19 de agosto de 2011

Como as análises de Kennedy Alencar e FHC determinam a morte da política

Já disse uma vez e repito agora: existem explicações feitas para esclarecer os fatos e existem explicações feitas para distorcer os fatos.
Vejam o que vai escrito na coluna de Kennedy Alencar de hoje na Folha:

"Surtiu efeito a correção de rumos na articulação política do governo Dilma. Uma crise que se anunciava pior do que a do Ministério dos Transportes acabou contornada de modo profissional. Houve, de fato, uma melhora na relação entre a presidente e o PMDB."

Ao leitor desatento fica parecendo que a crise acabou graças à capacidade de Dilma em dobrar o PMDB a sua vontade, sanear os setores corrompidos do governo e inaugurar uma nova fase de sua administração, desta vez baseado nos mais elevados princípios éticos.
Expressões como "correção de rumos"e "modo profissional" passam a impressão que os rumos eram errados e a condução, amadora. Agora, tudo planificado o governo decola rumo a um céu de brigadeiro.
Viesse de um desinformado e ingênuo escrivinhador ainda seria perdoável, mas, quando a coluna é assinada por alguém como Alencar, pop-star entre os jornalistas, a coisa toda fica insuportável.
Senão, vejamos.



Lembremos que a crise não foi solucionada. Isso apenas se dará quando Dilma tiver coragem (e não terá!) de fazer a limpeza completa de diversos ministérios (Transportes, Turismo, Cidades e Agricultura são apenas os focos já identificados; outros podem existir).
Dilma foi encurralada pelo PMDB e, na verdade, CEDEU À PRESSÃO.
O governo nomeou Mendes Ribeiro não por ser ele conhecedor profundo dos meandros da Agricultura nacional; Mendes Ribeiro foi nomeado por ser do GRUPO POLÍTICO DE MICHEL TEMER, aquele que havia indicado Rossi Sorrisão.
O PMDB (e com ele todos os demais partidos aliados do PT) melhorou o humor em relação ao governo porque Dilma garantiu aos líderes da base aliada a liberação de 1 bilhão em emendas parlamentares e mais 450 milhões de restos a pagar.
Lembre-se que ao assumir Ideli pretendia reduzir em mais de 60% o valor das emendas parlamentares individuais e de bancada.
Onde a mudança de rumo?
Onde o modo profissional?
O rumo permanece inalterado e o modo somente pode ser considerado profissional quando inserido na oração o termo "fisiologismo".
Em outra vertente, FHC, que sigo respeitando apesar de algumas bolas chutadas nos refletores (aquela história de liberar as drogas ainda renderá um post aqui no blog), também foi infeliz ao sugerir que o PSDB retire seu apoio à CPI da Corrupção.
Para FH a CPI "empurraria" Dilma para os braços dos mais corruptos. Ora, FH, a expressão empurrar sugere alguém sendo tocada em uma determinada direção contra sua vontade.
Os fatos, contudo, gritam que DILMA E LULA ESCOLHERAM A DEDO ESSES ALIADOS E COM ELES FIZERAM ACORDOS.
Lula e Dilma sabiam o risco que corriam. Fizeram essas escolhas como forma de garantir a vitória eleitoral. Agora, precisam viver com suas escolhas. Diga-se, que viveriam muito bem e satisfeitos se essa "maldita imprensa livre" não vivesse xeretando por aí.
FHC e Alencar, cada um a sua maneira também foram contaminados por esses "novos tempos" na política brasileira, nos quais o rabo balança o cachorro e todos achamos tudo normal. Pior. Com suas ideias e análises matam a luta política em nome de uma certa "governabilidade" que não lhes pertence.
A crise amainará graças às torneiras abertas por Dilma e, então, quando as emendas jorrarem e as acusações forem esquecidas (falando nisso por onde anda Palloci?), quem dividirá o bônus eleitoral será a base aliada, a mesma que pressionou Dilma. Aos partidos da oposição restará o desgaste com seus eleitores que votaram neles justamente para contrapor-se ao governo.  
Insisto: Oposição foi eleita para opor-se; Situação foi eleita para governar. 
Que cada um fique no seu quadrado.

Em tempo:
Sou sempre a favor de qualquer CPI. O que de pior pode acontecer quando instaurada uma CPI é não apurar nada. No mais, o dólar não sobe ou desce por conta de CPI's.
Agora mesmo, o PT colhe assinaturas para instaurar a CPI da Alepa envolvendo Juvenil e Mario Couto. 
Já vi fotos da deputada Bernadete assinando a dita-cuja. 
Muito bem, deputada. Parabéns. 
Seus eleitores com certeza gostaram da sua atitude.
Agora para tirar o dez com louvor peça ao seu parceiro deputado Zé Geraldo e à bancada do PT que façam o mesmo no Congresso Nacional e assinem a CPI da Corrupção. Que tal?
    

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