19 de dezembro de 2011
Na revista Veja, o jornalismo investigativo deu lugar ao "jornalismo especulativo". Logo chegará a vez do "jornalismo manipulativo"
Sempre achei injustas ilustrações como essas feitas contra a revista Veja. Mas, de uns tempos para cá, não sei por que cargas d'água, Veja vem realizando esforços consideráveis para merecer esses votos de repúdio.
E a revista desta semana conseguiu mais uma vez me surpreender. Pena que não foi favoravelmente.
Vejam lá.
Uma das matérias da revista é "Impunidade anunciada: a articulação do PT para absolver a quadrilha do mensalão".
A "acusação" de Veja está clara desde a manchete e torna-se ainda pior no correr do texto.
Não vou reproduzir. Quem quiser pode ler o original no site da revista.
Chamo a atenção apenas para o absurdo de uma revista, sem provas de qualquer natureza, pretender colocar sob "suspeição" a mais alta Corte de Justiça do País. Tudo para realizar uma "vendetta" contra um antigo membro do Governo Federal.
Sim, porque está claro que Veja, através de seus colunistas e blogueiros - e agora sua redação - está participando ou ao menos julga estar participando de uma "cruzada" contra Zé Dirceu.
Nesta espécie de "guerra santa"está valendo tudo.
Já houve tentativa de invasão de um quarto de hotel onde estava hospedado Zé Dirceu. Já houve o "abafa geral" em relação ao livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr que mostra tucanos distraindo-se com "off-shores" e agora vem esta matéria que não honra nem lustra o passado de Veja.
Afirmar que Ricardo Lewandowski está à serviço de Zé Dirceu é temerário e quando isso vem em função de uma alegada "proximidade" entre o ministro e o Planalto (a mãe do ministro foi vizinha da ex-primeira dama Marisa Letícia!), a coisa toma ares de uma "teoria da conspiração" que aos poucos vai corroendo a credibilidade de Veja.
Os autos do mensalão formam uma montanha de documentos organizados em dezenas de volumes. A mera leitura das peças já será uma tarefa hercúlea. O próprio presidente do Supremo, Ministro Cezar Peluso prevê que este será um dos mais longos julgamentos da história do Supremo. A maioria dos réus são primários e com bons antecedentes. Juntando tudo isso, a conclusão é clara: POR CONTA DA LEI VIGENTE MUITOS MENSALEIROS TERÃO SEUS CRIMES PRESCRITOS.
Estão insatisfeitos com isso? Mudem a lei! Caso queiram ceder à estupidez, agravem as penas para esses delitos! Isso pode!
O que não pode é desrespeitar-se o Estado Democrático de Direito, ainda que seja para punir um notório criminoso.
Sempre será preferível que um bandido escape à punição se para puni-lo for preciso violar a Lei!
Veja afirma ainda que o fato de Rosa Maria Weber Candiota, recém empossada ministra do Supremo, ser oriunda da Justiça do Trabalho a torna incapaz de julgar uma ação penal! Essa tese é tão ordinária que não merece comentários!
A única possibilidade que me ocorre neste momento é que Veja não busca apoiar o julgamento justo para Dirceu e seus parceiros. A revista prefere o linchamento. Para Dirceu, Veja prefere um julgamento sumário! Uma bala na nuca em um beco escuro qualquer da institucionalidade!
É importante que se diga: Veja está errada!
Ninguém merece (nem o pior pedófilo) um processo sumário. Todos merecemos um julgamento justo, com decisões promanadas de juízes devidamente esclarecidos quanto aos fatos e às razões da defesa.
O que Lewandowski disse é que levará tempo para que as peças sejam analisadas tanto pelo relator quanto pelo revisor, figura que existe em casos de ação penal originária da Suprema Corte. A partir daí é pura especulação.
Havendo provas de qualquer falcatrua por parte de qualquer ministro do Supremo é dever da imprensa informar; mas, especular de forma leviana, sobre a integridade de qualquer dos membros da Suprema Corte é péssimo para o jornalismo e ainda pior para a democracia.
Veja já praticou o bom jornalismo investigativo. Hoje, pratica o jornalismo especulativo, irmão do jornalismo manipulativo, ambos filhos da mistificação política. Uma pena.
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