Vejam lá como andam as coisas. No jornal Zero Hora, de Porto Alegre:
Um grupo denominado "anticapitalista" depredou no início da madrugada desta sexta-feira uma agência do Banco Santander, na região central de Porto Alegre (RS). De acordo com a Polícia Civil, o ataque incendiário à sala de autoatendimento do banco foi provocado por algum tipo de artefato com líquido inflamável e destruiu um dos caixas eletrônicos, deixando outro equipamento danificado. O fogo foi controlado pelos bombeiros em seguida.
Na calçada e no chão da agência, foram deixados bilhetes com mensagens anticapitalistas. Uma deles respondia à pergunta: "Por que incendiar um banco?", dizendo que "o capitalismo devasta tudo no seu rumo ao progresso, na sua nova maquiagem de desenvolvimento sustentável". Em outro bilhete, a ação foi justificada como "um sinal de desprezo aos projetos da Copa": "Nosso povo se ilude e os ricos ganham todas. Hoje não foi bem assim".
Eis-me aqui:
Como se vê esses "anticapitalistas" de Porto Alegre também integram o amplo espectro dos "indignados". Com pesar avalio que outros eventos parecidos ocorrerão.
Publiquei no blog, madrugadinha de quarta para quinta, texto no qual critico o tal movimento dos "indignados" que com suas vassouras e máscaras pretendem ser veementemente contrários a algo que ninguém é a favor.
Um dos maiores problemas desses movimentos "espontâneos" e "apartidários" é que apesar de pacíficos (até aqui), por vias transversas acabam dando a senha para que aloprados como esses de Porto Alegre resolvam passar das "palavras de ordem" para a "ação efetiva".
Aqueles que acham que as coisas vão mal tiveram a chance de manifestar-se durante as eleições do ano passado. O povo, em sua maioria e em votação legítima, escolheu manter o PT e seus aliados no poder central e entregou oito estados ao PSDB. Não gostaram do resultado das escolhas? Nova oportunidade terão ano que vem, no âmbito municipal. Saberão aproveitá-la?
Afirmo aqui: A política não é lugar para homens-células. Representantes de si mesmos. Autonomistas por excelência. A política é criação coletiva. É o espaço da agregação institucionalizada. E as instituições que o Estado Democrático de Direito estabelece como o "locus" da política são os partidos, as associações, os sindicatos. Não gostam disso? Então, lamento, mas então não são democratas.
A democracia pressupõe respeito às regras do jogo. E as regras estabelecem as formas e ritos que tornam possível mudar tudo, inclusive as próprias regras.
Querem mudar de verdade o rumo do País? Filiem-se em um partido político, qualquer partido. Cobrem do partido um programa claro e ideologicamente definido, que desdobre-se em propostas exequíveis.
Querem mudar de verdade o rumo do País? Integrem um sindicato ou associação de moradores. Estabeleçam uma pauta de reivindicações e confrontem as autoridades exigindo que cumpram suas obrigações e promessas.
O que não dá para aceitar é que "militantes de fim-de-semana e feriados" achem que possuem mais legitimidade exclusivamente porque não estariam "contaminados" pela "velha política" ou porque "marchem contra a corrupção".
O professor Arthur Giannotti disse certa vez que "a política não é para os santos; a política é para os sábios". Ao movimento dos indignados, apesar da alegada "santidade", falta sabedoria.
Ao final do texto de quinta-feira dizia que movimentos como esses geram imagens para a televisão e frustração para seus militantes. Agora digo que produzem algo pior: permitem que aloprados deem vazão ao "espírito de porco" que os oprime.
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