Até onde consta, Simão Jatene baixará em Marabá no final deste mês com o seu "governo itinerante" ou qualquer outra denominação que dê o tucanês à turnê conduzida pelo Governo do Pará em uma visão algo distorcida do que seja integração regional.
Vem para apertar os laços um tanto frouxos que ligam o condomínio PSDB-PPS-PMDB-PTB instalado no governo estadual.
A primeira data (nos primeiros dias de agosto) foi descartada em função da precursão realizada no final de julho. A equipe chefiada por Sophia Feio, atual Secretária-Chefe da Casa Civil, sentiu a temperatura da água na região e não aprovou a vinda do tucano-mor.
Partidos aliados ocuparam espaços demais e muitos tucanos ainda não foram contemplados.
Nenhuma grande obra do governo estadual está em andamento e mesmo aquelas emergenciais, como recuperação de estradas estaduais, seguem a passos de cágado aleijado.
A ridícula participação na audiência pública que discutiu o Plano Plurianual foi vista como sintoma claro da desarticulação do Governo do Estado na região.
A posição de Jatene em relação ao plebiscito sobre a criação de Carajás e Tapajós complica um pouco mais a cena política local.
Como não poderia deixar de ser, lideranças locais enxergam as digitais de Jatene na presença de Zenaldo Coutinho (Secretário Especial de Proteção Social) e de Orly Bezerra (publicitário "oficial" da tucanada) na campanha contra Carajás.
Tudo sugere que, apesar do discurso de aparente isenção, Jatene tudo fará para não passar para a história como o governador que "perdeu o Estado".
A errática estratégia de Jatene levava em conta que, no caso do plebiscito, apenas as regiões emancipandas votariam. Isso tornava a coisa irreversível e a conta da perda de território e renda iria para a Justiça Eleitoral.
Assim, os tucanos começaram a se preparar para investir em obras no Marajó, Vale do Moju, Nordeste do Pará e na Região Metropolitana de Belém. As regiões do Tapajós e Sul do Pará já não representavam alvos prioritários.
Contudo, a decisão do TSE que estende a todos os paraenses a consulta sobre a criação dos novos estados está obrigando Jatene e seus estrategistas à revisão de seus conceitos.
Em caso de derrota da proposta de formação dos três estados o governador precisa ter um plano de ação governamental e de intervenção política para a região.
Assim, para ouvir todos os tucanos, neo-tucanos, parentes e aderentes, deverá chegar nesta semana em Marabá uma nova equipe de precursão que tentará reconstruir algumas relações estremecidas, elaborar uma agenda razoável e evitar constrangimentos ao governador.
Seguindo o mesmo modelo adotado em Santarém, Jatene deverá deslocar parte do secretariado e sentar praça por pelo menos dois dias aqui em Marabá.
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