24 de fevereiro de 2015

Protesto de caminhoneiros já se espalha por 11 estados e começa a comprometer produção e abastecimento

Segundo o relatório divulgado instantes atrás pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), caminhoneiros realizam nesta terça-feira (24) mais um dia de protestos com bloqueios em rodovias de pelo menos onze estados: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Piauí, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Em Goiás, um protesto na BR-153 durou cerca de duas horas.
Os atos, que são motivados, principalmente, pelo alto preço dos combustíveis e pelos valores pagos por frete – considerados baixos pela categoria –, começaram no Paraná no dia 13 e foram ampliados ao longo da semana. Na segunda-feira, sete estados registravam interdições.
Em São Paulo, houve um protesto na madrugada de terça na Rodovia Presidente Dutra, na altura do km 210,5, que durou apenas 20 minutos.
Os estados sentem os efeitos da paralisação. Já faltam combustíveis em postos do sudoeste e do oeste do Paraná. Parte da produção agrícola do Mato Grosso deixa de ser escoada. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, indústrias de laticínios e frigoríficos reduziram a produção por falta de matéria-prima. Em Minas Gerais, a produção de veículos foi afetada pela falta de peças, que não foram entregues.
Veja a situação em cada estado, segundo a PRF:Caminhoneiros iniciaram protestos na manhã desta terça-feira na Bahia. Há interdições na cidade de Luís Eduardo Magalhães, região oeste do estado, em três trechos de rodovias federais: na BR-242, na saída para Barreiras (km-880) e na saída para Tocantins (km-890); e também na BR-020, na saída para Brasília (km-200).
Na cidade de Feira de Santana, houve interdição na BR-116, no km 420, entre os bairros de Cidade Nova e Campo Limpo.
Nesta tarde, mais de 50 caminhões fecharam parte da Via Expressa em Salvador, no sentido ao Porto de Salvador.
Em Goiás, as manifestações haviam sido encerradas na noite de segunda-feira, mas foram retomadas perto do meio-dia desta terça. Um grupo de caminhoneiros bloqueou os dois sentidos da BR-153, na altura do km 515, em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital. O protesto neste trecho terminou às 14h. Ao todo, 6 km da rodovia ficaram congestionados, em ambos os sentidos, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Em Minas Gerais, os caminhoneiros interditavam parcialmente, nesta terça-feira, de acordo com a PRF, a Rodovia Fernão Dias, em Igarapé, na Grande BH; em Oliveira, no Centro-Oeste; e em Perdões, no Sul.
Em Santo Antônio do Amparo, na Região Centro-Oeste, há retenção do km 637,5 ao km 636, no sentido Belo Horizonte.
São registrados bloqueios na BR-262 e na na BR-040. No fim da manhã, o congestionamento chegava a 9 km em Nova Lima, sentido Rio de Janeiro, e a 2 km próximo à Ceasa, em Contagem, no sentido Brasília. Manifestantes fecharam ainda o trecho da MG-050 que liga Divinópolis a Formiga.
A manifestação na Região Metropolitana afeta a produção de veículos na Fiat pelo segundo dia consecutivo. De acordo com a assessoria da empresa, em Betim, na Grande BH, o primeiro e segundo turnos de trabalho – manhã e tarde – estão suspensos. A falta de peças impede a retomada da produção.
A paralisação no Centro-Oeste de Minas já provoca reflexos nos postos de combustíveis. Em Oliveira, pelo menos três já confirmaram que estão fechados e outros têm quantidade mínima para abastecimento.
A terça-feira amanheceu com quase 30 estradas bloqueadas no Paraná. Até as 10h10, pelo menos seis rodovias federais que fazem ligação com as cidades do interior do estado tinham pontos de bloqueio. No mesmo horário, outras 23 rodovias estaduais estavam parcialmente fechadas pelos caminhoneiros.
Por causa dos bloqueios, alguns postos de combustíveis do sudoeste e do oeste do Paraná já enfrentam desabastecimento. Naqueles em que ainda havia combustível, o litro da gasolina atingiu a casa dos R$ 5. Indústrias de alimentos, agricultores e pecuaristas do oeste, sudoeste e norte do Paraná estão suspendendo as produções. Frigoríficos em Francisco Beltrão, Dois Vizinhos e Toledo deixaram de fazer o abate de aves.
Em Marmeleiro, nesta terça um produtor teve que jogar fora 3 mil litros de leite, já que os caminhões do laticínio para quem fornece em Santa Catarina não conseguem chegar à propriedade no sudoeste do Paraná desde o dia 18.
Devido à manifestação, a prefeitura de Santo Antônio do Sudoeste, no sudoeste do estado,cancelou as aulas nas escolas municipais e interrompeu os serviços de limpeza na cidade.
Além de criticar os preços dos combustíveis, a categoria no Paraná pede a fixação do frete por quilômetro rodado e a carência de seis meses a um ano para os financiamentos de veículos de carga, entre outras reivindicações.
Em Santa Catarina, os protestos ocorrem desde quarta-feira (18). Por volta das 10h desta terça, havia 17 pontos bloqueados em rodovias federais, segundo o relatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os trechos ficam nas BRs 116, 153, 158, 163, 280, 282 e 470.
Por causa dos bloqueios, o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileito) alerta que a coleta de leite no estado pode ser 100% interrompida.
A maioria dos frigoríficos do estado deve parar a produção nesta terça-feira, segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne) e da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), Ricardo de Gouvêa.
"O prejuízo é muito grande. Hoje ainda não é possível mensurar. Ele é do tamanho de toda a cadeia produtiva", disse Gouvêa.
Os manifestantes pedem a queda no preço do diesel e melhores condições nas rodovias da região.
A Justiça Federal de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, determinou que caminhoneiros desocupem os leitos e os acostamentos de três rodovias federais da região obstruídas por protestos e bloqueios da categoria: BR-116, BR-293 e BR-392. Segundo as polícias rodoviárias federal e estadual, manifestações de caminhoneiros ocorrem em mais de 20 rodovias do estado nesta terça-feira. Em algumas delas, veículos de carga são impedidos de seguir viagem.
A paralisação dos caminhoneiros já afeta diversos setores produtivos no estado. Indústrias de laticínios e frigoríficos, por exemplo, estão com produção reduzida por falta de matéria-prima e já contabilizam prejuízos, enquanto supermercados projetam falta de produtos nas prateleiras caso a circulação de mercadorias não seja retomada.
Se o bloqueio continuar, em um ou dois dias faltará leite no mercado, estima o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do estado (Sindilat-RS). O maior frigorífico de suínos do estado suspendeu as atividades nesta manhã e 3 mil animais deixarão de ser abatidos.
Dez trechos das BRs 364, 163 e 070, em Mato Grosso, estavam bloqueados por volta das 10h desta terça-feira. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os manifestantes não deram trégua durante a noite e mantiveram as interdições nos municípios de Cuiabá, Rondonópolis, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso e Diamantino. Em Sinop, o bloqueio começou no início da manhã.
Os caminhoneiros tentam impedir, há quase uma semana, que os veículos de cargas façam o escoamento da produção agrícola. Na manhã de segunda, havia cinco trechos de interdição, e o terminal ferroviário de Rondonópolis já registrava queda no número de descarregamentos, segundo a empresa que administra o local. Os caminhões com combustíveis seguem presos em bloqueios e, como consequência, o óleo diesel acabou em distribuidora no Norte do estado.
Na manhã desta terça, foram interditados trechos de São Gabriel do Oeste, Dourados, Campo Grande e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Caminhoneiros desbloquearam, pouco depois das 11h (horário local), a BR-262, em Campo Grande. A informação é da Polícia Rodoviária Federal. Em São Gabriel do Oeste, na região Norte do estado, a rodovia está em meia pista desde às 6h30 (horário local).
A CCR MSVias, concessionária responsável pela BR-163, confirma bloqueio em Dourados, no entroncamento com a BR-463. No município, estão interditados os km 256 e 274. Também está fechado o trecho da BR-463 em Sanga Puitã. Até as 10h20 não havia informações sobre congestionamentos.
Os manifestantes prometeram interdições também em Fátima do Sul e Laguna Carapã. A PRF não confirma bloqueios nestes pontos.
Os motoristas que participam do protesto no estado montaram tendas na beira das rodovias, onde improvisaram almoço nesta terça-feira. Os organizadores do movimento afirmam que não há previsão para o término dos bloqueios.
Caminhoneiros do Piauí estão deixando de fazer viagens por causa do recente reajuste nos preços dos combustíveis em todo o Brasil. Não foram registrados bloqueios em rodovias. Segundo os motoristas, a categoria tem encontrado dificuldades para diminuir os gastos e manter lucros. Desde o início do ano, foram dois os aumentos no preço dos combustíveis.
Na tarde desta terça, os caminhoneiros também bloquearam uma rodovia no Pará. O protesto ocorre no km 2 da rodovia PA-483, a Alça Viária, no sentido Marituba-Acará. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 40 caminhões bloqueiam as pistas. A Polícia Militar está no local.
Os bloqueios também chegaram ao Ceará nesta terça-feira. Caminhoneiros realizam protesto no km 15 da BR-116, em Fortaleza.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os motoristas usam os caminhões para fechar os dois sentidos da rodovia deixando apenas uma faixa de cada lado para o trânsito de veículos pequenos, de emergência e de caminhões com carga viva.

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