Reunião encerrada agora há pouco na Câmara Municipal de Marabá deliberou por um dia de manifestações em diversos municípios da região do Carajás. A movimentação deverá ocorrer em 21 de outubro, uma segunda-feira.
A presidente do Poder Legislativo de Marabá, vereadora Júlia Rosa (PDT), coordenou a mesa formada pelo deputado federal Giovanni Queiroz, pelos deputados estaduais Tião Miranda (PTB) e Bernadete ten Catten (PT), além do secretário de Indústria, Comércio, Mineração, Ciência e Tecnolocia de Marabá, Ítalo Ipojucan e do presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá (ACIM), Gilberto Leite. Os prefeitos presentes ao evento foram representados na mesa por Pedro Paraná.
João Salame, em Belém - onde assumiu a presidência estadual do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), apoia o movimento.
Uma comissão havia realizado diversas reuniões preparatórias com o objetivo de elaborar uma extensa pauta de reivindicações que serão apresentadas a Vale, ao Governo Federal e ao Governo do Pará.
Questões como a desistência da Vale nos processos movidos contra lideranças sociais de Marabá, a criação de uma política minerária estadual, a verticalização da produção mineral, além da construção da hidrovia Araguaia-Tocantins e da implantação da Alpa, em Marabá, são alguns dos itens pleiteados pelo movimento que apresenta-se como apartidário.
Lideranças sindicais e comunitárias participaram do encontro e garantiram apoio ao movimento.
Na verdade, depois de meses de negociações visando garantir a derrocagem do Pedral do Lourenção, que viabilizará a hidrovia, os líderes regionais começam a perder a paciência com os Governos Federal e Estadual e com a Vale.
A lerdeza do trio vem trazendo enormes prejuízos para o Pará como um todo e, em especial, para a região do Carajás, fortemente impactada pelos grandes projetos que estavam projetados para os três últimos anos e que não saíram do papel.
Para completar, até mesmo o que vinha funcionando, parou. O Polo Guseiro de Marabá foi desativado. A Vale alegou a falta de carvão certificado para sustentar as operações das fornalhas e as indústrias, que empregavam quase 7 mil trabalhadores foram fechadas.
A mineradora está tratando de transferir à Votorantin a área na qual funcionava a Ferro Gusa Carajás, subsidiária da Vale. Com isso, a mineradora demonstra não ter qualquer interesse na retomada das operações com gusa na região. Por outro lado, alegando a falta da hidrovia e a demora na cessão de um lote pertencente ao Governo do Pará, a Vale parou as obras da Alpa e concentra-se em duplicar a sua estrada de ferro. Com a duplicação, estima-se que o minério de ferro existente na província mineral de Carajás poderia ser todo extraído e transportado em menos de 50 anos.
A falta de uma política mineral no Estado do Pará também é um sério entrave. Como qualquer leitor do blog sabe, mantive posição contrária à cobrança da tal "taxa da mineração", um absurdo inventado por Jatene que tornou o Pará um local ainda mais hostil aos negócios. Agora, o Diário do Pará deste domingo (29), informou que não se sabe exatamente onde foram parar os milhões arrecadados através da tal "taxa". Um escândalo que pode tomar proporções enormes.
De toda sorte, protestar é preciso e na próxima segunda-feira (7), nova reunião deverá discutir os encaminhamentos para viabilizar a manifestação. Há quem sugira protestos em todos os municípios da região do Carajás e uma grande paralisação em Marabá. Considerando os ânimos dos presentes à reunião, a radicalização não está descartada.
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