22 de outubro de 2011

Veja volta à carga contra Orlando Silva. Mas, não há "batom na cueca".

Durante esta semana aguardei com ansiedade a nova edição de Veja. Confesso que esperava (e escrevi isso aqui) que a novela escrita pela revista em torno da corrupção no Ministério do Esporte tivesse mais um capítulo bombástico. Durante a semana o acusador José Dias Ferreira compareceu à PF e disse ter entregue provas dos fatos que alega. A PF desmentiu o homem. Achei então que seria para Veja e não para a PF que Ferreira entregaria as tais provas. Realmente assim se deu.
Na edição desta semana, Veja exibe gravações que Ferreira diz ter feito em uma reunião no Ministério, na qual combina uma estratégia de defesa com a aparente conivência de funcionários do ministro. Parece sério. E é.
Mas, é muito menos que a expectativa criada pela avalanche de golpes desferidos contra Orlando Silva.
Funcionários pegos em mancomunações esquisitas com espertalhões aparecem em todo lugar. Provada a culpa deverão ser afastados.
Outra coisa bem diferente é a história contada por Ferreira que colocava Orlando Silva na cena do crime.
As provas fornecidas por Ferreira à Veja, como diria Nelson Rodrigues, não são do tipo batom na cueca.
Orlando cairá?

Acredito que sim. Já disse aqui que "Orlando cai por conta de seus pecados (alegados ou provados), claro, mas cai também por ter entrado em rota de colisão com a FIFA, CBF e Ricardo Teixeira, além de estar à frente de um ministério considerado o patinho feio da lagoa até a Copa de 14 e a Olimpíada de 16 serem confirmadas para o Brasil. A partir daí passou a ser cobiçado por vários partidos, incluindo o PT".
Mas, diferente dos outros ministros abatidos rapidamente pelo denuncismo de Veja, Orlando Silva vem dos movimentos sociais (foi presidente da UNE e da UJS, braço estudantil do PCdoB) e está demonstrando um vigor inesperado para lutar pelo cargo, ou como ele diz "pela honra e pelos 92 anos de história" de seu partido.
Por outro lado, Agnelo Queiroz, governador petista do DF conseguiu manter-se fora dos noticiários até agora.
Mas a reportagem de IstoÉ coloca Agnelo Queiroz não apenas no centro da história, como no comando do esquema de corrupção que teria beneficiado o PCdoB, mas do qual também beneficiou-se o PT. O conteúdo desta matéria parece ser mais relevante que as gravações de Veja.
Todas essas nuances permearão o noticiário (real ou faccioso) da próxima semana.
Para desespero de Orlando Silva o assunto ainda está longe de ser encerrado.
A nota trite nesta história é que não falta "manchetismo". Quanto ao bom jornalismo, bom, trata-se como se sabe de artigo raro nestes dias que correm e depois de ler a matéria de Veja esta semana, a sensação que tenho é que o "manchetismo" marcou mais um tento e a montanha pariu um rato.

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