18 de agosto de 2011

Tendo a estupidez como guia

Debates podem ser feitos com argumentos bons ou ruins, fracos ou fortes, mas, debates NÃO podem ser feitos com argumentos estúpidos.
Na terça passada a Assembléia Legislativa do Pará realizou uma “audiência pública” para discutir “ações contra a divisão do Pará”. A tal audiência foi requerida pelo deputado Celso Sabino.
Este blog noticiou o evento (Leia aqui) e destacou algumas das “aspas” inseridas no texto.
Uma delas, da lavra do ex-deputado e atual vereador de Belém, Nadir Neves me chamou a atenção.
Vejam o que a estupidez faz com quem por ela se deixa guiar:
"A maioria dos crimes cometidos no interior são praticados por forasteiros que a gente acolhe tão bem aqui. Temos é que rever essa política de recepção de gente de fora e não dividir o Estado”




O “raçoçinho” de Nadir deve ser dividido em duas partes.
Em primeiro lugar, para ele, o alto índice de criminalidade no Sul e Oeste do Pará decorre da presença desses que ele denomina “forasteiros”.
Ora, caso tivesse a pachorra de ler as orelhas de um manual de sociologia e antropologia ou conhecesse minimamente a história da cidade que ele, agora, diz representar, Nadir saberia que o Pará sempre foi um cadinho de raças diversas compondo um mosaico espetacular de sons, cores, sabores, saberes, etc.
Ainda não investiguei, mas é possível que a família de Nadir tenha vindo para o Norte fugindo da grande seca que assolou o Nordeste nas duas primeiras décadas do Século XX, “forasteiros”, portanto.
Nadir devia saber que a criminalidade avança em QUALQUER LUGAR QUE O ESTADO ESTEJA AUSENTE. Não é o fato de ser ou não ser “forasteiro” que determina o bandido e sua prática delituosa. O criminoso comete o crime, adivinha vereador, por ser CRIMINOSO e o cometerá no lugar em que julgar HAVER MAIS FACILIDADE PARA ESCAPAR IMPUNE.
Como o Estado do Pará não tem competência e nem capacidade de oferecer os serviços de Segurança Pública e Justiça, os bandidos agem mais intensamente aqui.
Pouco mais de 10% do efetivo policial necessário para oferecer segurança está aquartelado no Sul do Pará; no oeste o número chega a 14%. Em compensação residem nas duas regiões mais de 40% da população.
Abandonadas pelo Poder Público do Pará por décadas, as regiões Sul e Oeste do Pará vivem o estranho paradoxo de, conhecendo seu potencial, vê-lo ser desperdiçado ano após ano para sustentar uma idéia fantasiosa de “Pará Gigante” que ao escolher o destino dos investimentos sempre elege Belém.
Este cenário de absurdo desequilíbrio entre oferta e demanda de serviços públicos repete-se em áreas nevrálgicas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
É este desequilíbrio que gera violência, Nadir.

Segunda parte

O desdobramento do “raçoçinho” de Nadir é ainda mais perigoso. Ele pretende FECHAR AS FRONTEIRAS DO PARÁ E IMPEDIR A ENTRADA DE MIGRANTES.
Como este ser “iluminado” pretende fazer isso?
O Pará proclamará sua independência?
Nadir virá para a fronteira exigir “passaporte” aos que chegam?
Quanta tolice é necessária para se fazer um vereador em Belém?
Está explicado porque o eleitor do Oeste do Pará retirou o mandato de Nadir...
Nadir com certeza não sabe, mas o maior gestor de Belém, em todos os tempos, foi Antônio Lemos e Lemos era maranhense.
Pelos critérios tortos de Nadir, teríamos sido privados de Lemos e de tantos outros “forasteiros” que enriqueceram e enriquecem essa terra com trabalho e dedicação.
Toda essa discussão em torno da criação de Carajás teria sido evitada se políticos como Nadir Neves estivessem fora do Poder. Com eles ascendem o preconceito, a estupidez, a intolerância e a incompetência.
É possível que ao contar-se os votos em dezembro a maioria dos eleitores escolha manter tudo como está.
Espero que isso não aconteça. Seria uma pena.
Entendo, hoje, que a divisão de fato já foi estabelecida e o caminho de volta, ao meu sentir, não pode mais ser percorrido.
A cada argumento que ouço percebo quão longe esta região sempre esteve de ser entendida pelos políticos e moradores de Belém. E nada indica que este estado de coisas mudará.
Nossas regiões são vistas, por Belém, como áreas inóspitas, celeiros de votos e proventos. Não nos conhecem e não nos querem conhecer.
Contra este desconhecimento só existe um remédio: esclarecimento em doses cavalares. Ou os que querem criar os novos estados inundam Belém com informações sobre o real abandono a que nos relegaram, ou a guerra estará perdida.
E aí, quem vencerá mesmo será a estupidez.

Um comentário:

  1. Comentário digno de chefe da quadrilha que ele comanda.
    Cadeia é o que merece esse xenófabo ordinário.

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