel para Belém, ainda que de ônibus, leva-se no máximo uma hora. Este ofício passou QUATRO DIAS viajando, provavelmente no lombo de um jabuti com artrite. No Pará, como se sabe, ainda não existe telex (lembram, dele? Duvido), fax, internet...
Mais surpreendente ainda é nada ter chegado ao conhecimento do Secretário de Segurança Pública. A toda evidência, Luiz Fernandes é do tipo centralizador, que gosta de imiscuir-se em tudo.
Por exemplo, recentemente houve a discussão sobre a implantação de monitoramento por câmeras de vídeo nas ruas de Marabá (Deus sabe o quanto precisamos delas!). Pois bem. Luiz Fernandes "botou o pé no toco", como se diz por aqui. Segundo ele a Secretaria Estadual de Segurança Pública vai fazer um planejamento "para todo o Estado" e aí incluirá o monitoramento por câmeras em Marabá. De nada adiantou falar para ele que esse sistema seria implantado em cumprimento a uma das condicionantes relacionadas à implantação da Alpa.
Ora, o homem que vem se meter em um assunto que interessa exclusivamente à Marabá, é o mesmo homem que nada sabe, nada viu sobre um caso escabroso de violência sexual contra menor cometido a poucos quilômetros de seu gabinete. Convenhamos, é difícil de engolir.
Enquanto isso, o que faz a Assembleia Legislativa do Estado? Ah, está tentando juntar os cacos depois do furacão Mônica Pinto!
E a OAB? Bem, esta continua destruindo a sua própria história, envolvida em fraudes, corrupção e outras mazelas mais.
Quanto tempo passará até novo escândalo? Não muito, eu presumo.
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