A ação das gangues de "coiotes", marginais que exploram esta mobilidade de tráfico, é fartamente documentada na matéria, que mostra como esta verdadeira máfia utiliza os serviços de Cartórios, agências de viagens e agiotas para extorquir aqueles que aceitam correr o risco na esperança de ganhos significativos na América.
Segundo a reportagem, as atividades criminosas envolvem, além da extorsão, estupros e até assassinatos contra "ilegais" e seus familiares no Brasil, México e Costa Rica. A CPI do Tráfico Humano investiga a ação desta máfia.
Uma palavra sobre Rita Soares. Não a conheço, a não ser pelos meios virtuais. Mas, a jornalista é hoje, com toda a certeza, dona de um dos melhores textos do jornalismos paraense. Como vocês verão, a história é contada em seus detalhes com a clareza e precisão que deve caracterizar toda grande reportagem. Daqui do blog, os cumprimentos de um grande admirador.
Veja um trecho da matéria a seguir. A íntegra você lê aqui.
Em junho de 2011, o pintor Gilvan Santos foi abordado por um policial quando dirigia na cidade de Deerfield Beach, na Flórida (EUA). Estava sem documentação. Não demorou e dois agentes da imigração surgiram para encaminhar Santos à prisão em Pompano Beach. Gilvan e a mulher Celma estavam há oito anos nos Estados Unidos. Vinham de Rondon do Pará. No mesmo mês em que o paraense foi detido, cinco brasileiros foram presos em Nova Jersey. Nacip Pires, 47 anos; Rubens da Silva, 39; Sanderlei Alves da Cruz, 31; Francismar da Conceição, 36 e Claudinei Mota, 34, foram acusados de pertencer a uma quadrilha especializada na migração ilegal de brasileiros aos Estados Unidos.Um elo une a detenção do pintor paraense e dos cinco presos. Rondon do Pará. O município, localizado no sudeste paraense, distante cerca de 560 quilômetros da capital, seria um dos mais improváveis corredores da imigração ilegal no Brasil, mas há cerca de duas décadas vem realizando tráfico de pessoas para Europa e Estados Unidos da América (EUA). Pelo menos seis mil pessoas teriam saído de Rondon do Pará em 20 anos. A maior parte é formada por jovens bonitas que ao chegar em solo americano passa a trabalhar em boates como dançarinas. Mas há espaço também para outros tipos de profissionais, que sonham com dias melhores em outro país.
O esquema vem sendo investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico Humano, na Assembleia Legislativa do Pará. Em março, a CPI realizou uma sessão especial para discutir o problema. Na ocasião, foram ouvidos relatos de moradores que foram e estão sendo vítimas dessa prática de extorsão no município. A rota Rondon-EUA passa por São Paulo e usa como porta de entrada para o solo norte-americano desertos no México ou Guatemala. Além da entrada ilegal nos Estados Unidos, a quadrilha utiliza um expediente que dá garantia de pagamento dos que se embrenham na aventura da migração clandestina aos aliciadores. Em Rondon do Pará, algumas agências de turismo participam do esquema, segundo apuraram os deputados.
Ao realizar o empréstimo para financiar a empreitada, os agiotas ligados à rede, exigem que as pessoas ao chegar ao exterior se comprometam a reembolsar mensalmente certa quantia pelos serviços ofertados e contratados. O dinheiro também é para efetuar o pagamento do “coiote”, responsável por facilitar o tráfico de pessoas na fronteira do México para várias partes do mundo.
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