16 de dezembro de 2011

Após mais uma reunião em Brasília, a hidrovia segue em compasso de espera, como se antecipou aqui.


Bem, queridos, confesso que às vezes gostaria de errar feio nas avaliações que faço aqui. Infelizmente, não será desta vez que ficarei feliz por ter errado.
Falo isso a respeito da reunião entre a bancada paraense e a ministra Miriam Belchior para discutir a reinclusão das obras da hidrovia Araguaia-Tocantins, marcada para ontem (15) que decorreu como o previsto. Ou seja, todos tiveram o prazer de externar suas mais profundas e sinceras convicções sobre a necessidade do empreendimento e de sua condição estratégica para o desenvolvimento de Carajás e, sem exagero, do País.
Mas, ao fim e ao cabo, nada, rigorosamente nada de novo e concreto foi aventado. Lembrou certa dança muito popular na França do século XVIII, como se vê adiante.

A dança em questão é o "minueto", que esteve em voga na corte de Luis XIV e baseava-se em movimentos  de distanciamento e aproximação embalados por suítes e sinfonias. Ora vejam se a história da Hidrovia não se assemelha a esta dança!
É de pasmar, mas as mesmíssimas informações fornecidas pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, sessenta dias atrás formaram, hoje, o discurso de Miriam Belchior.
No dia 9 deste mês no texto "Na quarta (14), Governo Federal recebe bancada paraense no Congresso para discutir hidrovia. Segue o jogo de cena!" afirmei que "como se vê, não depende de Jatene "mobilizar" a bancada do Pará "em defesa da hidrovia" para "conscientizar a presidente Dilma" da importância deste investimento (nesta reunião, por exemplo, ele é que foi "mobilizado"!). Trata-se de uma decisão política mais complexa e para influenciá-la depende de algo mais que "pressão" política. É preciso ter recursos para bancar ao menos parte desta obra. E o Parazão, grandão, ricão e "pujante" não tem nem o do cafezinho!"
Disse mais: "Ao final da reunião da próxima quarta, Miriam Belchior dirá ter absoluta consciência da importância da obra e que o Governo estuda como viabilizá-la; Jatene dirá que fez "de tudo" para "conscientizar" a ministra e que devemos todos "nos unir" para "pressionar" o Governo Federal; os parlamentares dirão que cumpriram o papel de reivindicadores e que agora o busílis está nas mãos do Governo Federal; este por fim passará a responsabilidade para a Vale que, como tem a Estrada de Ferro Carajás já em ampliação, não tem com o que se preocupar! Resumindo a ópera: Hidrovia hoje, só amanhã!"
A ministra, apesar do louvável esforço de lideranças como Flexa Ribeiro, Ana Júlia Carepa e Ítalo Ipojucan, mantém a posição de "reavaliar" os custos da obra e de "dividir" com as empresas interessadas a execução do empreendimento. Essa era e continua sendo a posição oficial do Governo Federal e não será a "união" de mãos, corações ou outros órgãos da anatomia humana ou política que mudarão este fato.
Já disse que o Governo Federal espera da Vale um envolvimento nas políticas desenvolvimentistas estatais que uma empresa privada de capital aberto dificilmente se disporia a demonstrar.
Quanto a esta reavaliação, dificilmente a teremos antes de fevereiro e, a partir daí, começará a queda de braço com a Vale.
Afirmei aqui que em 2012 haverá a oportunidade de, através da compra de parte do capital votante da Vale, os fundos de pensão passarem a controlar a mineradora. Isso na prática a tornaria uma "estatal" de novo. Neste caso, Dilma poderia impor que a Vale assuma parte da conta. Acreditem: Esta é uma das apostas do Planalto.
Miriam Belchior disse que "não acredita" que a Vale se negue a arcar com os custos da hidrovia. Que ninguém tome esta afirmação pelo seu valor de face. Esperavam o quê? Que a ministra deitasse falação contra a "intransigência" da Vale? Trata-se de uma forma polida de expressar esperança, mas está longe de ser uma garantia definitiva.
A melhor alternativa seria o Governo do Pará mostrar que tem interesse real e recursos não menos reais para bancar parte da obra. Colocando dinheiro sobre a mesa, o Pará poderia exigir que os demais envolvidos fizessem o mesmo.
Esta seria a alternativa mais rápida e viável para concretizar a hidrovia.
Ocorre que, como se lê acima, o Parazão velho de guerra, "unido"e grandão, não tem (e não busca alternativas verdadeiras para ter) recursos para arcar com, digamos 25% deste empreendimento.
Assim, ficamos nós em compasso de espera, cheios de boas perspectivas e limitados por este estranho minueto que dançam a Vale e os governos estadual e federal.
Uma nota curiosa para encerrar: Repercute a ausência da Prefeitura de Marabá nesta audiência. Entendo que antes de vermos o início das obras da hidrovia, muitas outras ocorrerão, assim, espero sinceramente que a "limada" que levou Maurino Magalhães na reunião de hoje não seja sintoma daquelas "chagas" e "feridas" que Jatene falava em sua "carta" tristemente famosa. Seria terrível admitir que, por conta do plebiscito e de outras coisinhas mais, mesmo a relação institucional entre Marabá e o Pará de Jatene tenha sido interrompida.

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