Um caso, pelo menos, corre o risco de entrar no folclore político, desde que o candidato sobreviva a esta eleição. É que no topo da lista do TSE está Juarez Gontijo, o Juarez da Papelaria Comercial, candidato a vereador no município de Inhumas (GO) pelo PT do B. Segundo os registros do TSE, ele teria “debaixo do colchão” R$ 128 milhões. Mas, de acordo com o candidato, novato nas eleições, o valor informado está errado. O correto seria R$ 128 mil. “É zero demais da conta”, disse Juarez.Devido ao engano, o comerciante já foi ameaçado de sequestro, roubo e até de morte por telefone. “Eu passei muita dificuldade com isso, muito medo. Mas não tem lógica um candidato a vereador em uma cidade pequena (ter este valor em espécie). Mas o Brasil é cheio de coisa estranha, dá para entender (que as pessoas acreditem que o valor é de R$ 128 milhões)”, diz Juarez Gontijo.
Segundo ele, os R$ 128 mil também não existem em espécie. “Dinheiro guardado não tem. Quando a gente faz declaração de imposto de renda, vai acumulando ‘dobrinha’ que tem direito a não pagar imposto. Aí, tem esse dinheiro, coisa de papel, que vai guardando”, explica o candidato.
Atrás do dono da Papelaria Comercial, aparece Jair Correa, o Nozinho Correa, candidato a prefeito de Linhares (ES) pelo PDT. Pecuarista, ele declarou ter R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. Em entrevista para o site da revista Carta Capital, Correa afirmou nunca ter visto o valor. Depois, retificou o que disse. Segundo ele, o negócio de gado movimenta valores altos e é possível que o montante tenha ficado disponível em dinheiro vivo.
Nas eleições de 2010, o atual senador Wilder de Morais (DEM/GO) declarou que guardava embaixo do colchão nada menos que R$ 2 milhões. Ele sucedeu recentemente ao senador cassado Demóstenes Torres, que caiu em desgraça depois que ficou clara sua relação com o chefe mafioso Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Wilder, ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher de Cachoeira, foi um dos maiores doadores para a campanha de Demóstenes e a CPI do Cachoeira deverá ouvi-lo logo que acabar o recesso de julho no Congresso Nacional.
O presidente do Sindicado dos Contabilistas de São Paulo (Sindcont-SP), Victor Galloro, explica que ter tanto dinheiro em casa “não é comum, mas pode acontecer”.
“Depende da circunstância, do ramo. Se o sujeito vendeu a casa em 31 de dezembro e recebeu em dinheiro, por exemplo, pode declarar para a Receita que o valor ficou em caixa”, exemplifica Galloro.
Mas, se o dinheiro não existir e for usado para justificar algum investimento, a declaração é ilegal. “Perante a Receita, isso chama-se simulação. É ilegal. É um dinheiro que não tem sustentação para nenhum uso futuro em qualquer investimento. É uma estratégia ultrapassada e uma orientação de risco para o contribuinte”, diz Alcazar, do Sescon-SP.
O contador explica que o fisco tem autuado contribuintes que usam dinheiro vivo “fictício” para justificar futuros lucros derivados de investimentos.
Mas, se o dinheiro não existir e for usado para justificar algum investimento, a declaração é ilegal. “Perante a Receita, isso chama-se simulação. É ilegal. É um dinheiro que não tem sustentação para nenhum uso futuro em qualquer investimento. É uma estratégia ultrapassada e uma orientação de risco para o contribuinte”, diz Alcazar, do Sescon-SP.
O contador explica que o fisco tem autuado contribuintes que usam dinheiro vivo “fictício” para justificar futuros lucros derivados de investimentos.
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