10 de setembro de 2011

Pará, Carajás e Tapajós - Debate na Tv Câmara - Gosto cada vez mais do Zenaldo. Seus argumentos apoiam Carajás e Tapajós!

Bem, caríssimos, ontem (08) a Tv Câmara promoveu o primeiro debate sobre a criação dos Estados do Carajás e Tapajós. Frente a frente, Zenaldo Coutinho, o presidente “interditado” do PSDB e Giovanni Queiroz, do PDT. Confesso que tinha um certo receio em relação às reações de Giovanni diante de um polemista experiente como Zenaldo. Mas, o pedetista se houve muito bem e defendeu a sua tese com eficiência.
Logo de cara, Giovanni justificou a criação dos novos estados diante da necessidade de um reordenamento geopolítico da Amazônia; do sucesso das experiências de Goiás-Tocantins e Mato Grosso-Mato Grosso do Sul; e da ausência das instituições do Estado na região.
Zenaldo tentou o contra-ataque e acabou fazendo um belo gol contra. O presidente do PSDB disse que houve mudanças na legislação que regulamenta a criação de novos estados e que A CONSTITUIÇÃO IMPEDE QUE A UNIÃO FEDERAL INVISTA RECURSOS EXTRAS NESSES ESTADOS. O GOVERNO FEDERAL NÃO PODE ASSUMIR ENCARGOS FINANCEIROS DOS NOVOS ESTADOS QUE ASSIM NASCEM SEM DÍVIDAS.
Um espanto!
Pelas mãos de Zenaldo caiu aí um dos maiores argumentos da “turma do contra”. Eles insistem em mentir ao eleitor quando dizem que a criação do Carajás e Tapajós onera os cofres públicos. Como já foi dito aqui neste blog, basta ao Carajás e Tapajós suas receitas próprias e os repasses constitucionais a que fazem jus.
ZENALDO CONFIRMA QUE NÃO HAVERÁ GASTO EXTRA. NO ENTANDO OS QUE FORMAM SUA TURMA DIZEM O CONTRÁRIO TENTANDO ENGANAR O ELEITOR.
Não vou comentar os ataques abaixo da linha da cintura. Vocês poderão vê-los no vídeo (aqui). Basta dizer que existiram e que refletem o espírito que anima a “turma do contra”.
Mas, Zenaldo estava inspirado. Ele resolveu reclamar do tamanho do Novo Pará. Depois de afirmar que grande parte da área atual do Pará é formada por áreas especiais de proteção (Rebios, Reservas Indígenas, etc), ele reclama que é difícil ocupar esse território.
Zenaldo não deveria reclamar.
MAIS DE 85% DA ÁREA DESTINADA AO NOVO PARÁ JÁ ESTÁ ANTROPIZADA (OCUPADA PELO HOMEM) E PODE SER INTEGRALMENTE EXPLORADA ECONOMICAMENTE. TERÃO OS POLÍTICOS DA “TURMA DO CONTRA” A COMPETÊNCIA PARA DESENVOLVER ESSA ÁREA QUE ZENALDO CONSIDERA “PEQUENININHA” MAS QUE, NA VERDADE, É QUASE DO TAMANHO DE SÃO PAULO?
O debate segue e quando o assunto é descentralização administrativa Zenaldo nos ajuda de novo.
Pasmem. Ele dá como exemplo de gestão, adivinhem, o tal “governo itinerante” que Jatene está fazendo nas regiões do Carajás e Tapajós. A distribuição de óculos e cadeiras de rodas são exemplos de “descentralização administrativa”? Quando foi que “Espelhinhos e miçangas” entregues aos “arigós” (salve, salve, Ademir Braz!) e “parasitas” pelos “paraenses” se transformaram em políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades regionais?
Experimentem sugerir a Jatene que a parcela destinada a investimentos do orçamento seja dividida entre as três regiões do Estado de forma proporcional às suas necessidades e vejam o pulo que o homem dará.
Considerando o interesse de Jatene e do PSDB em eleger Zenaldo prefeito da capital (cargo que jamais foi ocupado por um tucano), por que Jatene investiria recursos relevantes aqui ou no Tapajós?
Mas, sigamos, porque Zenaldo estava com a corda toda.
E agora ATENÇÃO PETISTAS!
ZENALDO CULPA VOCÊS PELA “SITUAÇÃO FINANCEIRA EXTREMAMENTE DELICADA” EM QUE SE ENCONTRA O PARÁ
. É A TESE DA HERANÇA MALDITA FAZENDO ESCOLA. A CULPA É SEMPRE DO OUTRO.
Zenaldo ainda afirma que a miséria ronda até mesmo a Grande Belém. Segundo ele até o prefeito de Anajás já contraiu 10 vezes malária. A retorção de Giovanni é imediata: a miséria existe a menos de mil metros da Praça da República no centro da capital, sob a forma de esgotos a céu aberto!
Faltou apenas complementar com a pergunta: se não conseguem melhorar a qualidade de vida dos moradores da cidade que dizem amar, o que nós, que eles chamam de “parasitas” podemos esperar desses que se consideram os únicos “paraenses legítimos?
Para concluir Zenaldo demonstra que precisa se informar melhor. Afirma que se território pequeno significasse progresso Sergipe seria um estado desenvolvido; ele não sabia e Giovanni o ensinou que Sergipe tem o maior PIB per capita do Nordeste!
Ainda bem que o debate durou apenas meia hora. Mais um pouco e eu escolheria o Zenaldo como “cabo eleitoral” de Carajás e Tapajós. Por seus equívocos ele me convenceu ainda mais que os defensores do Carajás e do Tapajós seguem no caminho certo.

Um comentário:

  1. Excelente análise meu caro. Parabéns pela clareza das idéias. Isso só mostra que temos boas "massas cinzentas" pelas bandas de cá. Vamos a luta!

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