21 de junho de 2012

Menino que "ressuscitou" no Pará será exumado amanhã. Médicos acreditam em catalepsia

O corpo do menino Kelvys Santos, de dois anos de idade, considerado morto no dia 1º de junho, mas que, segundo familiares, teria levantado durante velório na Ilha de Cotijuba, distrito de Belém, deve ser exumado nesta sexta-feira (22).
A criança foi dada como morta por um hospital em Icoaraci, distrito de Belém, e teria levantado do caixão durante velório na ilha de Cotijuba.
A delegada que investiga o caso disse que vai ouvir primeiro o depoimento dos pais do menino Kelvys Santos e depois das pessoas que teriam visto a criança se mexer no momento do velório.
O menino morreu no Hospital Abelardo Santos com problemas respiratórios, conforme informou o atestado de óbito emitido pela unidade de saúde do Estado. No sábado (2), os pais levaram o corpo para sepultar na ilha de Cotijuba, onde a criança teria acordado e pedido água.Os pais o levaram novamente a um médico local na ilha, que confirmou que o menino já estava morto há algumas horas.
Para médicos e psicólogos, duas explicações podem ser dadas para o fato inusitado: catalepsia ou delírio coletivo.
Catalepsia ou paralisia do sono é uma doença em que os pacientes entram em estado de sono tão profundo que os batimentos cardíacos enfraquecem e podem deixar de serem ouvidos.
Já delírios coletivos são marcados por momentos em que vários indivíduos têm, ao mesmo tempo, dificuldade de lidar com a realidade e compartilham "lembranças" que, na verdade, não existem.
A pediatra Laélia Feio Brasil, da Universidade Federal do Pará, diz que nunca teve notícias de casos de catalepsia entre crianças, mas em adultos é possível que ao despertar e sem atendimento médico adequado, o paciente venha a óbito. "O tempo sem assistência médica pode fazer com que o indivíduo com catalepsia realmente morra", considera.
Segundo os pais da criança, após três dias com febre e dificuldade de respirar, Kelvys Santos, foi levado pela família ao hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, distrito de Belém.
Em nota, o hospital disse que, após ser diagnosticado com desidratação e pneumonia, o menino recebeu tratamento com aerossol e teve uma parada cardiorrespiratória. A médica de plantão realizou os procedimentos de reanimação da criança, porém sem sucesso. O óbito foi constatado às 19h40 e o laudo médico aponta como causa da morte "insuficiência respiratória, broncopneumonia e desidratação". O corpo do menino foi liberado às 23h08.
Durante o velório do garoto, realizado na propriedade da família na ilha de Cotijuba, o menino teria se sentado, perguntado pelo pai e pedido água. "Nunca tinha visto alguém dentro de um caixão se levantar, sentar, pedir água. Fui eu quem deu água pra ele e ele engoliu tudo sem ajuda", conta Maria da Conceição Barbosa, tia da criança.
Segundo a mãe, Telma Costa, após chegar em casa, a família retirou pedaços de algodão da garganta e do nariz de Kelvys e, a partir daí, familiares teriam notado que o corpo do menino estava quente em alguns pontos.
Ela denuncia que o atendimento médico após a reanimação do filho não teria sido adequado. "Chamamos o médico duas vezes e ele não veio, depois disse que ele estava morto. Ele disse que não poderia sair do consultório para ver o doente".
Edson Silva, técnico de enfermagem que atendeu a família quando chegaram ao posto de saúde local, disse que foi o pai, Antônio Carlos dos Santos, quem carregou a criança quando chegaram ao centro de saúde.
"Pela história que eles contaram, pensei que havia alguma verdade, então coloquei ele no oxigênio e o médico examinou o menino e constatou que ele estava morto há várias horas", revelou.
A direção do Hospital Abelardo Santos disse que também tem interesse em esclarecer o episódio, o que só será possível se a família entrar com uma ação na Justiça, para que haja exumação do corpo do bebê.
Segundo o delegado Rogério Moraes, agora responsável pelo caso, a autorização para a exumação foi concedida pela Justiça nesta quarta-feira (20) e os procedimentos necessários estão sendo agilizados para que a exumação aconteça ainda nesta sexta-feira (22).
"A exumação é essencial para o caso porque com a análise do cadáver, talvez - e sobre isso é impossível ter certeza absoluta - possamos ter novas informações que ajudem a solucionar o caso", considera o delegado.
Ainda segundo a polícia civil, há uma última testemunha a ser ouvida. Um agente da funerária que realizou o translado do corpo de Kelvys deve ser ouvido ainda esta semana. "Nesse translado ele teve contato com o corpo do menino e pode ajudar a entender melhor o que aconteceu", explica Rogério Moraes.

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