3 de setembro de 2011

Na ponte interditada quem ficou retido foi o direito de ir e vir

Quem mora em Marabá já sabe que ontem à noite, por volta das 23h, os taxistas interditaram a ponte sobre o Rio Itacaiúnas em protesto contra a atuação dos "táxis-lotação", uma modalidade de transporte de passageiros muito popular aqui. Os manifestantes impediram completamente o acesso ao Núcleo Nova Marabá para quem estava na Marabá Pioneira e na Cidade Nova. O protesto durou cerca de duas horas e pelo menos um "táxi-lotação" foi depredado. Felizmente, não houve mortos ou feridos no incidente. Mas, é inegável que incidentes mais violentos ocorrerão em pouco tempo.
Os taxistas tradicionais dizem que as "lotações" não poderiam trafegar a partir das 20h e em dias de grandes shows na cidade. Os motoristas das "lotações" alegam que trabalham amparados por autorização do Departamento Municipal de Transporte Urbano. Por conta do impasse entre os lados da questão restaram uma ponte obstruída e o cerceamento do direito de ir e vir de milhares de pessoas. Os taxistas foram autores dessa violação ao Estado de Direito, mas a Administração Municipal, por ser incapaz de prover transporte público coletivo de qualidade para a população, foi co-autora.
Os "táxis-lotação", da mesma forma que "moto-táxis", existem apenas em função da precariedade do transporte público coletivo em Marabá. Não deveríamos precisar desse tipo de transporte de passageiros. Infelizmente, por conta da péssima qualidade do transporte coletivo, essas "modalidades" exóticas de transporte vicejam em Marabá e em diversas cidades do País.
Ocorre que Marabá (ou qualquer outra cidade que aspire ser algo mais que uma currutela) não pode aderir ao discurso fácil do "ah, é assim em todo o lugar". É preciso que o Poder Público enfrente a questão de forma eficiente e isso passa pela melhoria urgente do transporte coletivo.
Vejam bem. Em Marabá, duas empresas são responsáveis por um dos piores serviços do Brasil. As linhas são tão mal distribuídas que é recorrente o usuário, em um único percurso, passar duas vezes pelo mesmo ponto de parada no qual subiu no coletivo. Ônibus em precárias condições e com superlotação são cenas corriqueiras. A falta de racionalidade nos horários faz com que dois ou três ônibus da mesma linha passem em sequência deixando os passageiros por horas a fio à espera de transporte.
Recentemente Maurino Magalhães, prefeito de Marabá, anunciou que aumentará a frota de ônibus em 150% ou 160% e que implantará um novo sistema de transporte coletivo na cidade. É bom que faça isso com a brevidade que o caso requer. As cenas de ontem sobre a ponte indicam que o acirramento dos ânimos é crescente e nada garante que, nos próximos confrontos, os danos serão apenas materiais.

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