11 de outubro de 2011

Lira Maia e Parsifal dão conta do recado no "Argumento". Ganzer foi nulo.

Acabou agora a pouco o programa "Argumento", apresentado por Mauro Bonna, na RBA, que entrevistou parlamentares a favor e contra Carajás e Tapajós.
O primeiro a ser entrevistado foi Lira Maia (na foto ao lado). O deputado por Santarém saiu-se muito bem. Discurso consequente, números na ponta da língua. Conseguiu ser claro, elegante e conciso. Demonstra claramente o preparo de um veterano. A estratégia de Carajás e Tapajós de dar destaque aos políticos paraenses está se mostrando cada vez mais correta. A simples presença de Lira Maia engessa o discurso rasteiro contra os "forasteiros". Neutralizado isso, restou a ele provar que a Região Metropolitana de Belém concentra 54% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará e que os ganhos decorrentes da nova repartição dos recursos federais beneficiará o Novo Pará. Marcou um belo tento ao afirmar que a criação dos novos estados possibilitará construirmos o maior plano de desenvolvimento regional de todos os tempos no Norte do Brasil e saiu rapidamente da armadilha armada por Bonna sobre a questão do "tamanho" dos novos Estados. Frisou que está discussão não é central. Além disso lembrou que 74% da área do Tapajós é destinada à proteção ambiental ou terra indígena, assim os três estados terão territórios equivalentes.
Se o que preocupa os belenenses é o "tamanho", Lira mostrou que não há razão para tanto complexo de inferioridade.

Claramente, Lira Maia foi o melhor dos quatro entrevistados.
Em seguida foi a vez de Valdir Ganzer. Confesso que esperava bem mais de um político calejado em debates talvez até mais acalorados que este sobre Carajás e Tapajós. Contudo, acho que apenas uma palavra define a atuação de Ganzer hoje: Vacuidade.
O homem parecia ter sido pego à laço para participar da entrevista. Visivelmente despreparado repetiu inúmeras vezes que o "assunto é mais complexo", espécie de mantra usado por políticos quando não têm o que dizer. Insistiu que "ninguém está discutindo o que é central no debate", mas, previsivelmente, não apontou o que seria "central" no debate. Totalmente perdido, tratou de refundar o Brasil invocando a divindade petista, Lula, o "Pai da Pátria". Justificou o desenvolvimento recente do Nordeste do país como decorrência da eleição de Lula. Levada à radicalidade essa coisa levemente parecida com um raciocínio de Ganzer, teríamos que o Norte somente se desenvolverá quando eleger um presidente da República. Pressionado por Bonna, quase capitula. Conseguiu ser mais confuso e despreparado que Eliel Faustino. Um desastre.
Logo depois foi a vez de Parsifal Pontes (ao lado). Teve um começo um tanto titubeante e atrapalhado. A questão da conformação das fronteiras dos novos estados, muito bem respondida por João Salame, quase complica o desempenho de Parsifal. Digamos que ele precisou de muito mais palavras para explicar o que na verdade é simples. O Estado do Carajás foi conformado a partir da identificação regional dos municípios agregados na Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins (Amat), organização fundada há mais de 30 anos, quando os grandes projetos ainda apenas começavam a se instalar na região e o surto de desenvolvimento que vive hoje não estava no horizonte. Depois recuperou-se e tratou de recuperar o terreno perdido. Demonstrou que três estados poderão exercer maior pressão sobre a União Federal; que não serão necessários recursos extras do Tesouro para financiar os novos estados; que o Pará chegou no limite se sua capacidade de investimentos; que dos 11 bilhões de gastos e investimentos do Governo do Estado em 2010, a Região Metropolitana de Belém consumiu quase 10 bilhões. Foi muito bem sem ser brilhante.
Entendo que o formato do programa não favorece Parsifal. Notório polemista e frasista juramentado, ficou um tanto inibido em confrontar o entrevistador.
Aí foi a vez de Ana Cunha. Sempre a considerei ousada e incisiva nos debates. Já a vi em ação diversas vezes e costuma ser uma espécie de "metralhadora-giratória". Dispara para muitos lados. Acerta bastante, mas às vezes erra feio o alvo. Hoje não foi muito diferente. Mas, para ser justo, foi a primeira a pelo menos tentar esboçar uma proposta de repactuação das prioridades do Estado do Pará, através de um "novo plano de gestão" para o Estado e de mudanças na "política tributária". O problema é que uma proposta desta envergadura cabe a autoridades maiores que Ana Cunha. Falta-lhe a autoridade para bancar uma redivisão justa e equânime dos recursos estaduais ou uma nova política tributária. Assim, apesar de boa, a ideia de Ana Cunha padece de dois males que a ferem de morte: é extemporânea (deveria ter sido apresentada cerca de 15 anos atrás, no mínimo) e agora é apresentada por alguém sem autoridade para pactuar esse tipo de compromisso.
Para piorar, acabou tentando comparar o Pará ao Canadá e, claro, levou uma reprimenda ao vivo e em rede estadual do entrevistador ("Mas, deputada, o Canadá é vizinho dos Estados Unidos; nosso vizinho é o Maranhão!"). Uma derrapada feia. A seu favor apenas o fato de não ter se escorado no "paraensismo" ou nos apelos emocionais rasteiros tão comuns aos políticos belenenses. Acabou sendo obrigada a reconhecer que Belém por décadas não se preocupou com as regiões de Carajás e Tapajós.
MAS, ATENÇÃO: NÃO DUVIDEM QUE, NA RETA FINAL DA CAMPANHA, CASO AS PESQUISAS MOSTREM UM CENÁRIO FAVORÁVEL AO "SIM", APAREÇAM AUTORIDADES MAIS GRADUADAS REAPRESENTANDO AS PROPOSTAS RASCUNHADAS POR ANA CUNHA COMO FORMA DE DESMOBILIZAR O ESFORÇO PELA CRIAÇÃO DE CARAJÁS E TAPAJÓS.
Insisto: Jatene não quer entrar para a história como o governador que "perdeu" o Estado. O calor da campanha poderá obrigá-lo a fazer de forma explícita o que tem feito veladamente.
No todo, mais uma vez qualquer observador atento pode perceber as fragilidades terríveis que oprimem o discurso da "Turma do Contra". A postura pendular lhes tira cada vez mais os farelos de credibilidade que poderiam emprestar às suas palavras. Ora Carajás e Tapajós não podem ser criados porque seriam pobres demais, ora não podem ser criados porque "roubariam" as "riquezas do Pará". Como não têm números para mostrar, tratam apenas de desqualificar os números oficiais. Perdido o debate no âmbito da racionalidade restará a eles apenas o discurso preconceituoso e bairrista.
As lideranças de Carajás e Tapajós precisam apenas fazer dever de casa e estar atentas aos golpes abaixo da linha da cintura, porque na confrontação de ideias e números Carajás e Tapajós já ganham de goleada.

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