16 de outubro de 2011
No Primeiro Mundo a farra acabou. É hora de pagar a conta.
Quem acompanha, ainda que à distância, as notícias sobre economia não se surpreende com as manifestações violentas dos "indignados" do Primeiro Mudo.
Por anos, seus governos os mantiveram gordos, sadios, empregados e com crédito farto. Fizeram isso através de um troço conhecido como "financiamento do déficit público". Agora a farra acabou. Chegou a hora da ressaca. E principalmente, de saber quem paga a conta.
Funcionava assim: Para sustentar o "estado de bem-estar social" países ricos emitiam "títulos da dívida pública" que eram vendidos aos bancos com a prazo de resgate e juros pré-fixados; como durante os últimos 40 anos a economia mundial viveu um ciclo de expansão mais ou menos contínuo, o crédito esteve sempre à mão. Assim era possível "rolar" a dívida emitindo mais papéis que eram vendidos aos bancos e o ciclo continuava.
A crise imobiliária americana de 2008 interrompeu este ciclo e enfraqueceu os bancos. Para equilibrar suas contas, os bancos passaram a "cobrar" a fatura dos governos de duas formas: exigindo o resgate dos títulos ou cobrando medidas de austeridade fiscal e controle de gastos por parte dos governos para emprestar-lhes mais dinheiro. Os governos não podem resgatar suas dívidas sem cortar benefícios sociais e previdenciários e enxugar gastos com obras e pessoal. O sistema entrou em transe.
Países como Portugal e Grécia foram os primeiros a sentir os efeitos desse tsunami. Esses países financiaram o seu padrão de vida com dinheiro caro e alheio. Viveram por alguns anos no paraíso e agora descem ao inferno.
Espanha, Itália e França são os próximos na lista de países que deverão cortar privilégios para equilibrar as contas públicas.
Os Estados Unidos constituem um caso à parte. A crise de 2008 ainda mostra seus efeitos nos índices de desemprego e na desaceleração do comércio e da indústria. O governo Obama, histórico antes mesmo de começar, prometeu o céu e entrega o inferno aos americanos. Não é por acaso que Obama apoia e incentiva os "indignados" americanos. Obama, perdido no Congresso Americano, tenta reverter a situação usando as "massas nas ruas".
A fúria nas ruas de Roma e NY está explicada. Uma geração inteira de europeus e americanos viveu sob as benesses de "estados provedores" e não está querendo fazer sacrifícios.
A geração pós-II Guerra foi obrigada a reconstruir a Europa a partir de escombros. Com ideias inovadoras e muito empreendedorismo ergueram um colosso. E é este colosso que balança agora.
Os "indignados", lá como cá, expõem o problema mas não integram a solução. Isso porque não possuem algo essencial para ajudar a resolver uma crise: Pauta definida.
São "contra tudo o que aí está". É pouco diante da crise que avança.
Aqui, a coisa fica ainda pior. Aparelhado por partidos insignificantes e destrambelhados como PSOL, PSTU e PCO, o movimento dos "indignados" marcha para a irrelevância.
Qual o fôlego que esses movimentos terão nos países desenvolvidos? Até onde irá a tolerância dos governos com atos de violência que prometem ser frequentes? Como vai se comportar a economia nos países emergentes nos próximos meses (a China hoje pediu aos emergentes que acelerem suas economias)? A União Europeia irá reconhecer a insolvência da Grécia como querem os bancos europeus? Até quando a poderosa Alemanha ficará imune à crise?
Como se vê são muitas as dúvidas, mas remanesce uma única certeza: Para desespero dos profetas esquerdofrênicos do apocalipse, o capitalismo como sempre encontrará uma saída. Talvez não seja a melhor saída, mas será a saída possível.
E é bom que assim seja porque a alternativa ao capitalismo é a barbárie.
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Excelente texto Wilson! Seu texto reflete claramente o que ta acontecendo aqui na europa...Abracos!
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