“Não houve nenhuma consulta. Esta foi uma reclamação feita pelos indígenas aos procuradores, dizendo que constataram a presença de pessoas ligadas ao empreendimento dentro de terras indígenas para colher materiais e informações e nenhuma liderança foi comunicada disso.”
Outra motivação dos procuradores foi a ausência de uma avaliação ambiental integrada, que é necessária neste caso porque outras seis hidrelétricas estão previstas para serem construídas na Bacia do Rio Tapajós. “A avaliação que deve ser feita sobre os impactos sinérgicos desta usina deve levar em consideração a construção das outras usinas que estão previstas para a bacia hidrográfica.”
A Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deverá gerar 7,8 mil megawatts e tem previsão de conclusão em dezembro de 2017. Segundo o procurador, somente depois dos estudos e consultas pedidos pelo MPF será possível dizer se a obra é ou não viável. “Pedimos justamente estudos e consultas que viabilizem a formação de uma opinião da sociedade civil em geral sobre a viabilidade do empreendimento.”
O procurador se diz confiante na aceitação do pedido de liminar pela Justiça Federal, porque os fundamentos jurídicos apresentados são “fortes e significativos”. A União ainda poderá recorrer da decisão. “Dados os argumentos jurídicos e fáticos que fundamentam nossa petição, acreditamos que mesmo o TRF [Tribunal Regional Federal] não irá reformar a decisão. Temos confiança nisso,” disse.
Vale lembrar que entre os países em desenvolvimento o Brasil é aquele que possui a matriz energética mais "limpa". Mas, aparentemente este fato não é suficiente para convencer nossos intrépidos procuradores. Uma pena.
Enquanto o MPF preocupa-se com os peixinhos nas lagoas, milhões de brasileiros ainda vivem às escuras ou sob o risco de apagão. Além disso, o preço da energia elétrica (com todos os impostos e taxas amarrados à ilharga), eleva o custo-Brasil e freia o crescimento.
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