Teoricamente, de janeiro em diante, as transferências dos recursos do fundo aos estados serão bloqueadas, caso o Congresso não aprove nova lei.— Eu formulo votos de que haja uma deliberação no tempo estabelecido pelo STF e assim possamos realmente avançar nesse diálogo institucional. Foi dado esse prazo de 36 meses. Inicialmente a proposta era de 24 meses. Parece-me que seria interessante que houvesse um avanço nesse sentido, se for possível um consenso político em torno da matéria — aconselhou Gilmar Mendes, logo após palestra proferida no encerramento do seminário Desafios do Federalismo Brasileiro, promovido nos últimos dois dias pelo Senado e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no auditório do Interlegis.A declaração foi dada em resposta a jornalistas que procuravam um sinal do Supremo a respeito de iniciativas como a do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que está sugerindo ao Congresso pedir uma prorrogação das atuais regras por mais dois anos, prazo durante o qual se buscaria um acordo, especialmente na Câmara.
Presente ao seminário, O professor de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) Sérgio Prado disse ter a impressão de que o STF não vai prorrogar o prazo. E sugeriu que o Congresso trate do assunto com prioridade logo após o segundo turno das eleições municipais. O secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Renato Villela, foi na mesma linha. No seu entender, seria inconveniente o STF dar mais tempo aos parlamentares. Na opinião dele, o Supremo até inovou em estabelecer um prazo para que o Congresso se posicione sobre o FPE.
De acordo com o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Rezende, o sistema tributário e a distribuição de recursos são muito complexos. Isso motivou os estados a encontrarem caminhos, como a "substituição tributária". A seu ver, dada a importância do assunto, não se deve “empurrar a questão com a barriga”.
- Temos de encontrar soluções – cobrou o economista.
Em seu pronunciamento, Gilmar Mendes disse esperar que o Congresso Nacional avance numa solução adequada para o equilíbrio nacional quando tratar dos royalties do petróleo e do FPE, temas que devem ser interligados. Na opinião dele, o país se ressente de soluções para as questões federativas.
Para Gilmar Mendes, ao dar um prazo para a manifestação do Legislativo, o STF não está indo além dos limites. Ele lembrou que aquela corte já julgou 14 ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) sobre equilíbrio fiscal nos últimos anos.
- É preciso encontrar um caminho para esse assunto, que é importantíssimo para o federalismo – declarou.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que os senadores têm a percepção clara do problema do federalismo. Ela lamentou, porém, que o debate sobre a questão seja realizado com foco na relação União e estados. A parlamentar reconheceu que os estados têm problemas, lembrando a dívida que têm com a União, mas pediu mais atenção com os municípios. A senadora agradeceu pela presença do ministro Gilmar Mendes e disse que as críticas veladas à omissão do Congresso em relação ao FPE devem motivar uma autocrítica por parte dos parlamentares.
- A construção política para uma saída será melhor do que um pedido para prorrogação de prazo ao STF – disse a senadora.
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