Michel Temer anda meio ocioso em Brasília, mas nem por isso diga-se que anda conspirando.
O vice de Dilma bem que tentou articular a relação do Planalto com o Congresso. Quando foi "escolhido" para formar chapa com Dilma, Temer era apresentado (principalmente, por si mesmo) como capacitado para fazer a "interlocução" da presidente com a Câmara e o Senado. Dilma e o grupo palaciano não lhe deram espaços e agora Temer passa o tempo tentando explicar ao PMDB e ao distinto público o que foi que deu errado. Fala muito; convence quase nada.
Ontem, o vice foi a São Paulo para participar da premiação da revista Isto É Dinheiro e reafirmou aquele discurso manjado de boleiro: "o grupo tá unido" e "fazendo o que o professor (no caso professora) mandou".
Temer afirmou que a relação do governo com o Congresso segue "tranquila" e que não há nada demais em deputados aliados cobrarem do Planalto a liberação de emendas. "Deputados querem levar emendas para suas regiões e o Governo começa a se preparar para liberar os recursos", disse Tamer.
O vice também disse que tem falado com os deputados de seu partido e não acredita na instalação de CPI da Corrupção. "Temos conversado com muitos deputados e não vemos disposição para isso (assinar a CPI)", afirmou.
A verdade é que a base aliada, ainda que permaneça 'base' (ou são loucos de devolver cargos, benesses, convênios e emendas?!), anda cada vez menos aliada.
A próxima crise já está contratada. Sarney afinal foi citado na operação da PF realizada no Ministério do Turismo, que levou 36 figurões para uma rápida visita àquela espécie de "sub-feudo" da Famiglia Sarney (veja próximo post). Quem vai se aventurar a confrontar o Dono do Maranhão e Senhor do Amapá?
Com Rossi, Novais e agora Sarney sob ataque o PMDB haverá de cobrar mais energia do PT e de Dilma na defesa dos aliados.
O fato da presidente ter sabido com antecedência da operação Voucher e não ter compartilhado a informação deixou desconfiados os aliados. Alguns sabem que podem ser alvos de investigações e acreditam que o Planalto deveria ao menos ter como procedimento emitir para eles leves sinais de perigo.
A postura de Dilma no caso do Ministério do Turismo, bem no estilo "explodam-se", realmente não tranquilizou os aliados e acabou fazendo vítimas até entre petistas (Marta Suplicy e sua 'quase pré-candidatura' à prefeita de São Paulo que o digam).
A ideia de uma "faxina geral" ainda ronda o planalto e ajuda a tornar mais tensa a relação entre Dilma e o Congresso.
Todos se perguntam por quanto tempo PMDB, PP e PR toparão ser "faxinados" pelo PT.
A resposta é possível que tenhamos na próxima segunda-feira. Tudo depende das manchetes das revistas semanais que chegam às bancas no final de semana.
Ainda que sobreviva por mais uma semana a unidade da base de Dilma definitivamente "subiu no telhado" e isso não é bom.
Em tempos de crise econômica, na verdade, é um péssima notícia.
Sabemos como crises políticas envolvendo esses atores são resolvidas e o momento não é nada propício para cofres abertos e gastança desenfreada para saciar o apetite de uma base em frangalhos.
Perde Dilma, mas principalmente, perdemos nós, pobres contribuintes, que sem culpa e sem jeito de escapar, haveremos de financiar a reconciliação da tal base aliada regada a muitos convênios, emendas, aditivos e outros acepipes.
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