O texto, claro, ficou longo. Mas, sei que vocês, diferentes da "Turma do Contra", não se importam com o "tamanho" (hehehehe).
Desta vez, vamos em um animado "vermelho-e-preto" contra o tucaninho preferido de Jatene.
Assim, ele vai de vermelho e eu, todo de preto!
Logo na primeira resposta Zenaldo mostrou a que veio. E ele veio disposto a tudo!
Disse que a proposta de criação dos novos estados é a "mais atrasada e elitista" das propostas.
Seria atrasada porque "a tendência mundial é a fusão de empresas" (!) e ainda disse que os países que mais crescem são os "maiores, como a Índia e a China".
A tolice pode assumir várias formas e, ao que parece todas elas cabem nos argumentos de Zenaldo. A China é puxada pelas minúsculas ilhas de Hong Kong, Macau e Taiwan, que até ontem, pelo menos, respondiam por 68% de toda a riqueza da "gigantesca" China. Ao contrário do que diz Zenaldo, a China, sendo 12% maior que o Brasil, possui 35 Unidades Administrativas e pretende aumentar esse número. Pequim, por exemplo foi tornada unidade autônoma.
Entenda, Zenaldo: Não existe "tendência" para fundir ou para dividir. A sociedade decide, em cada momento histórico, o que é melhor para garantir o seu desenvolvimento. Neste momento, construir Carajás e Tapajós é o melhor plano de desenvolvimento econômico e social que o Pará pode almejar. Quanto a esta questão do "tamanho", bem, discutiremos isso também, se lhe faz feliz!
Segundo ele, não é admissível que o Novo Pará fique com apenas 17% do seu atual território. Para Zenaldo, Tapajós não teria condições de administrar 58% do território paraense. O mesmo valeria para Carajás. que ficaria com 35% do território atual do Pará.
Lá vem a mesma lenga-lenga. Do território do Novo Pará (do tamanho do Estado de São Paulo), 72% é área já "antropizada", ou seja, não está passível de qualquer restrição de natureza ambiental. Isso permitirá a maior exploração econômica do território. Tapajós faz a conta inversa. 78% é área de proteção ambiental. Isso o tornará o "estado verde" por excelência. Carajás tem metade de seu território protegido e ganhará tanto com a preservação ambiental, quanto com a exploração econômica do seu território.
Zenaldo disse que a criação dos novos estados serviria apenas para "aumentar despesas públicas" e que "a proposta de divisão veio de políticos de outros estados".
Bom, aqui saímos do terreno das tolices e passamos ao solo pantanoso das inverdades. O que Zenaldo chama de "despesas" são, na verdade INVESTIMENTOS PÚBLICOS em saúde, segurança, estradas, educação e outros itens que POR ANOS AS DUAS REGIÕES NÃO RECEBERAM EM FUNÇÃO DA ELITE POLÍTICA BELENENSE PRIVILEGIAR SEUS CURRAIS POLÍTICOS.
Quanto ao interesse de políticos de outros estados no processo de criação de Carajás e Tapajós, trata-se de uma falsificação histórica. Tapajós pleiteia sua autonomia político-administrativa há quase cem anos e Carajás luta há mais de 30 anos para ser reconhecido como um estado, tendo à frente políticos nascidos e criados no Pará!
Para ele, apesar de dizer que "tamanho não é documento", o "Pará não pode ficar pequenininho".
Essa "Turma do Contra" tem algum problema com o "tamanho" das coisas! Esse complexo de inferioridade, tratável na adolescência, acaba tornando-se um problema "grande" quando na idade adulta. Deputado, sendo "grande" ou "pequeno" o importante é que funcione! E este seu Pará "grande" não funciona.
Apontou que Sergipe, um estado pequeno, é um dos "estados mais miseráveis do Brasil" e citou a Bahia como exemplo de estado grande e rico.
Quem tem boca fala o que quer! Deputado, Sergipe é o estado com maior IDH do Nordeste, tendo tido um crescimento considerado pela FGV como "espetacular" na última década. É o 19º IDH do Brasil. Índice ruim? Com certeza, mas o Pará "grande" do Zenaldo é o 16º, atrás do Tocantins (15º)! Ah, e a Bahia "grande e rica" é o 20º! Não precisa acreditar em mim. Consulte o PNUD. Está disponível a todos na web.
Aparentemente, a "moça que lê as notícias e as perguntas que outros escrevem para ela", empolgou-se quando colocou em discussão a questão da violência e chegou a afirmar que Marabá seria a "4ª cidade mais violenta do Mundo" (!). Zenaldo fez por menos e colocou Marabá como a 4ª mais violenta do Brasil. Para Zenaldo, todos os problemas, incluindo a violência, serão resolvidos com "políticas de integração".
"Políticas de Integração", como se sabe, é o eufemismo tucano para distribuição de cadeiras de rodas, óculos e outros que tais. No primeiro governo de Jatene foi criada a expressão "municipalização do desenvolvimento", outro eufemismo para cooptação de lideranças através da distribuição de recursos feita de forma aleatória e com um certo viés eleitoral. Como acreditar em "política de integração" quando a SEFA mostra que Carajás arrecadou mais de 1 bilhão em ICMS e recebeu de volta menos de 250 milhões?
Para isso, Zenaldo argumentou que é preciso "aumentar a receita" através de mudanças na Lei dos Royalties e na Lei Kandir.
A mudança das leis depende de inúmeros interesses e da conjuntura política nacional. Precisaremos torcer para os interesses dos estados com maior bancada coincidirem com os interesses paraenses. É louvável o empenho de parlamentares como Flexa Ribeiro e Claudio Puty (que por sinal contam com o apoio e articulação de TODOS os senadores, deputados federais e estaduais do Estado) a favor dessas mudanças. Mas, é crueldade atrelar o atendimento às necessidades mais básicas da população de Carajás e Tapajós às mudanças na legislação nacional. Além disso, de que adianta mais recursos para o Estado se a apropriação desses recursos continuará sendo atrofiada, favorecendo a elite política de Belém em detrimento das demais regiões do Pará?
Caso os dois estados sejam criados, disse Zenaldo, o Novo Pará deixaria de ser produtor e se tornaria "importador" de energia elétrica com "grandes prejuízos" ao estado.
Quais prejuízos? O ICMS, por exemplo, não sofreria qualquer abalo. Como todos sabem, inclusive Zenaldo, a energia elétrica é cobrada no consumo e não na produção!
Depois restou fazer a propaganda do governo de Jatene, alçado à condição de cabo-eleitoral da campanha contra Carajás e Tapajós. Voltou a dizer que "não sabe de onde partiu o desenho de Carajás" e que se a criação dos novos estados fosse boa "os separatistas não teriam tentado impedir que você, eleitor, fosse ouvido".
Como se vê, ainda deu tempo de torturar os fatos mais uma vez. Vamos por partes:
01 - No que diz respeito aos números referentes aos investimentos em Carajás e Tapajós, o primeiro governo de Simão Jatene não diferiu em nada dos demais governos que o antecederam ou o sucederam, à exceção do segundo governo de Jáder Barbalho (1990/1994) e do primeiro governo de Almir Gabriel (1994/1998). Neste dois governos houve um acréscimo dos investimentos - em torno de 23% - nas duas regiões (os números são da Sefa). De 1998 a 2010 os investimentos estaduais decresceram sensivelmente e voltaram ao patamar histórico do século XX.
02 - Se Zenaldo não sabe de onde veio o "desenho" do Estado do Carajás, eu posso dizer: Ele nada tem de aleatório. Veio da necessidade que os 39 municípios sentiram de combater o abandono que esta região foi submetida pela elite belenense da qual Zenaldo é fruto e raiz. A Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins (AMAT) foi criada com este propósito, que leva em conta a identificação clara entre essas cidades, seja por suas mazelas, seja por suas enormes potencialidades.
03 - Bom, ando meio cansado dessa história de "tirar o direito de opinar dos eleitores de Belém" que sempre é imputado aos que querem criar os novos estados. A frente a favor de Carajás pediu ao Supremo Tribunal Federal que mantivesse o entendimento que a Corte já havia manifestado em outras ocasiões. Nada mais.
Agora, ZENALDO QUERIA IMPEDIR TODOS OS PARAENSES DE SEQUER DISCUTIREM O ASSUNTO!
É ISSO MESMO!
ZENALDO NÃO QUERIA QUE A CONSULTA FOSSE FEITA DE FORMA ALGUMA!
ANO PASSADO CONVOCOU O "POVO DE BELÉM" PARA ASSINAR UM MANIFESTO CONTRA O PLEBISCITO CHAMADO "UM MILHÃO CONTRA A DIVISÃO".
SABEM O QUE ACONTECEU? NADA!
A POPULAÇÃO DE BELÉM IGNOROU ZENALDO E SEU DISCURSO APOCALÍPTICO. NÃO ALCANÇOU NEM 1/5 DA SUA META!
A movimentação contra a participação popular feita por Zenaldo vocês podem ver aqui.
Concluo este texto reafirmando: O eleitor belenense é muito melhor que seus representantes, especialmente estes que formam a frente contra Carajás. Para desespero dos que morrem de medo da mudança e que, por desconhecimento ou má-fé, defendem a manutenção desta insustentável situação de abandono causada por um Estado ausente, os eleitores de Belém já disseram não a Zenaldo uma vez e podem muito bem, agora, dizer SIM a Carajás no plebiscito de dezembro. Nisto e nos argumentos sólidos que embasam a luta por Carajás e Tapajós repousam as esperanças de todos nós, paraenses de nascimento ou adoção, que querem trocar um estado sem recursos por três estados fortes e desenvolvidos. Por tudo isso, Zenaldo segue me fazendo muito feliz! Cada vez que ele abre a boca mais argumentos aparecem para defender Carajás e Tapajós!
Ele desmerece o povo do oeste. Trata com discriminação e sempre olhando como periferia.Faltam argumentos, aliás, essa turma do não realmente não tem argumentos. A vontade de emancipação é secular ( se tratando do tapajós) e por isso merece ser tratada com respeito. Queremos seguir com as nossa próprias pernas. Pior não vai ficar. Se é para continuar na dificuldade, queremos ser independentes. Nos deixem seguir, livres. Estado do Tapajós e Carajás já....77, sim !!! Belém e os demais municípios que ficarão no novo Pará terá mais recursos para investir.
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