As escutas sobre a compra da legenda datam de maio do ano passado, período em que Cachoeira questiona a um aliado sobre a direção do PRTB goiano. A intenção era retirar Santana Pires da posição de presidente regional do PRTB. Dois dias depois, o mafioso pede ao seu braço direito, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Garcês (PSDB), que envie uma mensagem a alguém identificado no grampo como “nosso maior”. O conteúdo do recado se resumia à indagação de que se valeria a pena “pegar” o PRTB.
Também fazia parte dessa negociação, segundo a PF, o sargento aposentado da Aeronáutica, Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá – preso pela Operação Monte Carlo. Em um dos diálogos ele diz a Cachoeira que falou com o advogado - que conforme as investigações pode ser o do partido – e que ele teria pedido R$ 300 mil. Dadá diz: - "Já aumentou aquele valor que falei para você. Falou que era R$ 200 mil, passou para R$ 300 mil". No que Cachoeira responde: - "Tá roubando. Que garantia que tem?". Dadá responde: "- Disse que faz na hora. O presidente vem e faz tudo e vai para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Resolve tudo".
O empresário então demonstra interesse em saber quanto custa a manutenção anual do partido, e Dadá afirma que ele não tratou do assunto. Como consta no diálogo, Dadá explica que o advogado disse “que fica com o Estado todo na mão e nomeia os municípios”. Cachoeira então demonstra interesse e diz que o negócio deve ser fechado em R$ 150 mil. Ele diz: "- Até R$ 200 mil dá para fazer. Fecha logo, mas tem que ter garantia".
De acordo com as investigações da PF, ainda em agosto o grupo continuava discutindo a questão. Dadá liga para Cachoeira no início do mês perguntando se o mafioso ainda tinha interesse “naquele negócio do partido?”. Cachoeira afirma que sim e pergunta qual era a sigla, no que recebe a resposta de que se tratava do mesmo partido da negociação anterior, o PRTB.
Em meados de agosto, Carlinhos Cachoeira liga para Dadá para saber o resultado do “negócio lá do partido”. Dadá responde: "- Uai, está naquele lenga, lenga, o cara quer, tá lá em São Paulo, hoje mesmo ligou, querendo os nomes, mas eu sugeri aquilo que você me falou, 'ó meu irmão, é, vamos visitar lá o 01 do Estado', aí ele falou 'não', que ele ficou de ver com o cara o seguinte: se a gente mandasse um emissário nosso com os nome e se lá o cara quiser trazer a nominata, beleza, entendeu?. Agora entregar os nomes e pegar a nominata no outro dia, eu falei que não tava certo. Aí ele ficou de ver lá com o Levy Fidelix, pra ver se fazia assim, pra mim te falar e mandar mensageiro lá, mandar o negão lá com esses nomes". (sic)
A resposta dada por Dadá aparenta ter satisfeito Cachoeira, que lhe pede que verifique o andamento das negociações. Três dias depois, Dadá informa que levaria os nomes para os responsáveis pelo partido; na ocasião, Cachoeira insiste que Dadá marque um encontro entre ele e Fidelix para “desenrolar” o assunto. Contudo, as investigações da PF não confirmam se a negociação foi próspera.
Levy Fidélix nega - Como era de se esperar o presidente nacional do PRTB, Levy Fidélix nega que tenha negociado ou recebido qualquer quantia de Cachoeira para entregar-lhe o partido em Goiás. Em nota, diz que pediu audiência ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para cobrar explicações sobre o vazamento da informação. Afirma ainda que a divulgação da notícia serve para atingir sua candidatura à prefeito de São Paulo. Quem teria interesse em atacar uma candidatura que alcança "estratosféricos" 0.7% dos votos Fidélix não explica. (Com informações da Folha Online)
Nenhum comentário:
Postar um comentário