14 de outubro de 2011

De vassouras e aloprados; ou "A Política é para os sábios".


Vejam lá como andam as coisas. No jornal Zero Hora, de Porto Alegre:
Um grupo denominado "anticapitalista" depredou no início da madrugada desta sexta-feira uma agência do Banco Santander, na região central de Porto Alegre (RS). De acordo com a Polícia Civil, o ataque incendiário à sala de autoatendimento do banco foi provocado por algum tipo de artefato com líquido inflamável e destruiu um dos caixas eletrônicos, deixando outro equipamento danificado. O fogo foi controlado pelos bombeiros em seguida. 
Na calçada e no chão da agência, foram deixados bilhetes com mensagens anticapitalistas. Uma deles respondia à pergunta: "Por que incendiar um banco?", dizendo que "o capitalismo devasta tudo no seu rumo ao progresso, na sua nova maquiagem de desenvolvimento sustentável". Em outro bilhete, a ação foi justificada como "um sinal de desprezo aos projetos da Copa": "Nosso povo se ilude e os ricos ganham todas. Hoje não foi bem assim".
Eis-me aqui:
Como se vê esses "anticapitalistas" de Porto Alegre também integram o amplo espectro dos "indignados". Com pesar avalio que outros eventos parecidos ocorrerão.
Publiquei no blog, madrugadinha de quarta para quinta, texto no qual critico o tal movimento dos "indignados" que com suas vassouras e máscaras pretendem ser veementemente contrários a algo que ninguém é a favor.
Um dos maiores problemas desses movimentos "espontâneos" e "apartidários" é que apesar de pacíficos (até aqui), por vias transversas acabam dando a senha para que aloprados como esses de Porto Alegre resolvam passar das "palavras de ordem" para a "ação efetiva".
Movimentos como a marcha da vassoura ou os indignados de Wall Street não rendem homenagens a qualquer organização. Como lhes falta organização e lideranças identificáveis criam uma espécie de capa de invisibilidade que, em caso de excessos, torna quase impossível responsabilizar os infratores. Além disso, uma vez reunidos, basta um ou dois mais exaltados para que a manifestação pacífica transforme-se em turba descontrolada. Na avenida Paulista alguns foram presos, na quarta (12), após depredar uma agência bancária, uma lanchonete e o Tribunal Regional Federal (foto ao lado).
Aqueles que acham que as coisas vão mal tiveram a chance de manifestar-se durante as eleições do ano passado. O povo, em sua maioria e em votação legítima, escolheu manter o PT e seus aliados no poder central e entregou oito estados ao PSDB. Não gostaram do resultado das escolhas? Nova oportunidade terão ano que vem, no âmbito municipal. Saberão aproveitá-la?
Afirmo aqui: A política não é lugar para homens-células. Representantes de si mesmos. Autonomistas por excelência. A política é criação coletiva. É o espaço da agregação institucionalizada. E as instituições que o Estado Democrático de Direito estabelece como o "locus" da política são os partidos, as associações, os sindicatos. Não gostam disso? Então, lamento, mas então não são democratas.
A democracia pressupõe respeito às regras do jogo. E as regras estabelecem as formas e ritos que tornam possível mudar tudo, inclusive as próprias regras.
Querem mudar de verdade o rumo do País? Filiem-se em um partido político, qualquer partido. Cobrem do partido um programa claro e ideologicamente definido, que desdobre-se em propostas exequíveis.
Querem mudar de verdade o rumo do País? Integrem um sindicato ou associação de moradores. Estabeleçam uma pauta de reivindicações e confrontem as autoridades exigindo que cumpram suas obrigações e promessas.
O que não dá para aceitar é que "militantes de fim-de-semana e feriados" achem que possuem mais legitimidade exclusivamente porque não estariam "contaminados" pela "velha política" ou porque "marchem contra a corrupção".
O professor Arthur Giannotti disse certa vez que "a política não é para os santos; a política é para os sábios". Ao movimento dos indignados, apesar da alegada "santidade", falta sabedoria.  
Ao final do texto de quinta-feira dizia que movimentos como esses geram imagens para a televisão e frustração para seus militantes. Agora digo que produzem algo pior: permitem que aloprados deem vazão ao "espírito de porco" que os oprime. 

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