24 de outubro de 2012

Vale lucra mais de R$ 11 bi no primeiro semestre de 2012

A Vale acaba de divulgar o balanço do segundo trimestre do ano passado. O lucro líquido foi de R$ 5,180 bilhões, um resultado acima da expectativa.
A receita operacional no segundo trimestre foi de R$ 23,9 bilhões. No primeiro semestre, o lucro líquido foi de R$ 11,797 bilhões. A Vale afirma ser "um resultado robusto".
Mas, o mercado não pensa assim. O anúncio dos resultados da mineradora não interromperam o viés de baixa das ações da empresa na Bovespa. Culpa dos chineses. Pelo sétimo semestre seguido, a China cresce muito abaixo do esperado. Principal destino do minério de ferro - principal commodity fornecida pela Vale - a China, segundo os especialistas, pode estar reduzindo fortemente seu crescimento e esta desconfiança empurra para baixo o valor das ações da Vale no mercado. Pior: pode fazer com que a Vale reprograme seu cronograma de investimentos.
Segue o comunicado da Vale:
A Vale S.A. (Vale) apresentou desempenho robusto em face aos desafios de um ambiente de preço mais baixos e os problemas operacionais em ativos de metais básicos e carvão.
A produção e as vendas de minério de ferro registraram recuperação, enquanto que foram alcançados marcos relevantes para o desenvolvimento de nossos projetos mais importantes, incluindo Carajás S11D. Além disso, continuamos a racionalizar o portfólio de ativos com o objetivo de otimizar a alocação de capital.A receita operacional, lucro e margem, bem como o fluxo de caixa melhoraram em relação ao 1T12.
O lucro líquido sofreu forte impacto contábil não caixa decorrente da desvalorização do real, nossa moeda funcional para fins contábeis, contra o dólar norte-americano.
Por outro lado, a apreciação do dólar norte-americano contra o real, o dólar canadense e outras moedas, que representam cerca de 80% dos nossos custos operacionais, contribuiu favoravelmente para o fluxo de caixa. Dado que praticamente 100% de nosso endividamento é denominado em dólares americanos ou convertida para dólares americanos através de swaps, não há efeito material sobre a dívida.
O desinvestimento de ativos, que concorre para melhorar a alocação de capital e é também uma fonte de criação de valor ao acionista, produziu perdas contábeis não recorrentes no trimestre.
Continuamos a desenvolver um grande portfólio de projetos que visa atender a demanda decorrente da dinâmica de crescimento de longo prazo das economias emergentes com um importante foco na maximização da criação de valor.
Os principais destaques do desempenho da Vale no 2T12 foram:
■ Os embarques de minério de ferro alcançaram 63,0 Mt, 14,9% maior do que o 1T12.
■ Recorde de vendas de pelotas para um trimestre, 12,3 Mt, 13,1% acima do recorde anterior no 4T11.
■ Receita operacional de US$ 12,2 bilhões, 7,2% acima do 1T12.
■ Lucro operacional, medido pelo EBIT ajustado(a) (lucro antes de juros e impostos), de US$ 3,9 bilhões. Excluindo os efeitos não recorrentes de perdas contábeis, o EBIT ajustado alcançou US$ 4,3 bilhões, 11,7% maior que o 1T12.
■ Margem do lucro operacional ajustado de 36,2%, medido pela margem EBIT, após excluir as perdas não recorrentes.
■ Lucro líquido de US$ 2,7 bilhões, equivalente a US$ 0,52 por ação. Se isolarmos a influência de efeitos não caixa, o lucro antes de impostos seria de US$ 4,0 bilhões, 5,7% acima dos US$ 3,8 bilhões no 1T12.
■ Geração de caixa, medida pelo EBITDA ajustado(b) (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de US$ 5,1 bilhões. Excluindo as perdas contábeis não recorrentes, a geração de caixa totalizou US$ 5,5 bilhões, 10,7% maior do que o 1T12. Nos últimos 12 meses terminados no dia 30 de junho de 2012, o EBITDA ajustado foi de US$ 27,1 bilhões.
■ Investimentos, excluindo aquisições, de US$ 4,3 bilhões no 2T12, 16,6% acima do 1T12. No 1S12, os investimentos alcançaram US$ 8,0 bilhões, 17,5% acima dos US$ 6,8 bilhões no 1S11.
■ A primeira parcela da remuneração mínima aos acionistas de 2012, US$ 3,0 bilhões, foi paga no dia 30 de abril de 2012.
■ Manutenção de um balanço sólido com baixa alavancagem, medida pela relação dívida total/LTM EBITDA ajustado, igual a 0,9x, e um longo prazo médio da dívida de 9,4 anos, e baixo custo médio, 4,61% por ano em 30 de junho de 2012.

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO
R$ milhões
2T11
1T12
2T12
Receita operacional     24.481     20.095     23.910
Impostos          (568)          (504)          (504)
Receita operacional líquida     23.913     19.591     23.406
Custo dos produtos vendidos       (9.057)     (10.049)     (11.671)
Lucro bruto     14.856        9.542     11.735
Margem bruta (%)
62,1%
48,7%
50,1%
Receitas (Despesas) operacionais      (2.410)      (2.652)      (3.906)
Vendas            (70)            (91)          (255)
Administrativas          (624)          (843)          (952)
Pesquisa e desenvolvimento          (580)          (527)          (708)
Outras despesas operacionais, líquidas       (1.136)       (1.191)       (1.223)
Ganho na venda de ativos               -               -          (768)
Lucro operacional     12.446        6.890        7.829
Resultado de participações societárias           651           437           310
Resultado financeiro líquido           895           221      (5.144)
Lucro antes do Imposto de Renda e Contribuição Social     13.992        7.548        2.995
IR e contribuição Social       (3.812)          (931)         2.186
Resultado das operações descontinuadas               -               -               -
Participações minoritárias              95            103            133
Lucro líquido     10.275        6.720        5.314
Lucro por ação (R$)          4,08          1,27          1,04

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